segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Presunção e água benta...


"Oh mãe estás sempre a queixar-te das notas, mas eu explico: vê lá se entendes que eu sou intelectualmente perfeita! Mas tanto tanto tanto, que este tanto não cabe dentro de mim, que sou assim pequena e baixa, e transborda.

... e é só por isso que não consigo ser melhor. "


Palavras da mais velha.

Há gente que tem uma lata...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Oásis

O facto de viver no interior, mais precisamente no plácido Alentejo, não é só por si sinónimo de ter uma vida sossegada.
Lá em casa, com três gaiatos, marido e gata, a coisa não é simples. Muita testosterona destilada, muita tpm, muitas birras ainda e claro muitos miados.
E há ainda as coreografias que acompanham o som ambiente. Um bater de pé aqui, uns braços que se cruzam em ânsias ali, uma mão na anca em descarado despique e por aí adiante. Coisa animada, acreditem.
No meio de tudo isto não é fácil manter um nível de concentração saudável. Daí que tenha que ler na casa de banho, onde NINGUÉM tem ordem de me incomodar, e mesmo o simples acto de fazer almoço e jantar tem que ser executado a portas fechadas sob pena de deixar queimar o assado ou literalmente ficar o caldo entornado.
Como se tudo isto não fosse mais que suficiente para alimentar calóricamente o meu processo de envelhecimento, eis que a mais velha me apareceu a casa com outro gato. Olha mãe foi a prof de Psicologia que deu. Olha filha e se a prof de Psicologia fosse coitar outra!
No entanto, há sempre uma luz no meio da escuridão. O Tomate, nome do gato novo, é mudo meus senhores. O pobre do animal não emite um único som. Encontrei o meu oásis no meio daquela selva (sim também há oásis nas selvas): o Tomate. Perto dele o frenesim da casa esfuma-se.
Quer dizer... se não contarmos com o "pequeno" problema de flatulência que já lhe diagnosticámos, o Tomate é o gato perfeito.


Pic by: Leonor

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sho(R)t Cake



Isto de ter filhos tem que se lhe diga, e que o diga quem os tem.

Chega a uma certa altura da nossa/deles vida em que é necessário começar a cortar amarras, ir dando aqui e ali um voto de confiança. Desde já devo dizer que sou um bocado avessa a cortar seja o que for. Não sou propriamente aquilo a que se chama mãe galinha, sou muito mais uma espécie de mãe tirana. À pergunta, posso?, apetece-me sempre responder com um redondo não, e se não o faço mais vezes é porque ando a trabalhar num certo auto-controle que já percebi tenho que ter.

Ora na semana passada, o rapaz, pediu-me para ir à festa do Halloween, que era Sexta-Feira à noite, que era organizada pelos finalistas da escola, que ia com uns amigos, que certamente se ia portar bem, etc.

Achei que era melhor engolir o não, e lá lhe disse que sim senhor podia ir à festa. Que sim senhor podia chegar um bocadinho mais tarde, tipo duas da manhã, que não bebesse, que se portasse bem, e coise.

Chegada a Sexta-Feira o rapaz lá se aperaltou todo, roupa a estrear - fico bem?, estou o máximo, não estou? (sim, não é lá grande coisa em termos de modéstia...), e toca de ir prá festa.

Saiu de casa por volta das 11 da noite. O rapaz que não tem ainda os 15 anos feitos, é bom que se diga, e que as poucas vezes que sai, entra sempre às 11 e meia em ponto.

Levou a chave, muito inchado porque iria chegar a casa com o pessoal todo a dormir, a irmã mais velha nem sequer lhe apeteceu ir à dita festa.

Estava eu já "amandada" pra cima do meu sofá. A pequena a dormir, a mais velha a ler no quarto, o pai ainda a trabalhar, o relógio da sala marcava as exactas 12.22, assim mesmo, meia noite e vinte e dois minutos, a chave na porta. Uma tentativa, depois outra, uma terceira e abre-te sésamo. Já chegaste?? (eu incrédula), mmas pouco passa da meia noite! Eu a falar a caminho das escadas. Lá em baixo o rapaz despedia-se dos companheiros, assim um bocado a despachar (achei eu), espetou com a porta na cara de uma miúda que estava à espera de uma despedida mais elaborada coitada, e subiu as escadas a correr. Que sim, que estava giro, mas aborrecido, que não se fazia lá nada, que...e desatou a correr prá casa de banho. A próxima imagem que tenho é dele a "rezar", cabeça enfiada na sanita a despejar os restos de Haaloween. Oh pai, chega cá abaixo que isto é departamento teu. O pai veio. Foi buscar a máquina fotográfica e tratou de deixar para a posteridade a primeira bebedeira do filho. - homem que é homem aguenta firme, e voltou para o trabalho. Entre um vómito e outro, ainda teve tempo de mandar ao pai um olhar de ódio. Nessa noite houve mais duas rondas à casa de banho, parece que a festa teve encores, tipo só mais um, só mais um, só mais um.

O rapazote esteve menos de hora e meia na festa e bebeu dois shots e duas cervejas, o rapazote que não pode com um gato pelo rabo e outras coisas que não digo.

Mas pronto, não houve gritos (nem sei como), nem zangas.

Por minha vontade não põe os pés noutra festa antes dos 25 anos. O pai com a manais das condescendências acha que ele deve ir já na próxima, só pra ver o desfecho.

Na manhã seguinte, toca a levantar às 7 da manhã que era dia de acampamento. Levantou-se aos ziguezagues, tentou engolir o pequeno almoço e novo contra-relógio para a casa de banho!

Cara lavada, branco a fazer jus ao dia das bruxas, implorou-me: mãe fala com o chefe pra não apertar muito comigo hoje faxavôr, é que não me sinto lá muito bem. Tá bem meu amor.

Entreguei os três gaiatos, fardados e de mochilas às costas, claro chamei o chefe Nuno dos pioneiros para um pequeno à parte. Nuno, tu vê lá que ele está em processo de crescimento aperta com ele faxavôr.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Choque


Há dias que uma pessoa o melhor que fazia era arranjar uma dor de barriga, e ficar em casa arrecadada.

Esta manhã fui com os dois mais novos caminho de Évora, para consultas de rotina e exames e porras que não interessam agora pró caso.

O galarote do gaiato, sentado ao meu lado, armado aos cucos, foi o caminho todo: vai mais depressa, já é tardíssimo, devíamos ter vindo mais cedo, é sempre a mesma coisa. E por aí adiante.

Eu lá fui fazendo ouvidos de mercador. Olhos postos no trânsito, e ouvidos no cd do Glee, cantarolando alegremente.

Chegados à cidade, outra vez a conversa: xiii olha lá as horas, estamos atrasadíssimos, vai mais depressa.

Neste momento, e àquela hora, até mesmo em Évora há bichas, coisas pequenas é certo, mas que nos obrigam a andar mais devagar principalmente na entrada das milhentas rotundas que fizeram nos acessos ao centro da cidade.

Vai daí que eu já estava a azedar, e viro-me pra lhe dizer que fazia melhor em estar caladinho, e truz!

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espetei-me no veiculo da frente (gosto desta terminologia GNRistica, de veículo).

Vá lá, vá lá que a coisa até não correu pior. É que nem uma esfoladela em nenhuma das viaturas (outra vez a mesma terminologia-viaturas). Parei, como é da praxe, desci do carro, eu e mais o ocupante do veiculo da frente, lá observámos cuidadosamente, e o senhor, então minha senhora, de braços abertos como quem diz, então minha grande azelha, e eu, desculpe, distraí-me por um segundo, mas olhe não foi nada, tá a ver. Ele olhou outra vez, desconfiado, e lá assentiu.

Pronto. Toca a seguir viagem.

E o galarito mal entro, ponho o cinto e fecho a porta: então isso foi o quê? tem que haver mais atenção não é? - muito sério e compenetrado.

Apeteceu-me parar outra vez a "viatura" e sová-lo ali mesmo, mas só consegui articular: - Tu pára imediatamente de ser......homem!

Só depois me apercebi que já era tarde. Ele já é uma espécie de homem, já é um bocadinho mais que um girino, e triste fado, já lá tem tudinho o que um homem tem. Aquelas palavras especiais nos piores momentos, aquele dom para arreliar.

Não perdeu pela demora a amostra de gente. Mal chegámos ao consultório, que aliás estava apinhado de gente, e só assim em jeito de demonstração de força, atirei: - Querido, se quiseres ir fazer xixi vai agora.

Um homem não faz xixi, mija. Olhou-me de esguelha e riu-se. O cabrãozinho é esperto.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Sopa

Hoje não se trata de culinária.

Só venho apresentar-vos a nova inquilina cá de casa.

É a Sopa. A mini-gata.

Desde já passo a explicar, que o nome nasceu da necessidade de o gato Rex molhar o pão....na sopa. Coitado do gato que andava tão a perigo que um dia, há já longos 15 dias, não sei como, porque as medidas de segurança eram tão apertadas (pelo menos tendemos sempre a pensar que sim, pobres de nós), desapareceu para não mais voltar. Ora o gato, que era um siamês armado aos cucos cheio de mimos e escasso em recursos para encarar o mundo la fora, tenho a certeza, a esta hora estará a atapetar uma qualquer estrada das redondezas (e um rico tapete que ele dava com aquela pelagem tão lavadinha e suave e macia e chuif chuif tenho tantas saudades do órdinário do gato que preferiu a "liberdade/morte certa" ao regaço da família, estupido idealista).

Pronto, agora deixámo-nos de falsas burguesias e fomos buscar a Sopa. A Sopa não tem pedigree de espécie alguma, é uma cat-street à séria. A Sopa é um animal convenientemente preparado para a crise em curso. A Sopa não consome comida de gato, porque não gosta, e come tudo o resto como se não houvesse amanhã. A Sopa tem garra e luta por uma batata frita. A Sopa não está pra brincadeiras no que respeita à barriguinha, aliás, até nós, já estamos no papo.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

É por estas e por outras.....



....que depois a malta não tem uma impressão muito boa deles.


Acho que já mencionei que vivo no Alentejo. No Alentejo onde a vida é calma, sem engarrafamentos, que não sejam uns quantos tractores no meio da estrada, sem filas de trânsito, a não ser na hora de deixar ou apanhar os miúdos na escola, que também é só uma para cada ciclo, sem stresses de maior, excepto a carga de trabalhos que é uma pessoa levantar-se da cama, enfim, não será o paraíso, mas é um descanso de vida.

Ontem à noite, eis que, por volta da hora de jantar, os meus "vizinhos" de toda uma vida (uma comunidade cigana que vive numa espécie de aldeia ali a menos de um km da minha casa; uma aldeia feita de propósito e à medida para eles pela autarquia) desataram aos tiros! E meus senhores, não foi um tiro nem dois. Foi um tiroteio. Ainda pensei "queres ver que alguém está a ver um filme de cowboys a esta hora e ainda por cima alto e bom som!". Mas não. Eram tiros, uns atrás dos outros. Lá recolhi os gaiatos para a cozinha, que fica mais longe das janelas da frente, não fosse o Diabo tecê-las, até a coisa acalmar.

Ao que parece tratou-se de uma peleja familiar. E estes "amigos", não estão com meias medidas, aiiiiii tás-me a chatear, pera lá que vou ali buscar a caçadeira de canos cerrados e dou três tiros pró ar q'até te borras todo...aiiiiiiiii.

Mas pronto, isto tudo dentro da maior das legalidades. Até porque calculo que eles tenham licenças de porte para todas as armas que dispararam, e prás outras que dão aos miúdos pra brincar e ainda prás que estão debaixo do colchão.

Foi uma noite diferente, deu direito a Levitan pelas goelas abaixo e tudo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Empreendedorismo



Fui à ortodontista com o meu filho. O rapaz tem os dentes todos tortos (todos temos lá em casa). Nem sequer foi bem uma consulta. " Veja la, Drª o que o rapaz precisa e quanto custa". Assim mesmo curto e grosso. A resposta veio na devida proporção " 850€ para baixo, 850€ para cima, mais as extracções que vão ser inevitáveis, e as consultas mensais enquanto usar o aparelho"...."ahh e tem que fazer estas radiografias panorâmicas. Com comparticipação, só mesmo em Lisboa, aqui em baixo não fazem, anda na ordem dos 70€ as duas".

Saí de lá perfeitamente elucidada. Falei com o meu marido, e parece que a única possibilidade de o rapaz pôr aparelho nos próximos meses, é mesmo eu e o pai abrirmos um negócio paralelo qualquer....uma coisa que renda bem e que não seja preciso uma pessoa colectar-se.

Assim de repente só me lembro mesmo de uma coisa...
 

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