sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sexo

élá!!!!


exactamente! hoje é isto, e explícito!


Não consigo transcrever o enfado com que os dois mais velhos recebem as aulas de educação sexual. Como toda a gente que sabe, quando se tem determinada idade a malta pensa mesmo que sabe tudo, e não precisa saber mais.

(eu, que já estou a fazer o caminho de volta, também já tendo a pensar assim)

As minhas abordagens a este tema com os miúdos, não são de forma alguma exemplares. A coisa passa mais por ir largando bombas, na maior parte das vezes com um cariz mais para o irónico e tal. Tenho as minhas próprias correntes, as minhas próprias camisas de forças que me foram vestidas de pequenina e que eu fui apertando com o correr dos anos. A diferença é que sei que existem esses condicionantes. Sou uma bota de elástico, admito, e apesar das minhas guerrilhas, este é um tema difícil. Há quem fale muito abertamente dos factos, coloque na mesa todas as cartas, até admiro esse tipo de conduta, mas decididamente para mim não.

Provavelmente há em mim uma série de puritanismos que me impele a agir de determinada maneira, sempre tentei incutir tanto na rapariga como no rapaz o respeito pelo corpo como um templo que é, e o respeito também pelo outro.

Claro que dito assim parece mais uma aula de catequese do século passado, mas, há sempre um mas, há momentos em que é preciso usar de alguma seriedade.

Coisa que não acontece a maior parte do tempo...

Para mim seria impensável andar a sondar o pessoal sobre as suas experiências "fisicas", é óbvio que me preocupa, por tudo o que daí pode resultar e em última análise por um ciume visceral impossível de reprimir, mas deixemos isso.

Ontem lá vinha a mais velha completamente injuriada da aula de ES. O tema "a homossexualidade". A rapariga vinha a bufar de raiva, desconsolada com tudo o que lá tinha ouvido pela boca dos seus colegas rapazes e raparigas, pérolas do tipo "é uma doença", "é uma doença contagiosa", "eu não concordo com os homossexuais" e por aí adiante.

Cá dentro fiquei a abarrotar de orgulho pela reacção dela, pela inteligência que a impede de confundir crenças religiosas e liberdades pessoais. Pensei que talvez eu tenha tido parte na formação daquela opinião vincada, talvez haja ali um dedinho meu naquela quase mulher que empina o nariz e fala e acima de tudo pensa.

Depois conversa puxa conversa, veio o estigma da gravidez na adolescência à baila, e ele, o rapaz, perguntou-me no gozo se eu o ajudava a criar o filho que esperava. Lá lhe disse que quem os fizer que o crie, e que para fazer filhos é preciso saber como, onde é pra encaixar a peça e etc. Perante as gargalhadas da irmã e não querendo ficar mal na fotografia, a resposta veio rápida, que ela (a consorte) não se tinha queixado muito apesar das dimensões fora do comum do seu membro viril e blá blá blá...

Então perante tal informação perguntei-lhe: quem é que não se queixou? a direita ou a esquerda?

Ficou de boca aberta, o quê? agora não percebi...



PS: roubei a ideia do titulo ao Salvador, até porque hoje de manhã quando aqui cheguei três dos meus seguidores tinham dado ares de Vila Diogo, ou de frosques como quiserem, e isso deixou-me um bocadinho magoada.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Incompetências


Ontem, reunião escolar intercalar do rapaz.

Em quase nove anos de vida académica, mais os três de treino na pré, foi a primeira vez que ouvi a melodia tão ansiada e constantemente adiada: o rapaz tem apresentado melhorias ao nível do comportamento que são assinaláveis, já não chora e mesmo o professor x e a professora y, que já o conheciam de outros anos, estão muito surpreendidos blá blá, e o aproveitamento é também reflexo dessa melhoria blá blá.

Nem sei se foi bom o que ouvi. A sério! Fiquei de pé atrás, não há como não ficar. Uma tradição não se quebra assim num abrir e fechar de olhos de dois mesitos, hummm o gaijo deve andar prá tramar...

No outro lado da sala, a mãe do aluno mais brilhante do grupo, o mais brilhante desde sempre, e a todas as matérias; ouve da Directora de Turma que o filho tinha descido um pouco as notas, e que provavelmente haveria alguma coisa que o andaria a perturbar blá blá. A mãe de imediato respondeu que sim, que tinha havido um motivo, mas que já tinha sido identificado e resolvido ponto final.

E foi neste momento que uma parede me caiu em cima. Não literalmente, calma! Mas houve ali um clique. Então eu ando há 9+3 anos a ouvir a mesma música uma e outra vez, vou pra casa num pranto depois de cada reunião, grito que faço e que aconteço e que nunca mais, de dedo e braço em riste, e tudo, e depois vem uma tipa destas e assim com um sorriso Giocondico, uma voz compassada e sem admitir mas; vem esta fulana dizia eu, apregoar que detectou o problema e até o resolveu e está!?

Mas que merda de mãe sou eu!?

Uma pessoa vai, até ouve coisas boas do nosso educando e tudo, e depois toma lá que já almoçaste! Vê se pões aqui os olhinhos filha! Que deve ter sido mais ou menos o que a mãe em questão pensou. De mim e das outras otárias todas que lá estavam a salivar perante tanta competência numa só criatura.

Nestas alturas tenho vontade de ser violenta, e é aí que penso resignada que as crianças não saem às pedras...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quentes e Broas

Hoje é dia de S. Martinho. Dia de, diz o povo, ir à adega e provar o vinho.

É um daqueles dias em que sou acometida de uma certa nostalgia do antigamente. Verdade!

Neste dia, há alguns anos atrás, ao fim da tarde, depois do dia de trabalho, os homens enchiam as adegas, e muitos copos de vinho depois, enchiam as ruas de cantigas. A malta da escola, também se armava aos cucos e atrevia-se a entrar em duas ou três tascas pra molhar o bico e petiscar um chouriço assado ou umas azeitonas pisadas bem temperadas de oregãos.

Hoje a coisa é mais na base da "Festa da Castanha - com o Dj xxx, madrugada fora" e coise...

Lembrei-me de um texto que escrevi no Meldevespas, há já três anos, e que conta algumas coisinhas desses tempos idos, na então vila agora cidade de Reguengos de Monsaraz. Vão lá dar uma espreitadela faxavôr.

E como as tascas acabaram, as cantigas estão esquecidas, e a idade não perdoa, deixo-vos aqui uma receita, que vai bem com um vinho licoroso, mas também não se esquiva a um tintinho robusto, ou até quem sabe um copinho de água pé.

No meu caso acompanhei com chá e um livro, porque tenho "mau vinho" e não estou pra vir práqui fazer figuras tristes:


Broas de Cheiro


Ingredientes:


-Raspa de 2 tangerinas

-70 g de açúcar mascavado

-80 g de manteiga s/sal amolecida

-4 colheres de sopa de mel

-200g de farinha

-1 ovo

-1 colher chá de fermento

-1 colher café de canela

-1 colher café gengibre

- 150 g chocolate branco


A forma de fazer é sempre a mesma. Bater a manteiga com o açúcar e o mel, juntar o ovo e a raspa das tangerinas, em seguida envolver os ingredientes secos já sem bater e por fim o chocolate partido aos pedacinhos.

Fazer umas bolinhas do tamanho de uma noz, polvilhar com canela e levar ao forno previamente aquecido.
A consumir sem moderação.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Presunção e água benta...


"Oh mãe estás sempre a queixar-te das notas, mas eu explico: vê lá se entendes que eu sou intelectualmente perfeita! Mas tanto tanto tanto, que este tanto não cabe dentro de mim, que sou assim pequena e baixa, e transborda.

... e é só por isso que não consigo ser melhor. "


Palavras da mais velha.

Há gente que tem uma lata...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Oásis

O facto de viver no interior, mais precisamente no plácido Alentejo, não é só por si sinónimo de ter uma vida sossegada.
Lá em casa, com três gaiatos, marido e gata, a coisa não é simples. Muita testosterona destilada, muita tpm, muitas birras ainda e claro muitos miados.
E há ainda as coreografias que acompanham o som ambiente. Um bater de pé aqui, uns braços que se cruzam em ânsias ali, uma mão na anca em descarado despique e por aí adiante. Coisa animada, acreditem.
No meio de tudo isto não é fácil manter um nível de concentração saudável. Daí que tenha que ler na casa de banho, onde NINGUÉM tem ordem de me incomodar, e mesmo o simples acto de fazer almoço e jantar tem que ser executado a portas fechadas sob pena de deixar queimar o assado ou literalmente ficar o caldo entornado.
Como se tudo isto não fosse mais que suficiente para alimentar calóricamente o meu processo de envelhecimento, eis que a mais velha me apareceu a casa com outro gato. Olha mãe foi a prof de Psicologia que deu. Olha filha e se a prof de Psicologia fosse coitar outra!
No entanto, há sempre uma luz no meio da escuridão. O Tomate, nome do gato novo, é mudo meus senhores. O pobre do animal não emite um único som. Encontrei o meu oásis no meio daquela selva (sim também há oásis nas selvas): o Tomate. Perto dele o frenesim da casa esfuma-se.
Quer dizer... se não contarmos com o "pequeno" problema de flatulência que já lhe diagnosticámos, o Tomate é o gato perfeito.


Pic by: Leonor

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sho(R)t Cake



Isto de ter filhos tem que se lhe diga, e que o diga quem os tem.

Chega a uma certa altura da nossa/deles vida em que é necessário começar a cortar amarras, ir dando aqui e ali um voto de confiança. Desde já devo dizer que sou um bocado avessa a cortar seja o que for. Não sou propriamente aquilo a que se chama mãe galinha, sou muito mais uma espécie de mãe tirana. À pergunta, posso?, apetece-me sempre responder com um redondo não, e se não o faço mais vezes é porque ando a trabalhar num certo auto-controle que já percebi tenho que ter.

Ora na semana passada, o rapaz, pediu-me para ir à festa do Halloween, que era Sexta-Feira à noite, que era organizada pelos finalistas da escola, que ia com uns amigos, que certamente se ia portar bem, etc.

Achei que era melhor engolir o não, e lá lhe disse que sim senhor podia ir à festa. Que sim senhor podia chegar um bocadinho mais tarde, tipo duas da manhã, que não bebesse, que se portasse bem, e coise.

Chegada a Sexta-Feira o rapaz lá se aperaltou todo, roupa a estrear - fico bem?, estou o máximo, não estou? (sim, não é lá grande coisa em termos de modéstia...), e toca de ir prá festa.

Saiu de casa por volta das 11 da noite. O rapaz que não tem ainda os 15 anos feitos, é bom que se diga, e que as poucas vezes que sai, entra sempre às 11 e meia em ponto.

Levou a chave, muito inchado porque iria chegar a casa com o pessoal todo a dormir, a irmã mais velha nem sequer lhe apeteceu ir à dita festa.

Estava eu já "amandada" pra cima do meu sofá. A pequena a dormir, a mais velha a ler no quarto, o pai ainda a trabalhar, o relógio da sala marcava as exactas 12.22, assim mesmo, meia noite e vinte e dois minutos, a chave na porta. Uma tentativa, depois outra, uma terceira e abre-te sésamo. Já chegaste?? (eu incrédula), mmas pouco passa da meia noite! Eu a falar a caminho das escadas. Lá em baixo o rapaz despedia-se dos companheiros, assim um bocado a despachar (achei eu), espetou com a porta na cara de uma miúda que estava à espera de uma despedida mais elaborada coitada, e subiu as escadas a correr. Que sim, que estava giro, mas aborrecido, que não se fazia lá nada, que...e desatou a correr prá casa de banho. A próxima imagem que tenho é dele a "rezar", cabeça enfiada na sanita a despejar os restos de Haaloween. Oh pai, chega cá abaixo que isto é departamento teu. O pai veio. Foi buscar a máquina fotográfica e tratou de deixar para a posteridade a primeira bebedeira do filho. - homem que é homem aguenta firme, e voltou para o trabalho. Entre um vómito e outro, ainda teve tempo de mandar ao pai um olhar de ódio. Nessa noite houve mais duas rondas à casa de banho, parece que a festa teve encores, tipo só mais um, só mais um, só mais um.

O rapazote esteve menos de hora e meia na festa e bebeu dois shots e duas cervejas, o rapazote que não pode com um gato pelo rabo e outras coisas que não digo.

Mas pronto, não houve gritos (nem sei como), nem zangas.

Por minha vontade não põe os pés noutra festa antes dos 25 anos. O pai com a manais das condescendências acha que ele deve ir já na próxima, só pra ver o desfecho.

Na manhã seguinte, toca a levantar às 7 da manhã que era dia de acampamento. Levantou-se aos ziguezagues, tentou engolir o pequeno almoço e novo contra-relógio para a casa de banho!

Cara lavada, branco a fazer jus ao dia das bruxas, implorou-me: mãe fala com o chefe pra não apertar muito comigo hoje faxavôr, é que não me sinto lá muito bem. Tá bem meu amor.

Entreguei os três gaiatos, fardados e de mochilas às costas, claro chamei o chefe Nuno dos pioneiros para um pequeno à parte. Nuno, tu vê lá que ele está em processo de crescimento aperta com ele faxavôr.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Choque


Há dias que uma pessoa o melhor que fazia era arranjar uma dor de barriga, e ficar em casa arrecadada.

Esta manhã fui com os dois mais novos caminho de Évora, para consultas de rotina e exames e porras que não interessam agora pró caso.

O galarote do gaiato, sentado ao meu lado, armado aos cucos, foi o caminho todo: vai mais depressa, já é tardíssimo, devíamos ter vindo mais cedo, é sempre a mesma coisa. E por aí adiante.

Eu lá fui fazendo ouvidos de mercador. Olhos postos no trânsito, e ouvidos no cd do Glee, cantarolando alegremente.

Chegados à cidade, outra vez a conversa: xiii olha lá as horas, estamos atrasadíssimos, vai mais depressa.

Neste momento, e àquela hora, até mesmo em Évora há bichas, coisas pequenas é certo, mas que nos obrigam a andar mais devagar principalmente na entrada das milhentas rotundas que fizeram nos acessos ao centro da cidade.

Vai daí que eu já estava a azedar, e viro-me pra lhe dizer que fazia melhor em estar caladinho, e truz!

....

....


espetei-me no veiculo da frente (gosto desta terminologia GNRistica, de veículo).

Vá lá, vá lá que a coisa até não correu pior. É que nem uma esfoladela em nenhuma das viaturas (outra vez a mesma terminologia-viaturas). Parei, como é da praxe, desci do carro, eu e mais o ocupante do veiculo da frente, lá observámos cuidadosamente, e o senhor, então minha senhora, de braços abertos como quem diz, então minha grande azelha, e eu, desculpe, distraí-me por um segundo, mas olhe não foi nada, tá a ver. Ele olhou outra vez, desconfiado, e lá assentiu.

Pronto. Toca a seguir viagem.

E o galarito mal entro, ponho o cinto e fecho a porta: então isso foi o quê? tem que haver mais atenção não é? - muito sério e compenetrado.

Apeteceu-me parar outra vez a "viatura" e sová-lo ali mesmo, mas só consegui articular: - Tu pára imediatamente de ser......homem!

Só depois me apercebi que já era tarde. Ele já é uma espécie de homem, já é um bocadinho mais que um girino, e triste fado, já lá tem tudinho o que um homem tem. Aquelas palavras especiais nos piores momentos, aquele dom para arreliar.

Não perdeu pela demora a amostra de gente. Mal chegámos ao consultório, que aliás estava apinhado de gente, e só assim em jeito de demonstração de força, atirei: - Querido, se quiseres ir fazer xixi vai agora.

Um homem não faz xixi, mija. Olhou-me de esguelha e riu-se. O cabrãozinho é esperto.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Sopa

Hoje não se trata de culinária.

Só venho apresentar-vos a nova inquilina cá de casa.

É a Sopa. A mini-gata.

Desde já passo a explicar, que o nome nasceu da necessidade de o gato Rex molhar o pão....na sopa. Coitado do gato que andava tão a perigo que um dia, há já longos 15 dias, não sei como, porque as medidas de segurança eram tão apertadas (pelo menos tendemos sempre a pensar que sim, pobres de nós), desapareceu para não mais voltar. Ora o gato, que era um siamês armado aos cucos cheio de mimos e escasso em recursos para encarar o mundo la fora, tenho a certeza, a esta hora estará a atapetar uma qualquer estrada das redondezas (e um rico tapete que ele dava com aquela pelagem tão lavadinha e suave e macia e chuif chuif tenho tantas saudades do órdinário do gato que preferiu a "liberdade/morte certa" ao regaço da família, estupido idealista).

Pronto, agora deixámo-nos de falsas burguesias e fomos buscar a Sopa. A Sopa não tem pedigree de espécie alguma, é uma cat-street à séria. A Sopa é um animal convenientemente preparado para a crise em curso. A Sopa não consome comida de gato, porque não gosta, e come tudo o resto como se não houvesse amanhã. A Sopa tem garra e luta por uma batata frita. A Sopa não está pra brincadeiras no que respeita à barriguinha, aliás, até nós, já estamos no papo.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

É por estas e por outras.....



....que depois a malta não tem uma impressão muito boa deles.


Acho que já mencionei que vivo no Alentejo. No Alentejo onde a vida é calma, sem engarrafamentos, que não sejam uns quantos tractores no meio da estrada, sem filas de trânsito, a não ser na hora de deixar ou apanhar os miúdos na escola, que também é só uma para cada ciclo, sem stresses de maior, excepto a carga de trabalhos que é uma pessoa levantar-se da cama, enfim, não será o paraíso, mas é um descanso de vida.

Ontem à noite, eis que, por volta da hora de jantar, os meus "vizinhos" de toda uma vida (uma comunidade cigana que vive numa espécie de aldeia ali a menos de um km da minha casa; uma aldeia feita de propósito e à medida para eles pela autarquia) desataram aos tiros! E meus senhores, não foi um tiro nem dois. Foi um tiroteio. Ainda pensei "queres ver que alguém está a ver um filme de cowboys a esta hora e ainda por cima alto e bom som!". Mas não. Eram tiros, uns atrás dos outros. Lá recolhi os gaiatos para a cozinha, que fica mais longe das janelas da frente, não fosse o Diabo tecê-las, até a coisa acalmar.

Ao que parece tratou-se de uma peleja familiar. E estes "amigos", não estão com meias medidas, aiiiiii tás-me a chatear, pera lá que vou ali buscar a caçadeira de canos cerrados e dou três tiros pró ar q'até te borras todo...aiiiiiiiii.

Mas pronto, isto tudo dentro da maior das legalidades. Até porque calculo que eles tenham licenças de porte para todas as armas que dispararam, e prás outras que dão aos miúdos pra brincar e ainda prás que estão debaixo do colchão.

Foi uma noite diferente, deu direito a Levitan pelas goelas abaixo e tudo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Empreendedorismo



Fui à ortodontista com o meu filho. O rapaz tem os dentes todos tortos (todos temos lá em casa). Nem sequer foi bem uma consulta. " Veja la, Drª o que o rapaz precisa e quanto custa". Assim mesmo curto e grosso. A resposta veio na devida proporção " 850€ para baixo, 850€ para cima, mais as extracções que vão ser inevitáveis, e as consultas mensais enquanto usar o aparelho"...."ahh e tem que fazer estas radiografias panorâmicas. Com comparticipação, só mesmo em Lisboa, aqui em baixo não fazem, anda na ordem dos 70€ as duas".

Saí de lá perfeitamente elucidada. Falei com o meu marido, e parece que a única possibilidade de o rapaz pôr aparelho nos próximos meses, é mesmo eu e o pai abrirmos um negócio paralelo qualquer....uma coisa que renda bem e que não seja preciso uma pessoa colectar-se.

Assim de repente só me lembro mesmo de uma coisa...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Fé

é uma coisa muito séria, subvalorizada, e ao que dizem, nem que seja metafóricamente, move montanhas.


Pode ser que seja de mim, que sim, sou uma pessoa crédula e crente, mas acho que este ciclo todo sem fé, é assim uma coisa insossa.


Fé nos homens, ou em Deus, fé em nós e nas nossas capacidades.


Claro que a fé é o cordão umbilical da religião, fale ela a língua que falar, e isso não é impeditivo de ser também o motor, a turbina que faz andar em frente.


Não sou muito de baixar os braços, ou entregar os pontos, mas às vezes também calha. Confesso que não acho grande piada ao desfiar de queixumes diários de causalidades diversas, provavelmente vivo um bocado pelo lema do grande chefe gaulês da aldeia de Astérix, só tenho medo que o mundo me caia em cima da cabeça, mas amanha não será a véspera desse dia. Seja como for, sou uma pessoa de fé. Serei uma ingénua simplória de marca maior, mas seja.


Até porque neste território misterioso da fé, há muito que se lhe diga. Não é fácil acreditar. Já ninguém acredita, nem espera nada. Acho mesmo, que muitas vezes é preciso ter tomates para sequer admitir que se acredita, sob pena de se ser considerado desprovido de inteligência.

"E eu expliquei ao João, se Deus existisse já me tinha lançado um raio em cima porque estou a mandar bocas contra ele.(...)Onde esta Deus no meio disto tudo? é melhor que não exista. Porque se existir, então é um filho da puta. O João fugiu, tapando os ouvidos, com medo de ouvir mais heresias. (...) mas eram mesmo só bocas. Depois fui esconder-me para rezar e pedir perdão a Jesus Cristo pelas blasfémias proferidas. " Pepetela, in O Planalto e a Estepe
fé (latim fides, -ei)
s. f.
1. Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.
2. Testemunho autêntico dado por oficial de justiça.
3. Fidelidade.
4. Prova.
5. Crença

domingo, 3 de outubro de 2010

Vintage


Parece ser cada vez mais um conceito na moda. Vintage.

Agora a questão é, o que e mesmo ser vintage? , ou melhor, qual é a diferença entre velho e vintage?

Se estivermos a falar de um bom vinho, a coisa percebe-se, especialmente se for um vinho que saiba envelhecer, sim porque há alguns que nascem pra ser jovens e finam-se pouco depois. Se se tratar de uma bolsa, ou de um vestido, também acho que consigo identificar o gene vintage. Uma determinada estampagem, ou corte, uma determinada frase, a evocação de um qualquer ícone já morto e enterrado, as incontornáveis pin-ups. Na música, por exemplo, também não é difícil! Há uma certa sonorização que nos catapulta para o conceito sem espinhas, a voz do Sinatra, do Gene Kelly, da Judy Garland, do Nat King Cole ou uma dança do Fred e da Ginger...

Agora o que me inquieta é saber se uma pessoa também pode ser vintage, quer dizer, uma pessoa viva e que não seja, nem tenha aspirações a ser ícone de espécie nenhuma. E uma dúvida que me assola, a sério!

Por exemplo, sabes que estas a envelhecer quando os teus filhos começam a dar desculpas para evitar a tua presença ou aparição nos lugares que frequentam. Nem que seja a porta da escola, na hora da saída. Ou quando te olham de lado quando cantas uma canção ainda mais velha que tu (ontem a tarde estava a ver The man who knew too much do Hitchcock, e não pude evitar de cantarolar em uníssono com a Doris Day o Whatever Will be, e juro que houve uns "ai meu Deus, e "o que e isto!!!", e coise, e tenho a certeza que não foi pelo facto de eu estar a cantar, mas sim por estar a cantar aquilo...). Aí tens a certeza de que já estás em outro patamar, estás a bem dizer em queda livre, pelo menos é isso que os viventes abaixo dos .... vá 25 anos pensam.

Não sei se será masoquismo da minha parte, mas até me dá um certo gozo a forma como os herdeiros me encaram. Também já lá estive, e ainda tenho alguns flashes de como olhava os "velhos". Mas voltamos ao mesmo. Conseguirei sendo viva, atingir o estatuto de vintage, e portanto de ser uma coisa velha apreciada?

Temo que o meu extremo bom feitio, seja um travão entre mim e esse objectivo...

Só por causa das coisas, e porque os dias estão a encolher e a arrefecer, e porque me apetecia qualquer coisa doce, lembrei-me de fazer uma bolachinhas, estas sim bem vintage, ou seja, as intemporais areias, velhas e charmosas, e fáceis like Sunday morning :D :

300g farinha

200g margarina derretida

100g açúcar

2 gemas

1 colher de chá de fermento em pó

1 pitada de sal

misturar tudo e com as mãos, fazer bolinhas do tamanho de nozes. Colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal, deixar um espaço de uns 2 ou 3 centímetros entre cada uma, não crescem muito, por isso nada de stresses, e esborrachar ligeiramente com um garfo de forma a fazer os risquinhos tão característicos destes bolinhos. Muito importante, ter sempre o forno pré-aquecido. Vigiar a cozedura, e retirar logo que comecem a ficar com um tom dourado. Deixar arrefecer em cima de uma grade (isto é só pra parecer uma coisa profissional...deixem arrefecer onde quiserem e se quiserem) e por fim passar cada uma por açúcar.

Esta receita rende uns 30 bolinhos. Eu fiz a dobrar.

E meus amigos, um sofá, uma caneca de chá e um punhado destes bolinhos, pode até ser um cenário velho, mas vale bem a pena.

Fotografia minha das minhas areias

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Só sei que nada sei

...ao menos esse era honesto...


Enfim, cada vez mais apenas uma certeza, como diz o poeta, "cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas".






terça-feira, 28 de setembro de 2010

De faca e alguidar


o que eu acabei de assistir agora mesmo na mercearia aqui mesmo ao lado.

(sim porque eu trabalho no fim do mundo, onde ainda há, pasme-se, mercearias)

Uma luta! E porquê? Amor meus amigos, amor, ciume, raiva e aqueles condimentos todos de que são feitos os romances de cordel que há tanto julgávamos desaparecidos da face da humanidade.

Ela entra e pede um café, enquanto espera pelo café entra ele que vem comprar o pão. Ela manda uma boca, do género "era melhor que fosses fazer a cama, desde que saí lá de casa que não mudas os lençóis", ele calado que nem um rato e ela "porco, aquilo é mesmo uma pocilga pra levares as tuas marranitas, que é o que tu queres", ele manda-a calar, curto e grosso. Ela tem um ataque de fúria súbito e joga-se-lhe à farta cabeleira (o tipo tem o cabelo pelos ombros, desgrenhado e sujo...) ele agarra-a pelos braços e deita-a ao chão, mas antes aperta-lhe o pescoço "tá quieta puta" outra vez curto e grosso, e sai porta fora. Ela fica possessa, a tossir e a estrebuchar no meio do chão "porco, cabrão, nojento, sem mim não és ninguém!!"

Depois levanta-se e acaba de beber o café "agora vai pra casa e daqui a pouco arrepende-se...., ele gosta de mim que eu sei...."

E é assim o amor, dizem eles.

Isto tudo diante de uma plateia de queixo caído....eu.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Se o mundo fosse bom....


...o dono morava nele.


É o nome (muito inspirado, diga-se) da peça de Teatro que ontem fui ver, levada a cena pelo Cendrev.

Uma peça sobre o desconcerto do mundo, como dizem os encenadores; com um mix de textos de dois dramaturgos brasileiros, Ariano Suassuna e Januario de Oliveira; e de Gil Vicente com o seu fantástico Todo o Mundo e Ninguém do Auto da Lusitânia.

Muito corrosivo, ritmado, mas acima de tudo, um balsamo para a minha pessoa. Sou perdida por teatro. Adoro todos os pormenores técnicos da colocação de voz, e dicção, e movimentos dos actores, e luzes e o contacto, e o palco.

Confesso que foi também um bocadinho nostálgico. Fiz teatro amador por mais de 10 anos (quem não fez...), e eu que não gosto muito de olhar pra trás, se olhar, é desse tempo que mais sinto saudade.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

vamos lá ver se a gente se entende



Existe uma praga, uma coisa grandiosa que se está a espalhar à rapidez da luz, as pessoas, e quando digo as pessoas, V.Exas. poderão comprovar com um tudo nada de atenção, são muitas pessoas, demais, na televisão, na rádio, nas conversas diárias, as pessoas dizia eu, teimam em pronunciar orgulhosamente e à boca cheia : PRENCIPIO.

Prencipio.....PRENCIPIO pá!

Oh Santo Deus, isto nem sequer é uma palavra, a não ser que algum iluminado apareça aí com um manifesto para esta pérola constar no dicionário.

Procurem onde quiserem, pesquisem, googlem, o que for preciso! Não encontrarão significado para esta pseudo-palavra.

O que é que vem a seguir? hein? Se isto é o PRENCIPIO, então devemos estar perto do FEM.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Loading!

Está a chover, e minha disposição muda meus amigos, fico mais leve, mais feliz, enfim estou a carregar baterias e a ganhar uma alminha nova.

Singing In The Rain (Gene Kelly)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O travão

A mais pequena tem professora nova.
Ao fim de três dias de aulas, um dos quais de apresentação, a professora (amiga de longa data) diz-me:

- Oh Carmo, onde está o travão da gaiata!?

Resposta fácil e imediata:

- Funciona com travão de mão, e está mais ou menos à altura das nalgas.

Pra bom entendedor...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Só isto!?



Tenho ouvido dizer, não poucas vezes, que todos temos um treinador de futebol dentro de nós (nós os que gostamos de futebol, claro), hoje, e abrindo um pouco mais o leque, atrevo-me a dizer que todos temos dentro um critico, neste caso um critico de cinema.

Vamos lá então puxar dos galões, afinal de contas toda a gente se dá ares de critico de cinema, porque não eu?

Ontem fui ao sonoro com o meu esposo. Uma fita vista numa boa sala é um coisa completamente diferente, principalmente nos dias que correm, que tantas vezes optamos por ver no sossego do lar, porque é mais barato, porque com uma dose minima de boa vontade e habilidade prá coisa, não escapa estreia nenhuma e tudo isso.

Ora ontem, como ia dizendo, lá fomos ver a fita em cartaz. Depois de causar um sururu tão grande por todo o lado, depois de tantas opiniões contraditórias, eis que chega cá à urbe o mais falado filme dos últimos meses : The Incepcion, que em Portugal numa tradução muuuuito livre se chama a origem....

A ideia base do filme é boa. Estas coisas dos mais recônditos cantinhos da mente, as memórias labirínticas, a percepção da realidade, o sonho como motor da humanidade e dos seus feitos, quer de uma forma metafórica quer de um ponto de vista mais mecânico, tudo nos envolve numa espiral de duvidas e interrogações elevadas ao infinito.

Nas entrelinhas de uma ideia, há um outro filme que a mim me pareceu mais um 007 upgraded. Muita tecnologia, muitos efeitos especiais, visuais e sonoros, muita modernidade. Atenção que eu sou fã das aventuras do agente em causa, esta avaliação não é de todo pejorativa.

No entanto, quer-me parecer que o filme em questão, merecia um bocadinho mais de "substância". Pareceu-me que alguém quis fazer um filme sério, e depois a meio teve medo, e então optou pelo caminho mais fácil, tiros, muitos tiros, perseguições e afins, que sempre servem o propósito mais ambicionado por uma grande produção cinematográfica: cash.

E no meio de tudo isto, sinto um bocado que a montanha pariu um rato. Fiquei assim com um travo a pouco na boca, e não é por um filme como este estar a ser aplaudido por meio mundo, que vou deixar de me sentir um bocadinho defraudada. Paciência.

sábado, 4 de setembro de 2010

Sacanices



Bem sei que o meu aspecto pode não ser grande coisa, bem sei que já tive melhores dias, oh e quem não teve..., mas daí até a gaiata mais nova ver em mim uma espécie de caixote do lixo, vai uma grande distância!

E nem estou a falar de um Eco ponto, nada disso, é mesmo um daqueles caixotes de lixo plásticos, sujos, com pastilhas elásticas a forrar o fundo, e papeis de rebuçados e chupas e porras colados nos lados.

A tipinha come um gelado, e a meio diz "mãe toma, já não me apetece mais." e desaparece enquanto eu lá fico com "o menino nos braços", todo derretido e a escorrer-me plos dedos até cair em pingas na saia, na blusa ou onde quer que faça mal.

A sacaninha come uma pastilha elástica, espeta-me com os papeis nas mãos e cerca de dez minutos depois reclama "isto já não sabe a nada! Queres mãe?"...já não sabe a nada, queres mãe!!!!??? "não, não quero minha querida" respondo eu controlada, mas com um leve ranger de dentes, enquanto por dentro penso "não, não quero meu estupor, e se a pusesses no buraquinho do cu!".

 

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