terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Andam a enganar as criancinhas!


E depois admiram-se que haja por aí tanta depressão, recalcamentos, e Calimeros a crescer que nem cogumelos depois da chuva!

ahhh poizé!

Ainda esta manhã, enquanto vestia a mais nova, ainda meio entorpecida de sono, dou por mim a prestar mais atenção do que devia ( e do que o programa merecia realmente...) aos desenhos animados que estavam a passar na 2 àquela hora. Era o Ruca. Um miúdo que deve ter aí uns 4 ou 5 anos, completamente careca (provavelmente fruto de corte radical na sequência de um ataque de piolhos, tão usual nas escolinhas), e a quem ninguém contraria de maneira nenhuma.

A professora JAMAIS levanta a voz, é absolutamente complacente com tudo o que os meninos dentro da sala de aula querem (sim porque os meninos têm querer dentro da sala de aulas do jardim escola), os pais, esses então são um espelho de compreensão e um poço de amor para os seus rebentos (o tal de Ruca tem uma irmã, igualmente insuportável, mais nova que ele), e aquela família não sabe o que é uma nota mais alta na voz de quem quer que seja, sendo que nenhuma das crianças sabe sequer ao de leve o significado da palavra grito.

Todos os ensinamentos são passados de uma forma organizada, segura e calma, sem stresses, gritarias, e de tudo aquilo sai sempre uma aprendizagem muito saudável para pais e filhos...

Pois....temo estar em completo desacordo com aquela coisa toda, até porque é uma babosice do pior, e nem de perto nem de longe é, nem pode ser assim.

As crianças devem aprender desde o berço que há regras, que não são eles que fazem as regras, que a família é uma democracia musculada (sem violências gratuitas, claro), que a máxima Orweliana deve sempre governar uma casa "todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que outros", e acima de tudo, uma "nalgada", um sopapo ou um puxão de orelhas, que eu saiba até hoje não fizeram grande mossa a ninguém!

Ora existe um outro desenho animado pra criancinhas, penso que japonês, o Shin Chan, que é um miúdo mais ou menos da mesma idade, que passa o dia a fazer asneiras (coisa normalíssima) e invariavelmente acaba a ser castigado pela mãe. Correcto.

Por isso creio que há a reter o seguinte:

- Compreensão a mais é parvoíce;

- A moral da história vem sempre no fim, e não no principio.


Não é que a minha politica de gritos e orelhadas dê grandes frutos, mas ao menos os rapazes ficam a saber que se pode sempre reagir, e que a reacção é uma coisa boa. Gosto pouco de gente morna.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Aquilo de o Natal ser quando um homem quiser...

Nunca fui muito chegada a plantas de interior. Ou de exterior. Tenho uma espécie de jeito inato para as deixar a definhar. Aquela particularidade de não abrirem a boca, coloca esses seres, pelo menos aos meus olhos, na categoria de natureza morta logo à partida.


A varanda lá de casa mais parece a da Família Adams, vasos cheios de ramos secos e retorcidos, folhas caídas impregnadas de pó, ervas daninhas também eles próprias já ressequidas e apanhadas na sua própria luxuria, enfim, um espectáculo pouco digno, e do qual desde já digo, não me orgulho nada. Esqueço-me, sei que não é desculpa que se dê, mas é a verdade.


No entanto, nas últimas semanas, tenho mantido uma planta de interior, que teima em não se dar por vencida e continua a encher (literalmente) a minha sala de verde.


Não posso especificar com exactidão que tipo de planta é, mas presumo que seja um tipo de abeto nórdico, que comprei num super mercado, e que foi, digo bem, foi, o meu pinheiro de Natal.


Existe a vontade de o plantar no quintal do meu pai, mas ainda não conseguimos fazer acontecer esse momento, seja porque já é de noite, ou porque agora ainda é cedo, tu já viste bem o nevoeiro? , com este chuva não sou eu que me vou pôr a cavar no meio do quintal!, ou então as preferidas "agora vou comer, depois já vou". Mas não. Ninguém vai. Ninguém foi até agora, e um dia destas acabo por me afeiçoar à porcaria da árvore e daí até à morte é um passinho de pardal (sim porque água, é mentira).


E é neste clima "deixa andar" que lá vamos tentando co-habitar com a "plantinha" que como podem verificar pela imagem terá uns dois metros de altura por 1,5 de diametro. Não é fácil, mas alegra o ambiente e dá assim um ar de open space e coise.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Bolinha Encarnada



Na sexta-feira passada, ao fim da tarde, depois do emprego, como sempre tentei ficar a par das novidades escolares dos miúdos. Chegada a vez da mais nova, então e tu meu amor, correu bem, brincaste muito, o recreio foi bom?"Não fui ao recreio", ah não!? , então? conta lá?"É que a professora todos os dias marca uma bolinha no comportamento, e ao fim de 5 bolinhas encarnadas, ficamos de castigo...Por um nano segundo, sorri e pensei, coitadinha. Mas num repente fez-se luz. Cinco bolinhas! Mas ela só regressou às aulas segunda-feira! Portanto há ... 5 dias. Ou seja, a minha menina "perfeita", mesmo depois de todas admoestações, mesmo depois de tanta conversa deitada fora ao longo das férias, mesmo depois de ameaças severas, chegou à escola e continuou com a sua politica da terra queimada. Benza-a Deus!O pai ainda lhe disse, ó filha mas porque é que não disseste nada?, ao que ela respondeu muito enxuta "podia ter-te dito ontem, mas ainda só tinha 4!"

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Eu sou



O facto de falar em preconceito, por si só estabelece desde logo a existência de um.
Por vezes até o simples facto de uma pessoa passar a vida em bicos de pés e braço no ar, a apregoar a sua abertura a isto àquilo e ainda ao outro é também um traço bem definido de se ser preconceituoso, a ver "tás a ver eu não tenho preconceitos com pretos racista de merda!", ou ainda "eu sou a favor dos paneleiros!".
Eu, sendo Alentejana de gema(e clara e casca já agora)carrego o estigma da sesta desde o dia em que nasci. Mesmo que em qu..coiso anos de vida eu não tenha dormido mais que uma ou duas putas de sestas! Eu e muitos alentejanos. Depois são as anedotas, em que quase sempre o alentejano estúpido vai à cidade e acaba a ser literalmente "enrabado" por um qualquer iluminado alfacinha, e depois há ainda o sotaque arrastado que de lés a lés move multidões na hora de uma imitaçãozinha.
Posto isto, sim senhora eu também sou uma rapariga preconceituosa! Tenho cá as minhas convicções. Quando me sinto enganada não êxito num "cambada de ciganos!", não resisto aos maravilhosos epítetos que a língua portuguesa nos disponibiliza, tipo panelêro (já traduzido pra alentejano), cegueta (este mais vocacionado para a condução), cabrão, ou o redundante puta dum cabrão, etc.
Todas estas pérolas trazem em si a etiqueta de um certo preconceito. Mesmo que ditos da boca pra fora (outra redundância), estes conceitos estão por demais enraizados e são assim uma espécie de pecado original, a malta está sempre a cair.
Se somos todos diferentes? Sim! Se vamos continuar a fazer piadas uns com os outros? Sim, pelo menos até esta bola azul se aguentar à bronca.
A verdade é esta, nunca sejas o primeiro a sair de um almoço de amigos. Nem o segundo, já agora. A misericórdia não diminui até seres o último, e aí sim podes sair descansado que ninguém vai ficar a falar de ti, da saia horrorosa que trazias, do perfume insuportável, de como te estavas a tirar ao marido da amiga do lado, de como as tuas mamas estão subitamente maiores, de como a tua prima anda metida com o preto que joga à bola, de como o teu namorado é tão excessivamente expressivo a falar, de como a tua mãe andou com os tipos todos no tempo dela, e o teu avô que enriqueceu à custa dos espanhóis foragidos, e essa mania de cantarolares à mesa, e...
Alguém disse, não faço ideia quem, "se não os podes vencer, junta-te a eles."



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Todos um boomm Nataaaalll llalala

Personalize funny videos and birthday eCards at JibJab!



Bêjos e abraços para todos!
Staring: Familia Fernandes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Le plié*...



No Sábado passado, foi a apresentação de ballet da mais pequena. Uma azáfama, levantar a correr, correr para o ensaio, e a chuva e o frio, e o penteado, e os ganchos e o choro e eu já a destilar raiva logo de manhãnzinha. Um frenesim, para uns 8 ou dez minutinhos de glória no palco improvisado da sociedade recreativa onde as etéreas bailarinas mal podiam abrir os braços. Lindo...

Lá foi a família em peso ver a pequena "Margot Fonteyn ", tudo muito compenetrado do talento inato do rebento.

Eu de boca aberta, os olhos húmidos, a emoção a explodir num sorriso parvo a olhar aquele anjinho todo de rosa, que mais parecia um marshmellow!

O pai, ao meu lado, suspirava. Diria eu que de orgulho, tipo "estão a ver aquela ali no meio, a mais gira de todas? é a minha!" e assim...

Terminada a sessão, os aplausos, os agradecimentos, "correu muito bem, que lindas meninas, são tão graciosas, a sua menina portou-se lindamente", teve lugar um lanchinho, assim a modos que uma espécie de brunch de pacote, toma lá uma bolacha e toca a bazar que tenho mais que fazer, e enquanto isso, " ahhh sacaninha que entornaste a garrafa do sumo!".

Já cá fora, sentados à mesa do almoço, claro comentado os dotes artísticos da rapariga, até porque além do ballet, ela também cantou no Coro Infantil e tal, o papá querido sai-se com esta:

"a cantar até se safa...agora a dançar, está mais para a galinha de campo no charco, do que propriamente o cisne no lago, no entanto há que persistir, claro..."

E foi assim que aquele tirano destruiu ali mesmo todos os Meus sonhos de palco e ribalta e luzes e primas-donnas e tudo e tudo. Ela, a gaiata engasgou-se de tanto rir...

Calculo que o futuro das aulas de ballet, esteja traçado...
*PLIÉ – Dobrado. Flexão dos joelhos. Primeiro exercício da barra

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma questão de Tomates


Isto de viver no campo é um espectáculo!

Deveras! não julguem que o estou estou a dizer com conotações irónicas e/ou ácidas, não senhor, nada disso.

A proximidade com a terra e os bichos e o nada, faz-nos observar com mais atenção todo e qualquer movimento. E acreditem, há dias em que isso do movimento é uma coisa difícil de detectar.

Esta manhã assisti a um episódio que até agora não me sai da cabeça.

Vinha eu no meu maravilhoso Dácia Logan, cantarolando ao som do último cd do Glee, acabadinho de "comprar", entro na minha aldeia, e...um engarrafamento. Um engarrafamento? Sim. Um engarrafamento.

Ok, seriam uns dois carros, a contar com o meu, em espera à esquina da Sociedade Recreativa. O transito completamente parado.

Quando finalmente consigo curvar, de forma a ficar com o meu campo de visão mais ou menos desimpedido, eis que vejo, uma camioneta pequena, que carregava com uma retroescavadora enorme. A pá da retroescavadora tinha ficado presa nas iluminações Natalícias que os corajosos e aguçosos trabalhadores camarários andavam a colocar àquela hora da manhã.

Vai daí, que, de dentro da camioneta, sai uma mulher aí com os seus 45 anos (digo eu, assim pelo aspecto, mesmo sabendo que não se deve julgar ninguém pelas aparências), salta para cima da caixa de carga, e trepa pela cabine da retroescavadora, até, num equilíbrio periclitante conseguir passar o fio por cima da pá.

Cá em baixo, uns bons metros abaixo, como podem calcular, estavam os muito zelosos funcionários camarários, de boca aberta a segurarem um fio cheio de lâmpadas pintadas às cores (trabalho dúrissimo, atenção!), e mais uns quantos desocupados que já vinham do bagacinho, todos ali especados a observar as acrobacias mesmo ali em frente dos olhos deles.

De salientar que o condutor da camionete, também ele assistiu pelo espelho retrovisor, ao esforço da mulher, impávido e sereno. Penso que seria o marido, e penso também que ela esta noite em agradecimento devia ir dormir com o vizinho. Literalmente.

Temi pela integridade física daquela mulher de tomates, e tive dó daqueles homens todos que pelo menos naquele momento perderam os deles.

 

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