sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O travão

A mais pequena tem professora nova.
Ao fim de três dias de aulas, um dos quais de apresentação, a professora (amiga de longa data) diz-me:

- Oh Carmo, onde está o travão da gaiata!?

Resposta fácil e imediata:

- Funciona com travão de mão, e está mais ou menos à altura das nalgas.

Pra bom entendedor...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Só isto!?



Tenho ouvido dizer, não poucas vezes, que todos temos um treinador de futebol dentro de nós (nós os que gostamos de futebol, claro), hoje, e abrindo um pouco mais o leque, atrevo-me a dizer que todos temos dentro um critico, neste caso um critico de cinema.

Vamos lá então puxar dos galões, afinal de contas toda a gente se dá ares de critico de cinema, porque não eu?

Ontem fui ao sonoro com o meu esposo. Uma fita vista numa boa sala é um coisa completamente diferente, principalmente nos dias que correm, que tantas vezes optamos por ver no sossego do lar, porque é mais barato, porque com uma dose minima de boa vontade e habilidade prá coisa, não escapa estreia nenhuma e tudo isso.

Ora ontem, como ia dizendo, lá fomos ver a fita em cartaz. Depois de causar um sururu tão grande por todo o lado, depois de tantas opiniões contraditórias, eis que chega cá à urbe o mais falado filme dos últimos meses : The Incepcion, que em Portugal numa tradução muuuuito livre se chama a origem....

A ideia base do filme é boa. Estas coisas dos mais recônditos cantinhos da mente, as memórias labirínticas, a percepção da realidade, o sonho como motor da humanidade e dos seus feitos, quer de uma forma metafórica quer de um ponto de vista mais mecânico, tudo nos envolve numa espiral de duvidas e interrogações elevadas ao infinito.

Nas entrelinhas de uma ideia, há um outro filme que a mim me pareceu mais um 007 upgraded. Muita tecnologia, muitos efeitos especiais, visuais e sonoros, muita modernidade. Atenção que eu sou fã das aventuras do agente em causa, esta avaliação não é de todo pejorativa.

No entanto, quer-me parecer que o filme em questão, merecia um bocadinho mais de "substância". Pareceu-me que alguém quis fazer um filme sério, e depois a meio teve medo, e então optou pelo caminho mais fácil, tiros, muitos tiros, perseguições e afins, que sempre servem o propósito mais ambicionado por uma grande produção cinematográfica: cash.

E no meio de tudo isto, sinto um bocado que a montanha pariu um rato. Fiquei assim com um travo a pouco na boca, e não é por um filme como este estar a ser aplaudido por meio mundo, que vou deixar de me sentir um bocadinho defraudada. Paciência.

sábado, 4 de setembro de 2010

Sacanices



Bem sei que o meu aspecto pode não ser grande coisa, bem sei que já tive melhores dias, oh e quem não teve..., mas daí até a gaiata mais nova ver em mim uma espécie de caixote do lixo, vai uma grande distância!

E nem estou a falar de um Eco ponto, nada disso, é mesmo um daqueles caixotes de lixo plásticos, sujos, com pastilhas elásticas a forrar o fundo, e papeis de rebuçados e chupas e porras colados nos lados.

A tipinha come um gelado, e a meio diz "mãe toma, já não me apetece mais." e desaparece enquanto eu lá fico com "o menino nos braços", todo derretido e a escorrer-me plos dedos até cair em pingas na saia, na blusa ou onde quer que faça mal.

A sacaninha come uma pastilha elástica, espeta-me com os papeis nas mãos e cerca de dez minutos depois reclama "isto já não sabe a nada! Queres mãe?"...já não sabe a nada, queres mãe!!!!??? "não, não quero minha querida" respondo eu controlada, mas com um leve ranger de dentes, enquanto por dentro penso "não, não quero meu estupor, e se a pusesses no buraquinho do cu!".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ai que prazer....



Chamam-lhes os "guilty pleasures". Aqueles pequenos prazeres que nos envergonhamos de confessar.

Há os que cantam as cantigas do Quim Barreiros de fio a pavio, mas é só porque "ficam no ouvido". Mentira, é porque se divertem genuinamente e despertam o "grunho" que há dentro deles.

Há os que já leram os livros todos da Margarida Rebelo Pinto e já agora do Paulo Coelho e da Inês Pedrosa, e alegam que "são levezinhos e até se levam bem". Mentira, é porque gostam da facilidade com que a mesma estorieta é debitada uma e outra vez sem espinhas.

Há os que comem trash food a toda a hora, porque "é muito mais em conta". Mentira, é mesmo porque há alturas da vida em que não há nada que chegue e uma fatia de pizza a escorrer gordura ou um hamburguer duplo atolado em molhos e batatas fritas.

Eu pelo-me por uma comédia romântica. Aqueles filmezinhos de meia-tigela que apelam ao nosso lado mel(o)dramático, e lamechas. Que nos fazem rir ou chorar com a rapidez de um formula 1, e nos invadem de uma doce nostalgia, que se prolonga muito depois dos créditos finais.

E depois há as bandas sonoras (no meu telemóvel roda o Ain't no sunshine), as quotes, as cenas que se recordam, tipo "ai, e quando ele diz que blá blá blá e depois ela responde blá blá blá, ohhhhhhhpááááááá é tão lindooooo".

Muitos deles podem até ser filmes ditos menores, podem não favorecer um certo pseudo intelectualismo muito em voga, mas honestamente estou-me a lixar!

Por exemplo, vi o Love Actually vezes sem conta, tenho o Notting Hill gravado no MEO, pra qualquer eventualidade, e ainda ontem estive a ver o Sleepless in Seatle pela . . . xa cá ver....não sei, mas também já vi este uma meia dúzia de vezes.

E é só pra que conste.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

(IN)SUSTENTABILIDADE


Na última década, esta é a palavra de ordem : Sustentabilidade.

Para todo e qualquer tema proposto, seja em que circunstância for, fica bem aflorar o conceito, nem que seja de uma forma absolutamente coloquial (quase sempre o é...)

O conceito é moderno no trato, e serve em todos os pés, ora é a sustentabilidade ambiental, ora é a sustentabilidade social e/ou cultural, ora é o Deus maior das nossas sociedades, a sustentabildade económica. Porque meus senhores, é isso e só isso que importa a quem governa. E não, não me estou a referir especificamente ao Zé, ao Manel ou ao Joaquim, estou-me a referir a eles todos juntinhos de mãos dadas.

No inicio da semana, se não estou em erro, foi anunciado o fecho definitivo de um grande número de escolas. Não quero aqui entrar em discussões sobre se é ou não viável essas escolas estarem a funcionar com tão poucos alunos, deixo isso para outros, mas quero tentar perceber como é que se pode falar e embandeirar em arco sobre a identidade de um país e blá blá blá, quando nos vão decepando aos poucos as raízes? Esta coisa toda da globalização faz-me assim uma espécie de urticaria, isto de o mundo ser uma aldeia global em que todos falamos a mesma língua, e afinamos sob o mesmo diapasão provoca em mim um involuntário torcer de nariz.

É provável que eu esteja errada, não digo que não! Mas também não abdico dos meus ideais idealistas (a redundância é propositada), pra mim o que está certo é as nossas crianças crescerem felizes e enraizadas, aprenderem os sotaques vernáculos da região onde vivem, puderem sair da cama a horas decentes, serem senhores dos seus pequenos reinos. E, acredito que os nossos governantes deveriam proporcionar-lhes isso, ainda que fosse a troco de mais um punhado de euros em professores e auxiliares, ao invés de os arrancarem da cama e da família de madrugada, para os despejarem em ambientes estranhos logo numa idade tão tenra.

Não precisamos de submarinos nem blindados. As invasões territoriais não se aplicam a este canteiro. Isto só dá trabalho, e pelo que vemos amiúde, é insustentável.


Pic: gamada por aí

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sitiados



O gato está a miar ao pé da porta da varanda.


E diz ele, "Já viste isto? Se nós nem o gato deixamos sair, quanto mais os miúdos..."


Perfeito exercício de lógica.


Ps: O cordão umbilical é de aço extensível e infinitamente duradouro.



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Vamos lá ver se a gente se entende



Há coisas que só se fazem no recato de uma porta fechada, caramba!
Exemplos?
Dar um traque, soltar um valente arroto, coçar as partes baixas, mexer nos pés, meter o dedo no nariz, limpar as orelhas, "palitar" os dentes com a lingua dando estalidos, e claroooo cortar as unhas pá!!!!
É que seja lá qual for o posto hierárquico que um pessoa tenha, não se cortam as unhas despudoradamente, sentado à secretária!
Muito menos à Sexta-Feira, que já dizia a minha avó, dá azar!
Era só.
Eu ía lanchar.
Mas já não vou.
 

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