
Isto de viver no campo é um espectáculo!
Deveras! não julguem que o estou estou a dizer com conotações irónicas e/ou ácidas, não senhor, nada disso.
A proximidade com a terra e os bichos e o nada, faz-nos observar com mais atenção todo e qualquer movimento. E acreditem, há dias em que isso do movimento é uma coisa difícil de detectar.
Esta manhã assisti a um episódio que até agora não me sai da cabeça.
Vinha eu no meu maravilhoso Dácia Logan, cantarolando ao som do último cd do Glee, acabadinho de "comprar", entro na minha aldeia, e...um engarrafamento. Um engarrafamento? Sim. Um engarrafamento.
Ok, seriam uns dois carros, a contar com o meu, em espera à esquina da Sociedade Recreativa. O transito completamente parado.
Quando finalmente consigo curvar, de forma a ficar com o meu campo de visão mais ou menos desimpedido, eis que vejo, uma camioneta pequena, que carregava com uma retroescavadora enorme. A pá da retroescavadora tinha ficado presa nas iluminações Natalícias que os corajosos e aguçosos trabalhadores camarários andavam a colocar àquela hora da manhã.
Vai daí, que, de dentro da camioneta, sai uma mulher aí com os seus 45 anos (digo eu, assim pelo aspecto, mesmo sabendo que não se deve julgar ninguém pelas aparências), salta para cima da caixa de carga, e trepa pela cabine da retroescavadora, até, num equilíbrio periclitante conseguir passar o fio por cima da pá.
Cá em baixo, uns bons metros abaixo, como podem calcular, estavam os muito zelosos funcionários camarários, de boca aberta a segurarem um fio cheio de lâmpadas pintadas às cores (trabalho dúrissimo, atenção!), e mais uns quantos desocupados que já vinham do bagacinho, todos ali especados a observar as acrobacias mesmo ali em frente dos olhos deles.
De salientar que o condutor da camionete, também ele assistiu pelo espelho retrovisor, ao esforço da mulher, impávido e sereno. Penso que seria o marido, e penso também que ela esta noite em agradecimento devia ir dormir com o vizinho. Literalmente.
Temi pela integridade física daquela mulher de tomates, e tive dó daqueles homens todos que pelo menos naquele momento perderam os deles.





