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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

75

Como diz o poeta "façamos o ponto e mudemos de assunto, sim?"
Hoje é dia de dedicatória. Ontem Woody Allen completou 75 anos. Ele que é um dos realizadores/argumentistas mais dotados e geniais que a meca do cinema já conheceu.
Pela parte que me toca, proporcionou-me horas e horas de puro prazer, de um humor corrosivo e inteligente, de uma verborreia desconcertante.
Seja num registo mais intimo como em Alice, ou September, seja num outro muito mais humorístico como Small Time Crooks, ou Deconstructing Harry, seja ainda pela forma única como retrata a relação entre duas pessoas e/ou consigo mesmo, este "jovem" é dos maiores dos meus vícios.
Fica aqui só uma amostra, esta opening do Annie Hall. Ele estava nos seus "early forties" e falava nisso mesmo. Soberbo!
Parabéns e uma vénia.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quentes e Broas

Hoje é dia de S. Martinho. Dia de, diz o povo, ir à adega e provar o vinho.

É um daqueles dias em que sou acometida de uma certa nostalgia do antigamente. Verdade!

Neste dia, há alguns anos atrás, ao fim da tarde, depois do dia de trabalho, os homens enchiam as adegas, e muitos copos de vinho depois, enchiam as ruas de cantigas. A malta da escola, também se armava aos cucos e atrevia-se a entrar em duas ou três tascas pra molhar o bico e petiscar um chouriço assado ou umas azeitonas pisadas bem temperadas de oregãos.

Hoje a coisa é mais na base da "Festa da Castanha - com o Dj xxx, madrugada fora" e coise...

Lembrei-me de um texto que escrevi no Meldevespas, há já três anos, e que conta algumas coisinhas desses tempos idos, na então vila agora cidade de Reguengos de Monsaraz. Vão lá dar uma espreitadela faxavôr.

E como as tascas acabaram, as cantigas estão esquecidas, e a idade não perdoa, deixo-vos aqui uma receita, que vai bem com um vinho licoroso, mas também não se esquiva a um tintinho robusto, ou até quem sabe um copinho de água pé.

No meu caso acompanhei com chá e um livro, porque tenho "mau vinho" e não estou pra vir práqui fazer figuras tristes:


Broas de Cheiro


Ingredientes:


-Raspa de 2 tangerinas

-70 g de açúcar mascavado

-80 g de manteiga s/sal amolecida

-4 colheres de sopa de mel

-200g de farinha

-1 ovo

-1 colher chá de fermento

-1 colher café de canela

-1 colher café gengibre

- 150 g chocolate branco


A forma de fazer é sempre a mesma. Bater a manteiga com o açúcar e o mel, juntar o ovo e a raspa das tangerinas, em seguida envolver os ingredientes secos já sem bater e por fim o chocolate partido aos pedacinhos.

Fazer umas bolinhas do tamanho de uma noz, polvilhar com canela e levar ao forno previamente aquecido.
A consumir sem moderação.

domingo, 3 de outubro de 2010

Vintage


Parece ser cada vez mais um conceito na moda. Vintage.

Agora a questão é, o que e mesmo ser vintage? , ou melhor, qual é a diferença entre velho e vintage?

Se estivermos a falar de um bom vinho, a coisa percebe-se, especialmente se for um vinho que saiba envelhecer, sim porque há alguns que nascem pra ser jovens e finam-se pouco depois. Se se tratar de uma bolsa, ou de um vestido, também acho que consigo identificar o gene vintage. Uma determinada estampagem, ou corte, uma determinada frase, a evocação de um qualquer ícone já morto e enterrado, as incontornáveis pin-ups. Na música, por exemplo, também não é difícil! Há uma certa sonorização que nos catapulta para o conceito sem espinhas, a voz do Sinatra, do Gene Kelly, da Judy Garland, do Nat King Cole ou uma dança do Fred e da Ginger...

Agora o que me inquieta é saber se uma pessoa também pode ser vintage, quer dizer, uma pessoa viva e que não seja, nem tenha aspirações a ser ícone de espécie nenhuma. E uma dúvida que me assola, a sério!

Por exemplo, sabes que estas a envelhecer quando os teus filhos começam a dar desculpas para evitar a tua presença ou aparição nos lugares que frequentam. Nem que seja a porta da escola, na hora da saída. Ou quando te olham de lado quando cantas uma canção ainda mais velha que tu (ontem a tarde estava a ver The man who knew too much do Hitchcock, e não pude evitar de cantarolar em uníssono com a Doris Day o Whatever Will be, e juro que houve uns "ai meu Deus, e "o que e isto!!!", e coise, e tenho a certeza que não foi pelo facto de eu estar a cantar, mas sim por estar a cantar aquilo...). Aí tens a certeza de que já estás em outro patamar, estás a bem dizer em queda livre, pelo menos é isso que os viventes abaixo dos .... vá 25 anos pensam.

Não sei se será masoquismo da minha parte, mas até me dá um certo gozo a forma como os herdeiros me encaram. Também já lá estive, e ainda tenho alguns flashes de como olhava os "velhos". Mas voltamos ao mesmo. Conseguirei sendo viva, atingir o estatuto de vintage, e portanto de ser uma coisa velha apreciada?

Temo que o meu extremo bom feitio, seja um travão entre mim e esse objectivo...

Só por causa das coisas, e porque os dias estão a encolher e a arrefecer, e porque me apetecia qualquer coisa doce, lembrei-me de fazer uma bolachinhas, estas sim bem vintage, ou seja, as intemporais areias, velhas e charmosas, e fáceis like Sunday morning :D :

300g farinha

200g margarina derretida

100g açúcar

2 gemas

1 colher de chá de fermento em pó

1 pitada de sal

misturar tudo e com as mãos, fazer bolinhas do tamanho de nozes. Colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal, deixar um espaço de uns 2 ou 3 centímetros entre cada uma, não crescem muito, por isso nada de stresses, e esborrachar ligeiramente com um garfo de forma a fazer os risquinhos tão característicos destes bolinhos. Muito importante, ter sempre o forno pré-aquecido. Vigiar a cozedura, e retirar logo que comecem a ficar com um tom dourado. Deixar arrefecer em cima de uma grade (isto é só pra parecer uma coisa profissional...deixem arrefecer onde quiserem e se quiserem) e por fim passar cada uma por açúcar.

Esta receita rende uns 30 bolinhos. Eu fiz a dobrar.

E meus amigos, um sofá, uma caneca de chá e um punhado destes bolinhos, pode até ser um cenário velho, mas vale bem a pena.

Fotografia minha das minhas areias

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pata na poça...

Quem de nós, pelo menos uma vez por semana, ou por dia, vá, quem, dizia eu, não mete a pata na poça?
Ou como diria a Grande Britney (not), ops! I did it again!
Aqui em Reguengos, há muitos muitos anos atrás, no principio do século vinte, havia um grupo de teatro, claro está composto na sua maioria por gentes bem posicionadas da sociedade local da época.
As admissões no seio do restrito grupo eram muito apertadas, e só contornadas por uma boa cunha, ou um nome decente. Ora um certo novo rico, comerciante da praça, há muito assistia a todos os ensaios da distinta trupe, sempre a salivar, desejoso do momento em que chegaria o convite e aí sim, ele teria a oportunidade de mostrar ao mundo o seu enorme talento. Certo é que, dias antes de estrear a peça, uma comédia de costumes, muito polida e correcta, um dos actores cai à cama com uma desinteria aguda. O papel era modesto, o tempo era pouco, porque não? O convite chegou e o dito cujo exultou de orgulho e alegria. Noite e dia, o caixeiro, dono de uma loja de lavoures, repetia a sua fala, "Sr. Doutor, o jantar está servido", falava num tom, experimentava outro, uma pose, depois outra. Por falta de ensaios, aquilo não podia sair mal, ah isso era de certeza!
Chegou o dia da estreia, a plateia do então novo e esplendoroso Cine Monsaraz, quase estoirava de tão cheia, nos camarotes era uma azafama, plumas, e rouges e bengalas, tudo a postos para as pancadinhas de Molière. A dramatização corria sobre rodas até ao momento em que entra o caixeiro, muito digno e elegante, e com uma voz muitíssimo bem colocada, diz numa vénia: " Senhor Jantar, o doutor está servido."
Escusado é dizer, que a carreira do jovem comerciante acabou ali mesmo.
E agora vocês perguntam "mas esta gaija agora lembrou-se disto porquê??"
Porque hoje é Sexta-Feira, porque alguém pode estar a preparar um jantar pra receber visitas, ou só o jantar de todos os dias e quem sabe hoje apetece-lhe fazer um doce, mas um daqueles doces que nos deixa a salvo de "meter a pata na poça", um daqueles doces infalíveis, e ainda por cima bonitos e uiii fashion.
Tomem nota, trata-se duma Tarde de Frutos do Bosque, que é como quem diz une Tarte de Fruits de La Fôret (em francês chia mais fino).

Então lá vai:


- 1 base de massa folhada fresca, ou massa quebrada, dependendo do gosto de cada um, se tiverem paciência também podem usar filo, dessas bases redondas que existem em todos os supermercados;
- 1 embalagem de frutos do bosque congelados;
- 1 embalagem de natas frescas, daquelas do saquinho, nada de embalagens tetra prisma, ok?
- 3 colheres de sopa de açúcar branco
- 4 colheres de sopa de açúcar mascavado
- 1 pau de canela
- raspas de chocolate
- um cheirinho de porto

Forrem V. Exas. uma daquelas formas de tarte, que se tira o fundo, com a dita base de massa, piquem muito bem com um garfo, encham com grãos ou feijões secos até meio (impede a massa de inchar) e levem ao forno quente durante uns 20 minutos. Nunca é demais lembrar que os fornos variam muito, pelo que é conveniente ir espreitando, e quando estiver dourado, retirar e deixar arrefecer.
Entretanto, levar ao lume, os frutos com as quatro colheres de sopa de açúcar mascavado, o pau de canela, e o cheirinho de porto. Deixar ferver um bocadinho até ganhar um ponto leve de compota, sem deixar de mexer, senão pega-se tudo e lá vai a intenção pelo cano abaixo, if you know what i mean...
Mais uma vez deixar arrefecer.
Seguidamente, bater as natas, que devem estar bem frrrias. Primeiro bater devagar por um minuto , depois juntar o açucar branco e bater na velocidade máxima até obter a consistência de chantily. Por fim é só montar (montar é uma palavra linda). Dentro da massa folhada deitar a compota de frutos já fria, por cima o chantily e por fim, generosas raspas de chocolate.
Experimentem e façam um figurão, é que nunca falha!



ps: os grãos e os feijões secos é pra jogar fora tá bem? Pronto. é só porque ...tá bem.
Pic lá de casa por alguém lá de casa

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tea Time e olho vivo!



O tempo arrefeceu mesmo! Upa upa que hoje está aqui um briol, que nem vos conto.
Tempo frio o que é que pede?
Tal e qual. Chás quentes, chocolates fumegantes, cafés escaldantes e cookies, muuuuitos cookies.
Para os mais distraídos, trata-se de uma espécie de bolachas com pedacinhos de chocolate lá dentro.
Ultimamente tenho assado toneladas destes pequenos pedaços de paraíso. Receita dobrada, sempre, não podia ser de outra maneira. Quer dizer, poder podia, mas as trombas eram diferentes com toda a certeza.
Vai daí que são umas noites muito animadas estas das bolachas, senão vejamos:
a) a receita dobrada dá aproximadamente 50 bolachas
b) o meu forno, é um normalíssimo forno doméstico, dá para um tabuleiro onde cabem 9 bolachinhas de cada vez (não se pode facilitar, senão fica tudo pegado e apesar de se comer, claro, fica com um aspecto de fugir);
c) temos assim, cerca de 6 tabuleiradas, se o tempo de cozedura calculado for de 15 minutos, mais coisa menos coisa, por tabuleiro, só para assar é pelo menos hora e meia, mais 20 minutos de preparação e outros 20 de limpeza.
d) durante este tempo todo, não há a mínima hipótese de sair de perto do forno, nem muito menos do perímetro de segurança onde vão sendo colocados os bolinhos acabados de sair do quente. Cá em casa há mãos, olhos esbugalhados, e bocas a salivar que aparecem de tudo quanto é canto...
e) no final das contas (as bolachas são contadas a cada rodada que vai sendo colocada nas travessas, não se vá dar o caso de desaparecer alguma pelo caminho, porque aqui é tudo gente destemida que não vira as costas a queimadelas, ou se acobarda por alguma dor de barriga), no final das contas dizia eu, fico embevecida a olhar para o resultado, lindas, cheirosas, macias, hummm a cozinha fica com aquele calor açucarado
f) não me perguntem se as ditas bolachas se podem guardar, nem por quanto tempo. não faço ideia. Se conseguirem passar a noite em segurança, já é um pau!
Se quiserem experimentar na paz das vossas casas, cá vai:
250 g farinha de trigo
100 g açúcar branco
100g açúcar mascavado
2 ovos
2 gemas
150 g manteiga sem sal / margarina
1 colher sopa fermento
1 colher chá extracto baunilha
200 g chocolate barra
A manteiga deve estar à temperatura ambiente, bate-se com o açúcar, juntam-se os ovos e as gemas um a um, a baunilha o fermento e a farinha a pouco e pouco. Por fim o chocolate partido aos pedacinhos não muito pequenos. O chocolate é à vontade do freguês, pode ser de leite, pode ser chocolate preto, chocolate branco, ou até mesmo uma mistura dos três. Também ficam muito bem frutos secos para quem for apreciador.
A consistência das bolachas, é um bocadinho diferente consoante se use manteiga ou margarina, mas igualmente booooa.
Coloca-se uma folha de papel vegetal no fundo de um tabuleiro, e com duas colheres de sopa formam-se bolas, mais ou menos do tamanho de uma noz (se quiserem maiores, estejam à vontade).
Em menos de um abrir e fechar de os olhos têm uma fornada de bolachinhas de comer e chorar por mais. Juro!
Picz by me

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bolos amaricados....


Aqui em casa, a única coisa que não aparece limpa é o chão.
Pratos, travessas, tachos, frigoríficos e afins, aparecem quase miraculosamente "lambidos".
É assim a modos que uma espécie de aspirador industrial, mas sem necessidade de cabo eléctrico, portanto uma coisa muito mais avançada e perigosa, sendo que os gastos se revelam exponencialmente maiores.
Isto tudo para dizer que ontem estive a fazer bolos. Pois estive.
Depois de fazer o jantar, e já agora o almoço do dia seguinte, hoje portanto, mas isso não interessa nem ao menino Jesus, por isso, façamos de conta que não aconteceu.
Vai daí que estive a fazer bolos. Há quem lhe chame queque, um nome jeitoso e .... sei lá, parece uma camisa branca com gravata de riscas por cima, demasiado arranjadinho, depois há quem lhe chame cupcakes, um nome armado aos cucos e tal, "ah porque eu até sei fazer cupcakes....."
Pronto eu fiz uns bolos desse mesmo tipo, e depois fiz-lhe uns acabamentos amaricados (que revelam bem a minha veia estragada para as belas artes)et voilá!

Então a receitinha é assim:

125 g farinha
100 g açúcar
125 g manteiga sem sal
3 ovos (L)
2 colheres de sopa de leite
1 colher de chá de fermento em pó

The usual: bater a manteiga (à temperatura ambiente) com o açúcar, juntar as gemas, uma a uma, e depois juntar o leite e a farinha + o fermento alternadamente.
Por fim as claras em castelo e já está.
Levar ao formo dentro daquelas forminhas de papel plissado, das maiores, e usar duas para cada bolinho. Encher aí a uns 3/4 e não mais, senão lá se vai a estática da coisa, entendido?

Para a cobertura de manteiga:

100 g de manteiga ou margarina
1 chávena (daquelas tipicamente de chá) de açúcar pasteleiro
1 colher de sopa de leite

Bater a manteiga com o açúcar e juntar o leite, that's all

Para a cobertura de Malte:

1 lata de leite condensado
1 colher de sopa de manteiga sem sal
3 colheres de sopa de Ovomaltine (sim é publicidade...)

Juntar tudo e levar ao lume a engrossar

Entretanto os bolinhos já devem estar prontos, convém deixar arrefecer, e depois encarnar um Rafael, um Monet, ou até mesmo um Zé Augusto (o pintor de paredes que mora aqui ao lado) e "decorar" os bolinhos. Decorar também é uma palavra a roçar o amaricado...
Fiz a receita a dobrar...deu 30 bolinhos. Acho que ainda ali há, deixa cá espreitar, um, dois....cinco bolinhos!!!!
Se calhar ainda vou comer um e beber um cházinho antes da deita.
Pic by myself :D
 

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