Mostrar mensagens com a etiqueta coisa mai linda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta coisa mai linda. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 5 de abril de 2011

O baile


Já passaram uns dias, mas só agora, me sinto completamente depurada da sensação de enfado e enfarto que o dito cujo me causou.
A miúda mais velha, a um passo de acabar o 12º ano, lá teve direito ao habitual baile de finalistas. E quando digo teve direito, quero mesmo dizer o vestido, o padrinho a colher, as fitas e todos os adereços requeridos para a ocasião, o que muito me espantou, pois que a rapariga é toda armada aos cucos e coise...
Agora meus senhores, aquilo que deveria ser uma coisa leve, enfim, um apontamento da mudança que se aproxima na vida destes gaiatos, transformou-se ali mesmo naquele espaço tipo espartilho, numa autêntica feira de vaidades. A começar pelas mesas recheadas de iguarias, leitões assados...havia leitões assados. Pratos de porcelana, toalhas de linho bordadas, bolos encomendados propositadamente a pastelarias de alto gabarito. Vestidos de pedrarias e lantejoulas e bijuterias de brilhos estonteantes e saltos vertiginosos e arranjos de flores naturais. Quem entrasse desavisado, pensaria tratar-se de um casamento daqueles de aldeia, em que cada convidado tenta ofuscar a noiva a todo o custo.
Aliás a entregar-se um prémio de "modelito mais propenso a provocar o vómito em todo o auditório e arredores", ele iria direitinho para as mãos de um pai, sim de um pai que trajou autenticamente de "luces", com uma fatiota preta de riscas sedosas e brilhantes. Um estrondo.
Não nego. Foi uma noite interessante para o imaginário de qualquer um. Aproveitei bastante.
Nos lá fomos, a famelga em massa. E no meio de toda aquela parafernália, a malta até parecia muito normal! Verdade. Senti mesmo uma pontinha de embaraço pela minha tábua de queijos e tostas e pelo bolinho de chocolate feito a justa mesmo antes de hora do baile.
N
ão consegui deixar de pensar que deviamos estar a ensinar aquela juventude toda a vestir o fato de macaco e pegar na enxada, porque pelo andar da carruagem têm mesmo muito que "dançar" coitados.
Anyways... agora um bocadinho de baba pegajosa, viscosa e gostosa, digam l
á se a magana da gaiata não estava linda de morrer?
Sim eu sei...tal e qual a m
ãe...

Fotografia: Leonor e padrinho primo Pedro

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Presunção e água benta...


"Oh mãe estás sempre a queixar-te das notas, mas eu explico: vê lá se entendes que eu sou intelectualmente perfeita! Mas tanto tanto tanto, que este tanto não cabe dentro de mim, que sou assim pequena e baixa, e transborda.

... e é só por isso que não consigo ser melhor. "


Palavras da mais velha.

Há gente que tem uma lata...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Espelho, espelho meu...

Muito se fala na relatividade da beleza.
Que a beleza verdadeira é aquela que não se vê, que o que interessa não é o invólucro, mas sim o que está lá dentro, que as mais belas rosas são as que não têm qualquer perfume...poizé...bullshit! Tá-se mesmo a ver que isto é mesmo conversa de gente que por um ou outro motivo aleatório ou nem por isso, nasceu sem ser bafejado pelo hálito fresco de Afrodite, Venus, Lakshmi, Brandwen, Freyja ou outras do mesmo calibre.
Esqueçam, se pensam que a seguir vem o habitual chorrilho de falsas modéstias, "ah porque eu sou tao feia", "ah porque eu sou tão desinteressante". Podem tirar daí o sentido.


Toda a minha existência, tem sido feita de altos e baixos, acho que é o que basicamente acontece com quase toda a gente. Na adolescência era uma pita com a mania, nariz empinado, armada em culta e tal, a falar com gestos largos e voz alta, tudo isto a maquilhar uma insegurança que até hoje não me larga. O mais trágico no meio disto tudo é que me revejo (salvo o upgrade óbvio) na minha mais velha! Todos aqueles trejeitos que conheço de cor e salteado, aquela áurea de miúda sabe tudo, fixe, estilosa...mas que ao mesmo tempo tem uma relação com o espelho que é um desastre.

Todo este palavreado vem a propósito de uma fotografia infame, onde eu, aí com uns 6 ou 7 meses, empunho um martelinho de plástico, enfiada dentro de um macacão de malha branco, tricotado pela minha avó Catarina "Carrapata". A minha querida mãe, e já agora acho que com a concordancia do meu paizinho, fizeram o favor de mandar o fotógrafo fazer umas 20 ou 30 cópias do dito retrato, que, até hoje, 42 anos depois, me persegue por todos albúns de familiares e gavetas atafulhadas de memórias antigas. Esta fotografia, ando cá desconfiada, encerra nela, todos os traumas e inseguranças que me assombram (às vezes...poucas vezes que eu não sou muito dada a esses "ais, uis").
Como podem comprovar, é um pesadelo, eu tinha a cabeça cheia de eczema, e estava muito longe do ideal de um bebé bonito, aliás se quiserem ser honestos (eu aprecio a honestidade) nem pareço própriamente uma criança e agora mesmo estou a ver aqui e ali um certo ar de Benjamin Button. Deplorável esta pequena jóia de família. O que teria passado pela cabeça dos meus pais!? Acharam com toda a certeza que estavam na presença da coisa mais perfeita que alguma vez alguém teria visto!


É que só pode!



Os olhos de uma mãe, são quase pecaminosamente falsários, mentirosos e a um tempo vivem nessa mesma ilusão, de que as suas crias são as mais belas. Contam tantas vezes a mesma mentira, que lá no âmago do seu ser esta transforma-se na mais perfeita das verdades.
Ainda me lembro, quando a educadora da Leonor (a mais velha), me chamou (a senhora era uma daquelas religiosas à paisana, muito recta e autoritária, com a mania que tinha Deus na barriga, quando na verdade O deveria ter no coração), muito indignada, porque a rapariguinha repetidamente apregoava ser a menina mais linda da sala. Eu ainda pensei desculpar-me "sabe, as meninas têm destas coisas, não ligue, se calhar é próprio da idade, afinal só tem 3 aninhos..." e assim...mas não gostei do tom critico, não gostei no dedo espetado direito ao meu nariz e ao meu orgulho, vai daí que "sabe Irmã...ela diz isso, porque é o que eu lhe digo todos os dias de manhã quando a acordo e à noite quando a deito", confesso que cada palavra foi desfechada com a violência de uma bofetada. Essa agora!

O que me transporta sempre, para uma estória/fábula que a minha sogra costumava contar às crianças, sobre uma cegonha que fez um pacto de paz com uma raposa e lhe disse que jamais poderia comer-lhe as crias. Ora a raposa, perguntou-lhe como poderia reconhecer os filhos dela, nunca tinha visto cegonhitos! Ao que a cegonha lhe respondeu "logo que os vires, os reconhecerás, porque são os mais belos que há neste bosque". No primeiro passeio pelo bosque, a raposa deu de caras com um ninho em cima de uma árvore frondosa, lá dentro estavam quatro pequenas aves meio peladas, feias como a noite escura e sem mais, tratou de as comer. Claro que eram os filhos da cegonha, que, para quem não sabe são umas criaturas feias de dar dó!
Voltemos então à fotografia do martelo. Eu era claramente a cegonha bebé, e só a minha santa mãe não dava por isso...

Mais tarde, já do dealbar da minha pré-adolescência, encontrei este exemplar bem emblemático da minha pessoa. Devia ter 10, 11 anos, e não há muito tempo fui dar com os meus filhos a rir às voltas desta fotografia. passavam-na de mão em mão, e a cada volta iam descobrindo naquela rapariguita espevitada, a mãe deles.
- Xi mãe! É que devias ser do píorio! Tu tás a ver bem este sorriso! Se não tinhas tramado nada, certamente estavas "com ela fitada" pra tramar!
Nesta imagem, estou de facto mais próxima do que sou. Tenho efectivamente um sorriso um bocadinho...gosto de pensar que, misterioso.

Também qual é a mulher que não gosta de pensar que é misteriosa?



ps: aquilo das deusas, foi tudo googlado, eu até sei umas coisas e assim, mas Feyja??? no way!

pss: decidi não mostrar imagens da adolescência, porque o conceito de estilo 80's poderia chocar os mais distraídos

psss: e mais recentes ainda menos, porque a focagem da Canon, é boa, mas é pouco larga...

pssss: acho que é mesmo tudo

Pic martelo: de uma qualquer gaveta de uma qualquer casa de um qualquer familiar


Pic mais crescida aqui



 

Blog Template by BloggerCandy.com