quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Não moro num país tropical!




Foi uma festa....não, não foi, nunca é!
Há quase uma semana que ando a embonecar a mais pequena. Hoje vou de gato! ai vais...? Estou bonita? Vá faz-me aqui uns bigodes, isso mesmo, tás a ver? Pareço o Rex! Pois pareces...especialmente porque estás de preto e o Rex é branco.....E à tarde vou de princesa! ......
Aquele vestido cor-de-rosa e a cabeleira loira que o meu pai me comprou! (é quase uma ordem...quer dizer...é uma ordem). Lá foi de manhã de gato à tarde de princesa, e no dia a seguir, preparava-se com grande pompa o desfile escolar. Um frio daqueles de rachar lenha, uma chuvinha miudinha que mais pareciam agulhas de gelo e aquele ventinho suão que seca até a pele da sola dos pés! Um espectáculo! Lá a atafulhei de...deixa cá ver....duas camisolas interiores, mais uma de gola alta e pra rematar uma camisola polar, boa! Em cima de tudo isto, e já com a gaiata a rir das minhas angustias (tão pequena e já consegue ser tão estúpida) lá a consegui enfiar, não sem vários passos dignos de um controcionista de renome, no vestido de veludo preto....pois claro, mas então o que é que esperam? É claro que a rapariga foi trajada a rigor de.....vampira.... uma capa preta com plumas, uma gola de entre-tela, olhos negros e doentios, sublinhados a vermelho, pele branca e lábios carmim, uns caninos de borracha a completar o boneco. Perfeita! Pensei por um segundo...não menos de um segundo. A gaja começa a pôr e tirar os dentes, e em menos de nada, a palidez que tanto trabalhinho deu a conseguir aqui ao "je", deu lugar a um ar corado/esborratado...é que já havia baton vermelho sangue até no olhinho do rabo da gaiata!!!!! Xiça!!!
Lá ultrapassámos, o momento doloroso de voltar a pôr tudo (e refiro-me à cara dela) no lugar, e já atrasadas, as usual, saímos em direcção ao ponto de encontro. Afinal de contas não havia desfile, afinal estava a chover (ai sim? olha que não se deu por nada!), afinal e festa escolar era no pavilhão multi-usos lá do burgo e assim foi....ou era pra ter sido...porque a meio da manhã, a chuva deu tréguas, por....meia hora se tanto, e lá foram em magotes os miúdos todos, desfilar pelo centro da cidade. Escusado será dizer que antes de poderem voltar ao dito pavilhão, recomeçou a chover e o resultado foi, no que me diz respeito, um nariz (ainda) mais entupido que à partida, e ranho, muito ranho.
O fim de semana, foi passado no sossego do lar.
Até parece uma coisa assim, pró idílico e tal. O sossego do lar foi um jantar de família, porque o marido fez anos e prontoS. Não preciso de me alongar, porque seria mais do mesmo, muita gente, uma trabalhêra, e etc, etc, etc.
Vamos fazer de conta que não aconteceu, e saltar directamente para a Terça-Feira de Carnaval, ou gorda como lhe chamavam nos antigamentes.

Outra vez a correria. Mas desta vez a três. Era o desfile Carnavalesco, e os escuteiros iriam vestidos de índios.....(no caso lá de casa, nem era preciso disfarce, mas pronto). Os mais velhos com uma disposição que nem vos conto, mesmo sem o traje, já faziam mentalmente a dança da chuva. E nem era preciso, porque o dia amanheceu molhado e adormeceu encharcado, sem descanso! Vestiram-se, pintei-os, lindos! Um machado, uma pena, dá cá os papelinhos, toma lá a cabeleira, não me pises as tranças, pareces um índio palhaço, eu pareço um pedinte! Não chores, tu não vês que é Carnaval. Escada a baixo aos encontrões, vá, agora todos a postos, sorriso! não queres! Ai queres queres! Eu quero uma fotografia dos três e mais nada! Entendido! Parece que entenderam. Aos trambolhões, e já atrasados (olha que novidade....) tudo pra dentro do carro, debaixo de mais uma bátega de água. Chegados ao local agendado, o diluvio deu-se. Os carros alegóricos desmoronavam-se ali diante dos nossos olhos, flores plissadas, abelhas e outros bichos escorriam pelo chão. Bonito! Afinal é Carnaval, há que ter espírito!
Meia volta e casa!!!! Os mais velhos aplaudiam efusivamente e a pequena atava um burro maior que ela no banco traseiro do automóvel.
Acabou tudo desfardado e despintado sentado numa mesa do café do Pingo Doce a comer pão com manteiga e a beber leite com chocolate. Há que ter espírito!
Isto tudo pra dizer que a mim, só a palavra "desfile" me dá uma coisinha na pele, e uma volta no estômago, que nem sei como explicar!
Mas quem é que se lembrou desta coisa dos desfiles! Não sei se já repararam mas estamos em Fevereiro, hemisfério norte duhhh! Mas não, é ver uma cambada de caras de monos, semi-despidas/os, sem o mínimo sentido de ritmo (não nos está no sangue) no meio das ruas, e com toda a certeza a arranjarem uma carga de trabalhos a alguém! Gripes, constipações, quiçá até pneumonias! Ahhh poizé!
Não quero dizer com isto que não gosto do Carnaval, nada disso, cá em casa sou a única amante desta festa. Mas lembram-se dos bailes? Bailes dentro de casa, nas colectividades, até altas horas da manhã? Lembram-se? Esses ao menos eram tradição nossa, não esta coisa do samba desfilado na rua!
Podem achar-me saudosista, melancólica, velha, o que seja, mas sinceramente acho esta forma de encarar o Carnaval, uma estupidificação das tradições. Aliás, cada vez mais me convenço que quanto mais sabemos mais parvos vamos ficando.
Anyways, siga o baile!


Muita atenção que este post tem já dois ou três dias de gaveta, bem sei que o carnaval já foi e isso tudo. Pronto é só!

Pics do Pai Zé Manel, retocadas pela Nônô

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Apetite por sangue!



Não.
Não mesmo!
Desenganem-se se pensam que vou falar de vampiros e guerras televisivas.
Podem sair se pensam que me vou para aqui pôr a tecer comentários sobre a febre vamp que pulula por todos os recantos do mundo dito civilizado (isto é até irónico...civilizado...pois...)
É que não mesmo.
Um dia destes cortei-me. Cortei-me com uma caneca que se partiu enquanto a lavava, e me ia levando o dedo polegar da mão direita (obrigada, mas a sério, não é preciso tanta preocupação, sou canhota). Entretanto, como a coisa ficou, digamos que feia, entrapei a mão toda, não de qualquer maneira, nada disso, com umas ligaduras todas xpto, e tal, ou seja uma coisa quase quase à pró, mesmo mesmo a mandar "ventarólas"!
Resultado: não posso pisar a rua sem que de todo o lado se ouçam exclamações, questões, e outras observações, tipo: "Aiiiiiiii coitada! Atão o que lhe aconteceu?!", Ohhh meu Deus, aleijou-se (não meu estafermo, não me aleijei...)pobrezinha!!!! Foi profundo? É grande? Sangrou muito? Quantos pontos levou? Bem!!!! Deve ter sido horrível!!!!"
- Cortei-me....com uma caneca partida....sangrou um bocado, é grande, profundo, mas não fui ao hospital, não foi preciso...
É neste preciso momento, que o interesse no meu infortúnio, se evapora. "Então esta gaja, cortou-se com uma caneca partida e nem sequer foi ao hospital, tssssss aquilo foi mesmo uma coisinha de nada, nem pontos nem nada, nem um desmaio, uma quebra de tensão, um colapso nervoso...nada....
É mais ou menos desta forma que se manifesta uma das maiores peculiaridades do povo português. Há um acidente, é importante saber tim tim por tim tim o que se passou, a velocidade da batida, os feridos ou mortos (estes muito mais apreciados), o nível de violência do embate e claro todos os pormenores escabrosos, tais como membros decepados e claro...sangue, muito sangue!
Não consigo compreender esta apetência para o desastre, esta queda para a desgraça, esta tendência para o coitadinhodo pobrezinho que morreu todo esmigalhadinho!
Ok, ok, bem sei que as coisas más acontecem, que pra ficar mal só é preciso estar bem e blá blá blá, mas porra! É preciso alimentar esse fetichezinho retorcido? É preciso babar de curiosidade mórbida? Pá, não é!
Só por causa disso, e especialmente porque não tem nada a ver, e principalmente porque estou em picos por encontrar alguém que cague no meu corte (não literalmente, percebem?, só mesmo em sentido figurado.)Só porque estou até ao pescoço de porcarias e a minha vida ultimamente parece ser uma série de desgraças, só por causa disso, e para deixar aqui bem claro que só gosto de sangue na cabidela de galo, e só mesmo por causa disso, vou-vos brindar com umas imagens do meu Alentejo, lindo, limpo, simples, e sem sangue meus amigos, enjoy yourselves, e digam lá que não é melhor, muitas vezes melhor que falar sobre um corte com uma caneca partida?


Pics da Leonor sob orientação de moi meme (ahh pois)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Por quem dobram os sinos?



"Ê fui cantonêro! Ah pois fui! Muntos anos! Corri seca e meca...o mê patrão era o Chefe da Estrada, conhece-o? Boa pessoa...tava sempre tudo bem pra ele, sempre...esta aqui? É da Granja. Faz versos!"

"Sou da Granja sim Senhora, sabe?, Todos os anos, no Entrudo, vinha aqui pra Mourão, morava cá mê tio, sabe? ele dizia a minha tia: Maria, tens que fazer arroz doce, que vem aí a nossa menina, que era eu percebe?, eu era a mais piquinina, era tudo pra mim, tanto q'eu gosto de arroz doce! Até me lembia! Em casa de minha mãe, não se fazia arroz doce...pois não...tinha-lhe morrido uma filha já grande...em Lisboa...sabe? até me puseram a menina dos versos! Escute:

Lindos brincos tem a moça, nas orelhas a abanar, quem me dera dar um bêjo, onde os brincos vão beijar"

"Fui toreiro! Agarrante! Olhe faz amanhã, dia da Candelária 37 anos quê peguei um mesmo à saída dos curros, na tourada da festa! Levei munta pancada, oh se levei, mas ouça, nunca me desmaginei disso eheheh ehh touro, eh touro!"

"Escute, menina, ê sou da Granja, sabe, no Entrudo vinha aqui pra casa de mê tio, faziam-me sempre arroz doce, Maria, vem ai a nossa menina! Ê até me lembia! Na minha casa não se fazia...."

E lá continua...só muda o sujeito, umas vezes morreu uma filha já grande em Lisboa, outras vezes uma irmã, outras vezes foi a mãe que morreu afogada na ribeira.

Tem sido um banho de realidade, meus amigos, mas não é assim um duche rápido que se toma ao fim da tarde pra esquecer o dia de trabalho e apagar o suor do corpo cansado, nada disso. É mesmo um banho demorado que nos cansa a alma nos acorda todos os sentidos, um banho frio como pedra.

Tenho muitas vezes nos últimos tempos encarado isto como um olhar do futuro.

Por motivos familiares, tenho passado muitas horas num lar para idosos, depois de mais de um ano de luta, de cerrar os dentes e não querer ver que o inevitável estava mesmo ali à minha frente, fui obrigada a ceder à força de muitas circunstâncias. Talvez não fique muito claro, neste texto, mas a dor, o incomodo, a culpa...são perturbadores, e quem sabe volte ao assunto quando a ferida estiver um pouco mais sarada. Tudo sara, esta não vai ser diferente.

As visitas diárias a um lugar destes, por muito bom que ele seja, são qualquer coisa para a qual ninguém pode estar preparado de ante-mão.

A visão do futuro, crua, como uma batida de frente.

O esquecimento, a decrepitude, os membros tolhidos pelas escleroses, artroses, avcs, Alzeihmers e afins; a vida toda impressa em dor e saudade nos olhos cansados, as bocas abertas num espanto mudo, a coluna dobrada, bengalas, andarilhos, pés que se arrastam numa sinfonia de pó-de-talco, e fraldas e urina e desinfectantes...

Porque somos jovens, ainda, tudo isto é exactamente aquilo que não queremos ver, que fingimos não existir sequer, porque estamos longe, tão longe que é impossível aceitar aquilo como uma realidade que nos espera. Nada nos trai os sonhos, a juventude ou a vaidade.

Todos os dias as mesmas histórias, repetidas no mesmo tom de quem tem ainda coisas para dizer, apenas nem sempre tem quem queira ouvir. Todas as tardes as mesmas apresentações de ontem, quem são, como se chamam, de onde vêm. A vida que se esvai, e ainda assim teima em renascer a cada palavra dita.

Já sei os versos de cor e salteado, já conheço o patrão, as sortes das faenas dos touros, os filhos, os tios, o arroz doce...

Estas pessoas entraram na minha vida, quase todos os dias eu e a minha irmã, falamos deles, rimo-nos com as repetições. Claro que nos rimos, seria hipócrita dizer que se resiste! Claro que não! A frase "até me lembia!" entrou definitivamente no vocabulário familiar, e acompanhamos com efervescência o namorico entre um casalinho de octogenários, que partilham maçãs e laranjas pilhadas à socapa da mesa do almoço, e que provavelmente todos os dias se apaixonam um pelo outro...à primeira vista.


"Já vi chover e estar sol, já vi luar e estar escuro, vi tirar um bem-querer, onde estava tão seguro"



quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tens a mania, tens!


A Mary Brown, diz que anda intrigada a propósito das eventuais e hipotéticas manias que uma mãe de três crias possa ter....
A Weeezita que até já me conhece uma ou outra das pouquíssimas manias que tenho (cof cof cof) também se armou aos cágados, e vai daí que primeiro uma depois a outra me desafiaram a desfiar aqui 5 taras minhas.
Devo dizer que pensei, meditei, ponderei, interiorizei, e coise, sobre o tema, e quase que a ferros, lá se fez luz. Ora então cá vai, se são pessoas sensíveis, ou facilmente sensibilizáveis, façam o favor de sair:
Ahhh mais uma coisinha, a ordem é aleatória, que eu não me dou, nem nunca dei bem, com essas coisas das primeiras e segundas e isso.
Então é assim:
Esperem, esperem...por favor não me levem a mal por qualquer coisita que vos pareça menos próprio...afinal de contas todas/os temos as nossas "pequenas" borbulhas infectadas...

1- Parece que, mais que uma mania, esta confissão está a tornar-se um acto de contrição conjunto...pois é, também eu adoro ler sentada no "trono". Mais, sou incapaz de entrar na casa de banho seja para fazer o nº 1 ou o nº2 (sic Carrie Bradshaw)sem ler o que estiver à mão, o folheto do Modelo, a Dica do Lidl, and so on, and so on...
2 - Sou uma roedora de unhas e peles adjacentes convicta e assumida. E gosto! E faço feridas e às vezes até ponho pensos porque o especto é tão tão nojento que mais por medo de que alguém se possa sentir mal ao ver aquele espectáculo, opto por tapar e dizer com aquela descontracção : - pá cortei-me!
3 - Esta é o chamado três em um, e prende-se com as superstições que me foram passadas pelas gerações anteriores e que prezo muito em cultivar. Jamais sacudo a toalha de mesa do jantar depois de o sol se pôr. Porquê? Ora porque a minha mãezinha, e antes a minha avó, sempre me diziam que sacudir a toalha à noite é deitar fora o pão de casa. Mais, não suporto ver facas cruzadas, e a tara é tão grande que se estendeu a todos os talheres, fico com arrepios na espinha com talheres cruzados.
Nem pensar em alguém deixar uma tesoura aberta em minha casa, fico possessa, e ninguém de bom senso me quer ver assim...Não corto as unhas à sexta-feira. NUNCA, nem eu, nem vivalma cá em casa. Ups afinal é um 4 em 1, paciência.
4 - Esta pode parecer, mas não é uma superstição, é mesmo só uma mania parva minha, mas daquelas verdadeiramente parvas e estúpidas...quando tenho alguma coisa no fogão, ou no forno, seja um belo lombo a assar, ou um bolo, ou outra iguaria, que não se atrevam a apagar a luz da cozinha!!!! Tenho cá para mim que a comida não gosta de estar às escuras e não me perguntem porquê!
5 - Quando as crianças bocejam na minha presença, faço-lhes o sinal da cruz sobre a boca dizendo: "anjinho bento entre por esta boquinha adentro"...
6 - Tenho a cagança de citar. É aquela coisa de parecer muito erudita e tal, tenho sempre uma frase para ilustrar qualquer conversa por mais banal que seja...uma piroseira do piorio, mas adiante...
7 - Pera lá! Atão não eram só cinco minha varejeira!!!!
Desculpem, mas isto deu-me um trabalhão do cacete e fica já assim! E vá lá vá lá, eu não falar das manias que tenho de saber de cinema, e livros e porras e falar sozinha e......
Bem visto bem visto, sou uma manienta daquelas à antiga! Fujam!

Só mais uma coisinha. Era suposto passar o desafio, mas eu não vou passar nada a ninguém. Sim, às vezes também tenho a mania que sou má.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Espelho, espelho meu...

Muito se fala na relatividade da beleza.
Que a beleza verdadeira é aquela que não se vê, que o que interessa não é o invólucro, mas sim o que está lá dentro, que as mais belas rosas são as que não têm qualquer perfume...poizé...bullshit! Tá-se mesmo a ver que isto é mesmo conversa de gente que por um ou outro motivo aleatório ou nem por isso, nasceu sem ser bafejado pelo hálito fresco de Afrodite, Venus, Lakshmi, Brandwen, Freyja ou outras do mesmo calibre.
Esqueçam, se pensam que a seguir vem o habitual chorrilho de falsas modéstias, "ah porque eu sou tao feia", "ah porque eu sou tão desinteressante". Podem tirar daí o sentido.


Toda a minha existência, tem sido feita de altos e baixos, acho que é o que basicamente acontece com quase toda a gente. Na adolescência era uma pita com a mania, nariz empinado, armada em culta e tal, a falar com gestos largos e voz alta, tudo isto a maquilhar uma insegurança que até hoje não me larga. O mais trágico no meio disto tudo é que me revejo (salvo o upgrade óbvio) na minha mais velha! Todos aqueles trejeitos que conheço de cor e salteado, aquela áurea de miúda sabe tudo, fixe, estilosa...mas que ao mesmo tempo tem uma relação com o espelho que é um desastre.

Todo este palavreado vem a propósito de uma fotografia infame, onde eu, aí com uns 6 ou 7 meses, empunho um martelinho de plástico, enfiada dentro de um macacão de malha branco, tricotado pela minha avó Catarina "Carrapata". A minha querida mãe, e já agora acho que com a concordancia do meu paizinho, fizeram o favor de mandar o fotógrafo fazer umas 20 ou 30 cópias do dito retrato, que, até hoje, 42 anos depois, me persegue por todos albúns de familiares e gavetas atafulhadas de memórias antigas. Esta fotografia, ando cá desconfiada, encerra nela, todos os traumas e inseguranças que me assombram (às vezes...poucas vezes que eu não sou muito dada a esses "ais, uis").
Como podem comprovar, é um pesadelo, eu tinha a cabeça cheia de eczema, e estava muito longe do ideal de um bebé bonito, aliás se quiserem ser honestos (eu aprecio a honestidade) nem pareço própriamente uma criança e agora mesmo estou a ver aqui e ali um certo ar de Benjamin Button. Deplorável esta pequena jóia de família. O que teria passado pela cabeça dos meus pais!? Acharam com toda a certeza que estavam na presença da coisa mais perfeita que alguma vez alguém teria visto!


É que só pode!



Os olhos de uma mãe, são quase pecaminosamente falsários, mentirosos e a um tempo vivem nessa mesma ilusão, de que as suas crias são as mais belas. Contam tantas vezes a mesma mentira, que lá no âmago do seu ser esta transforma-se na mais perfeita das verdades.
Ainda me lembro, quando a educadora da Leonor (a mais velha), me chamou (a senhora era uma daquelas religiosas à paisana, muito recta e autoritária, com a mania que tinha Deus na barriga, quando na verdade O deveria ter no coração), muito indignada, porque a rapariguinha repetidamente apregoava ser a menina mais linda da sala. Eu ainda pensei desculpar-me "sabe, as meninas têm destas coisas, não ligue, se calhar é próprio da idade, afinal só tem 3 aninhos..." e assim...mas não gostei do tom critico, não gostei no dedo espetado direito ao meu nariz e ao meu orgulho, vai daí que "sabe Irmã...ela diz isso, porque é o que eu lhe digo todos os dias de manhã quando a acordo e à noite quando a deito", confesso que cada palavra foi desfechada com a violência de uma bofetada. Essa agora!

O que me transporta sempre, para uma estória/fábula que a minha sogra costumava contar às crianças, sobre uma cegonha que fez um pacto de paz com uma raposa e lhe disse que jamais poderia comer-lhe as crias. Ora a raposa, perguntou-lhe como poderia reconhecer os filhos dela, nunca tinha visto cegonhitos! Ao que a cegonha lhe respondeu "logo que os vires, os reconhecerás, porque são os mais belos que há neste bosque". No primeiro passeio pelo bosque, a raposa deu de caras com um ninho em cima de uma árvore frondosa, lá dentro estavam quatro pequenas aves meio peladas, feias como a noite escura e sem mais, tratou de as comer. Claro que eram os filhos da cegonha, que, para quem não sabe são umas criaturas feias de dar dó!
Voltemos então à fotografia do martelo. Eu era claramente a cegonha bebé, e só a minha santa mãe não dava por isso...

Mais tarde, já do dealbar da minha pré-adolescência, encontrei este exemplar bem emblemático da minha pessoa. Devia ter 10, 11 anos, e não há muito tempo fui dar com os meus filhos a rir às voltas desta fotografia. passavam-na de mão em mão, e a cada volta iam descobrindo naquela rapariguita espevitada, a mãe deles.
- Xi mãe! É que devias ser do píorio! Tu tás a ver bem este sorriso! Se não tinhas tramado nada, certamente estavas "com ela fitada" pra tramar!
Nesta imagem, estou de facto mais próxima do que sou. Tenho efectivamente um sorriso um bocadinho...gosto de pensar que, misterioso.

Também qual é a mulher que não gosta de pensar que é misteriosa?



ps: aquilo das deusas, foi tudo googlado, eu até sei umas coisas e assim, mas Feyja??? no way!

pss: decidi não mostrar imagens da adolescência, porque o conceito de estilo 80's poderia chocar os mais distraídos

psss: e mais recentes ainda menos, porque a focagem da Canon, é boa, mas é pouco larga...

pssss: acho que é mesmo tudo

Pic martelo: de uma qualquer gaveta de uma qualquer casa de um qualquer familiar


Pic mais crescida aqui



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Por este ano tá feito!

Já está. Afinal não doeu nada. Quer dizer...não doeu muito, ou....podia ter doído mais, é isso.
O Natal já passou. As correrias, as fitas, as luzes, os presentes de última hora " Ah merda! Esqueci-me da Tia Antónia, e ela mandou cinco euros para cada um dos gaiatos!!!!", ou " Xiiiii, a Fulana deu-e isto! O que é? Sei lá "praquéque" esta coisa serve! Olha serve de certeza pra me fazer sair de casa, no dia de hoje só pra ir aos chinas comprar a troca!!!!"....e assim.

De resto tudo calmo. Jantar na casa da sogra, Missa do Galo (com um frio do coiso que nem o calor do Senhor conseguiu aplacar), e depois rumar a casa, lareira, chocolates, esfarrapar embrulhos, por entre "ohhhhs" e "ahhhs", excepto a "piquena". A tronga da gajinha precisa de ser limada e polida! É que não se deu por satisfeita com nada, NADA...a não ser uma carteira pequenina da Hanna Montana, uma porcariazinha....Já sei, já sei, mea culpa, mea culpa.
Entretanto, enquanto tudo isto decorria, o meu excelso marido andava às voltas desde as oito da matina com um pássaro, vulgo peru, singelo....pesou a ave galiforme 16 kilitos em bruto.



Na manhã de 25, lá se levantou o homem, quase de madrugada para enfiar o animal no forno.

Chegou a hora de almoço, e com ela a famelga toda, and i mean TODA!

Os manos, cunhados, sobrinhos, pai, sogra e mais alguns chegadiços, que isto cá em casa na hora da comidinha chega sempre mais um.

A típica mesa Alentejana, muita gente, vinte e um ou vinte e dois, nem sei bem, "munto" pão, "munta" comida, "munto" tinto e gritaria a rodos.

Toda a gente a falar ao mesmo tempo.

-É pá o cozinheiro é um mestre!!!! Isto tá mesmo bom!

- Porra! Belas azeitonas! O quêjo mole é donde? Bom, mêmo bom!

- Ê quero uma perna! Oh mãe ê quero uma perna, oh mãe ê quero uma perna!

- Não querias mais nada!!!!

- Oh mãe Ê quero mais!

- Ai essa cabra anda metida com o vidente!

- Vê lá tu! Um dom! Um dom tem ela na.......

- Oh mãe ê quero a sobremesa, oh mãe, etc.....

Isto tudo, ao mesmo tempo.

Claro que houve um ou outro sopapo "Cala-te!!! O cabrão do gaiato nã se cala!!!!!" toma, um cachação. "Olha lá que estás a entornar a canja pra cima de ti, meu estupor!" toma, uma orelhada

And so on and on and on and............

Lá fora era o diluvio, o que deu azo a que a confusão de assuntos e conversas e coisas dessas se tornasse dolorosa, quase quase a roçar o limite da paciência de algumas pessoas(eu).

Finalmente, e aqui sim, com muita educação: "bora lá beber um café", traduzido à letra: "vamos lá a desamparar a loja que eu tenho mais que fazer!".

Debaixo de uma chuva bíblica, lá foi o cortejo, a correr para dentro dos vários carros, em procissão por todo o Reguengos, em busca de um café aberto no dia de Natal, ou seja, mais ou menos o mesmo que procurar uma nota de 50 euros na minha carteira (ou até de vinte....).

Depois de muito esforço, depois de duas voltas à vila (que por acaso até é cidade) lá encontrámos o tal do café aberto...a Pizzaria que fica aqui atrás de casa....
O bom da coisa é que depois desta demanda pelo café, as pessoas (quase todas as pessoas) voltaram para as suas casinhas. E agora vocês perguntam. O Bom? Mas e então quem te ajudou com as louças? E com a arrumação da casa?

Ninguém, respondo eu! Mentira, fui eu e o meu esposo, os dois side by side, cansados, sim, mas felizes da vida por ver pelas costas aquelas visitas todas.

Há quem diga que as visitas são como o peixe, ao fim do dia já cheiram mal.....verdade, oh Deus que verdade. Aliás nem precisa de chegar ao fim do dia.

Agora já passaram uns dias, até o peru já acabou, sim, porque nem preciso de vos dizer, que as refeições têm sido muito variadas, especialmente na forma, rissóis, empadão, caril, mas muito monótonas na espécie....peru.

Acabou-se o Natal! Viva o Natal.

Não ainda não acabei. Desculpem lá, mas não podia passar sem vos contar. É que recebi um presente tardio de Natal. Pois foi. Este presépio tão lindo, que curiosamente, no lugar do usual burro, tem....um porco e um galinha. Pareceu-me bem.


Quem mo ofereceu, foi uma e-friend (minha e vossa) a quem já decidi há tempos retirar o e-.

Parece então que a moçoila, fanou, limpou, subtraiu, rapou, arrebatou, ou falando português claro: roubou o dito presépio da loja.....da mãe.

Como se não bastasse, ainda me aventou com o dilema "quero ver o que vai agora fazer uma católica como tu, com um presépio roubado por uma herege como eu!"

Ora o que é que eu vou fazer?

Este ano já não vou fazer nada. Já o guardei bem guardadinho, porque a "piquena" ficou muito entusiasmada com os "bonecos", mas no próximo Natal, estará a decorar um qualquer lugar desta casa.

Essa coisa dos roubos e culpas, desculpas e assim, não é decididamente o meu departamento, mas... por sim e por não já rezei uma Avé Maria por ti. E um Pai Nosso. Mais não posso fazer, e não devolvo presentes, ainda por cima tão lindos!

Tu e Ele que se entendam!
Pics cá de casa

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

B A = BA



Isto no carro.


Ele (o rapaz)- Como é que se escreve querida em inglês? (o telemóvel a postos)


Ela (a rapariga mais velha) - Depende, há muitas palavras para o mesmo. Podes usar a que quiseres, darling, honey, sweety, baby.....


Ele - O.k......


(pausa)


Ele - O que é isto? - mostra o telemóvel à irmã (claro está sem o largar da mão dele)


Ela - My God! Handsome! Não sabes o que quer dizer? Mãe, olha-me pra esta! Está a chamar-lhe handsome!!!!!


Eu - .... ele é giro...


Ela - (muito indignada) A estúpida é da minha idade!!!! (mais dois anos que Ele, portanto)


Ele - Vão pra França e depois pra Inglaterra...diz que me vai trazer um presente....


Ela - (quase a espumar) Mas tu! Primeiro uma irmã agora a outra!!! Ao menos a primeira era da tua idade!


Ele - O que queres .... (um sorriso muito elucidativo, claramente : "que culpa tenho eu de ser tão apetecível!")


Ela - Coitadinho..... (escárnio . . . mais ou menos no tom: Morre deficiente!!! AGORA!)


Ele - Vou dizer-lhe que quando ela vier lhe ofereço um perfume...


Eu - Pois claro que ofereces! ( entre o incrédula e o enfurecida)


Ela - Mas se tu não tens nada com ela!!!!!!!!!!


Ele - Mas é o passo que preciso pra vir a ter.....


O Pai - (sorriso muito elucidativo, claramente : "o gajo faz-se!")



Pic by: um lugar qqr na net que eu n sei onde
 

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