quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tens a mania, tens!


A Mary Brown, diz que anda intrigada a propósito das eventuais e hipotéticas manias que uma mãe de três crias possa ter....
A Weeezita que até já me conhece uma ou outra das pouquíssimas manias que tenho (cof cof cof) também se armou aos cágados, e vai daí que primeiro uma depois a outra me desafiaram a desfiar aqui 5 taras minhas.
Devo dizer que pensei, meditei, ponderei, interiorizei, e coise, sobre o tema, e quase que a ferros, lá se fez luz. Ora então cá vai, se são pessoas sensíveis, ou facilmente sensibilizáveis, façam o favor de sair:
Ahhh mais uma coisinha, a ordem é aleatória, que eu não me dou, nem nunca dei bem, com essas coisas das primeiras e segundas e isso.
Então é assim:
Esperem, esperem...por favor não me levem a mal por qualquer coisita que vos pareça menos próprio...afinal de contas todas/os temos as nossas "pequenas" borbulhas infectadas...

1- Parece que, mais que uma mania, esta confissão está a tornar-se um acto de contrição conjunto...pois é, também eu adoro ler sentada no "trono". Mais, sou incapaz de entrar na casa de banho seja para fazer o nº 1 ou o nº2 (sic Carrie Bradshaw)sem ler o que estiver à mão, o folheto do Modelo, a Dica do Lidl, and so on, and so on...
2 - Sou uma roedora de unhas e peles adjacentes convicta e assumida. E gosto! E faço feridas e às vezes até ponho pensos porque o especto é tão tão nojento que mais por medo de que alguém se possa sentir mal ao ver aquele espectáculo, opto por tapar e dizer com aquela descontracção : - pá cortei-me!
3 - Esta é o chamado três em um, e prende-se com as superstições que me foram passadas pelas gerações anteriores e que prezo muito em cultivar. Jamais sacudo a toalha de mesa do jantar depois de o sol se pôr. Porquê? Ora porque a minha mãezinha, e antes a minha avó, sempre me diziam que sacudir a toalha à noite é deitar fora o pão de casa. Mais, não suporto ver facas cruzadas, e a tara é tão grande que se estendeu a todos os talheres, fico com arrepios na espinha com talheres cruzados.
Nem pensar em alguém deixar uma tesoura aberta em minha casa, fico possessa, e ninguém de bom senso me quer ver assim...Não corto as unhas à sexta-feira. NUNCA, nem eu, nem vivalma cá em casa. Ups afinal é um 4 em 1, paciência.
4 - Esta pode parecer, mas não é uma superstição, é mesmo só uma mania parva minha, mas daquelas verdadeiramente parvas e estúpidas...quando tenho alguma coisa no fogão, ou no forno, seja um belo lombo a assar, ou um bolo, ou outra iguaria, que não se atrevam a apagar a luz da cozinha!!!! Tenho cá para mim que a comida não gosta de estar às escuras e não me perguntem porquê!
5 - Quando as crianças bocejam na minha presença, faço-lhes o sinal da cruz sobre a boca dizendo: "anjinho bento entre por esta boquinha adentro"...
6 - Tenho a cagança de citar. É aquela coisa de parecer muito erudita e tal, tenho sempre uma frase para ilustrar qualquer conversa por mais banal que seja...uma piroseira do piorio, mas adiante...
7 - Pera lá! Atão não eram só cinco minha varejeira!!!!
Desculpem, mas isto deu-me um trabalhão do cacete e fica já assim! E vá lá vá lá, eu não falar das manias que tenho de saber de cinema, e livros e porras e falar sozinha e......
Bem visto bem visto, sou uma manienta daquelas à antiga! Fujam!

Só mais uma coisinha. Era suposto passar o desafio, mas eu não vou passar nada a ninguém. Sim, às vezes também tenho a mania que sou má.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Espelho, espelho meu...

Muito se fala na relatividade da beleza.
Que a beleza verdadeira é aquela que não se vê, que o que interessa não é o invólucro, mas sim o que está lá dentro, que as mais belas rosas são as que não têm qualquer perfume...poizé...bullshit! Tá-se mesmo a ver que isto é mesmo conversa de gente que por um ou outro motivo aleatório ou nem por isso, nasceu sem ser bafejado pelo hálito fresco de Afrodite, Venus, Lakshmi, Brandwen, Freyja ou outras do mesmo calibre.
Esqueçam, se pensam que a seguir vem o habitual chorrilho de falsas modéstias, "ah porque eu sou tao feia", "ah porque eu sou tão desinteressante". Podem tirar daí o sentido.


Toda a minha existência, tem sido feita de altos e baixos, acho que é o que basicamente acontece com quase toda a gente. Na adolescência era uma pita com a mania, nariz empinado, armada em culta e tal, a falar com gestos largos e voz alta, tudo isto a maquilhar uma insegurança que até hoje não me larga. O mais trágico no meio disto tudo é que me revejo (salvo o upgrade óbvio) na minha mais velha! Todos aqueles trejeitos que conheço de cor e salteado, aquela áurea de miúda sabe tudo, fixe, estilosa...mas que ao mesmo tempo tem uma relação com o espelho que é um desastre.

Todo este palavreado vem a propósito de uma fotografia infame, onde eu, aí com uns 6 ou 7 meses, empunho um martelinho de plástico, enfiada dentro de um macacão de malha branco, tricotado pela minha avó Catarina "Carrapata". A minha querida mãe, e já agora acho que com a concordancia do meu paizinho, fizeram o favor de mandar o fotógrafo fazer umas 20 ou 30 cópias do dito retrato, que, até hoje, 42 anos depois, me persegue por todos albúns de familiares e gavetas atafulhadas de memórias antigas. Esta fotografia, ando cá desconfiada, encerra nela, todos os traumas e inseguranças que me assombram (às vezes...poucas vezes que eu não sou muito dada a esses "ais, uis").
Como podem comprovar, é um pesadelo, eu tinha a cabeça cheia de eczema, e estava muito longe do ideal de um bebé bonito, aliás se quiserem ser honestos (eu aprecio a honestidade) nem pareço própriamente uma criança e agora mesmo estou a ver aqui e ali um certo ar de Benjamin Button. Deplorável esta pequena jóia de família. O que teria passado pela cabeça dos meus pais!? Acharam com toda a certeza que estavam na presença da coisa mais perfeita que alguma vez alguém teria visto!


É que só pode!



Os olhos de uma mãe, são quase pecaminosamente falsários, mentirosos e a um tempo vivem nessa mesma ilusão, de que as suas crias são as mais belas. Contam tantas vezes a mesma mentira, que lá no âmago do seu ser esta transforma-se na mais perfeita das verdades.
Ainda me lembro, quando a educadora da Leonor (a mais velha), me chamou (a senhora era uma daquelas religiosas à paisana, muito recta e autoritária, com a mania que tinha Deus na barriga, quando na verdade O deveria ter no coração), muito indignada, porque a rapariguinha repetidamente apregoava ser a menina mais linda da sala. Eu ainda pensei desculpar-me "sabe, as meninas têm destas coisas, não ligue, se calhar é próprio da idade, afinal só tem 3 aninhos..." e assim...mas não gostei do tom critico, não gostei no dedo espetado direito ao meu nariz e ao meu orgulho, vai daí que "sabe Irmã...ela diz isso, porque é o que eu lhe digo todos os dias de manhã quando a acordo e à noite quando a deito", confesso que cada palavra foi desfechada com a violência de uma bofetada. Essa agora!

O que me transporta sempre, para uma estória/fábula que a minha sogra costumava contar às crianças, sobre uma cegonha que fez um pacto de paz com uma raposa e lhe disse que jamais poderia comer-lhe as crias. Ora a raposa, perguntou-lhe como poderia reconhecer os filhos dela, nunca tinha visto cegonhitos! Ao que a cegonha lhe respondeu "logo que os vires, os reconhecerás, porque são os mais belos que há neste bosque". No primeiro passeio pelo bosque, a raposa deu de caras com um ninho em cima de uma árvore frondosa, lá dentro estavam quatro pequenas aves meio peladas, feias como a noite escura e sem mais, tratou de as comer. Claro que eram os filhos da cegonha, que, para quem não sabe são umas criaturas feias de dar dó!
Voltemos então à fotografia do martelo. Eu era claramente a cegonha bebé, e só a minha santa mãe não dava por isso...

Mais tarde, já do dealbar da minha pré-adolescência, encontrei este exemplar bem emblemático da minha pessoa. Devia ter 10, 11 anos, e não há muito tempo fui dar com os meus filhos a rir às voltas desta fotografia. passavam-na de mão em mão, e a cada volta iam descobrindo naquela rapariguita espevitada, a mãe deles.
- Xi mãe! É que devias ser do píorio! Tu tás a ver bem este sorriso! Se não tinhas tramado nada, certamente estavas "com ela fitada" pra tramar!
Nesta imagem, estou de facto mais próxima do que sou. Tenho efectivamente um sorriso um bocadinho...gosto de pensar que, misterioso.

Também qual é a mulher que não gosta de pensar que é misteriosa?



ps: aquilo das deusas, foi tudo googlado, eu até sei umas coisas e assim, mas Feyja??? no way!

pss: decidi não mostrar imagens da adolescência, porque o conceito de estilo 80's poderia chocar os mais distraídos

psss: e mais recentes ainda menos, porque a focagem da Canon, é boa, mas é pouco larga...

pssss: acho que é mesmo tudo

Pic martelo: de uma qualquer gaveta de uma qualquer casa de um qualquer familiar


Pic mais crescida aqui



quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Por este ano tá feito!

Já está. Afinal não doeu nada. Quer dizer...não doeu muito, ou....podia ter doído mais, é isso.
O Natal já passou. As correrias, as fitas, as luzes, os presentes de última hora " Ah merda! Esqueci-me da Tia Antónia, e ela mandou cinco euros para cada um dos gaiatos!!!!", ou " Xiiiii, a Fulana deu-e isto! O que é? Sei lá "praquéque" esta coisa serve! Olha serve de certeza pra me fazer sair de casa, no dia de hoje só pra ir aos chinas comprar a troca!!!!"....e assim.

De resto tudo calmo. Jantar na casa da sogra, Missa do Galo (com um frio do coiso que nem o calor do Senhor conseguiu aplacar), e depois rumar a casa, lareira, chocolates, esfarrapar embrulhos, por entre "ohhhhs" e "ahhhs", excepto a "piquena". A tronga da gajinha precisa de ser limada e polida! É que não se deu por satisfeita com nada, NADA...a não ser uma carteira pequenina da Hanna Montana, uma porcariazinha....Já sei, já sei, mea culpa, mea culpa.
Entretanto, enquanto tudo isto decorria, o meu excelso marido andava às voltas desde as oito da matina com um pássaro, vulgo peru, singelo....pesou a ave galiforme 16 kilitos em bruto.



Na manhã de 25, lá se levantou o homem, quase de madrugada para enfiar o animal no forno.

Chegou a hora de almoço, e com ela a famelga toda, and i mean TODA!

Os manos, cunhados, sobrinhos, pai, sogra e mais alguns chegadiços, que isto cá em casa na hora da comidinha chega sempre mais um.

A típica mesa Alentejana, muita gente, vinte e um ou vinte e dois, nem sei bem, "munto" pão, "munta" comida, "munto" tinto e gritaria a rodos.

Toda a gente a falar ao mesmo tempo.

-É pá o cozinheiro é um mestre!!!! Isto tá mesmo bom!

- Porra! Belas azeitonas! O quêjo mole é donde? Bom, mêmo bom!

- Ê quero uma perna! Oh mãe ê quero uma perna, oh mãe ê quero uma perna!

- Não querias mais nada!!!!

- Oh mãe Ê quero mais!

- Ai essa cabra anda metida com o vidente!

- Vê lá tu! Um dom! Um dom tem ela na.......

- Oh mãe ê quero a sobremesa, oh mãe, etc.....

Isto tudo, ao mesmo tempo.

Claro que houve um ou outro sopapo "Cala-te!!! O cabrão do gaiato nã se cala!!!!!" toma, um cachação. "Olha lá que estás a entornar a canja pra cima de ti, meu estupor!" toma, uma orelhada

And so on and on and on and............

Lá fora era o diluvio, o que deu azo a que a confusão de assuntos e conversas e coisas dessas se tornasse dolorosa, quase quase a roçar o limite da paciência de algumas pessoas(eu).

Finalmente, e aqui sim, com muita educação: "bora lá beber um café", traduzido à letra: "vamos lá a desamparar a loja que eu tenho mais que fazer!".

Debaixo de uma chuva bíblica, lá foi o cortejo, a correr para dentro dos vários carros, em procissão por todo o Reguengos, em busca de um café aberto no dia de Natal, ou seja, mais ou menos o mesmo que procurar uma nota de 50 euros na minha carteira (ou até de vinte....).

Depois de muito esforço, depois de duas voltas à vila (que por acaso até é cidade) lá encontrámos o tal do café aberto...a Pizzaria que fica aqui atrás de casa....
O bom da coisa é que depois desta demanda pelo café, as pessoas (quase todas as pessoas) voltaram para as suas casinhas. E agora vocês perguntam. O Bom? Mas e então quem te ajudou com as louças? E com a arrumação da casa?

Ninguém, respondo eu! Mentira, fui eu e o meu esposo, os dois side by side, cansados, sim, mas felizes da vida por ver pelas costas aquelas visitas todas.

Há quem diga que as visitas são como o peixe, ao fim do dia já cheiram mal.....verdade, oh Deus que verdade. Aliás nem precisa de chegar ao fim do dia.

Agora já passaram uns dias, até o peru já acabou, sim, porque nem preciso de vos dizer, que as refeições têm sido muito variadas, especialmente na forma, rissóis, empadão, caril, mas muito monótonas na espécie....peru.

Acabou-se o Natal! Viva o Natal.

Não ainda não acabei. Desculpem lá, mas não podia passar sem vos contar. É que recebi um presente tardio de Natal. Pois foi. Este presépio tão lindo, que curiosamente, no lugar do usual burro, tem....um porco e um galinha. Pareceu-me bem.


Quem mo ofereceu, foi uma e-friend (minha e vossa) a quem já decidi há tempos retirar o e-.

Parece então que a moçoila, fanou, limpou, subtraiu, rapou, arrebatou, ou falando português claro: roubou o dito presépio da loja.....da mãe.

Como se não bastasse, ainda me aventou com o dilema "quero ver o que vai agora fazer uma católica como tu, com um presépio roubado por uma herege como eu!"

Ora o que é que eu vou fazer?

Este ano já não vou fazer nada. Já o guardei bem guardadinho, porque a "piquena" ficou muito entusiasmada com os "bonecos", mas no próximo Natal, estará a decorar um qualquer lugar desta casa.

Essa coisa dos roubos e culpas, desculpas e assim, não é decididamente o meu departamento, mas... por sim e por não já rezei uma Avé Maria por ti. E um Pai Nosso. Mais não posso fazer, e não devolvo presentes, ainda por cima tão lindos!

Tu e Ele que se entendam!
Pics cá de casa

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

B A = BA



Isto no carro.


Ele (o rapaz)- Como é que se escreve querida em inglês? (o telemóvel a postos)


Ela (a rapariga mais velha) - Depende, há muitas palavras para o mesmo. Podes usar a que quiseres, darling, honey, sweety, baby.....


Ele - O.k......


(pausa)


Ele - O que é isto? - mostra o telemóvel à irmã (claro está sem o largar da mão dele)


Ela - My God! Handsome! Não sabes o que quer dizer? Mãe, olha-me pra esta! Está a chamar-lhe handsome!!!!!


Eu - .... ele é giro...


Ela - (muito indignada) A estúpida é da minha idade!!!! (mais dois anos que Ele, portanto)


Ele - Vão pra França e depois pra Inglaterra...diz que me vai trazer um presente....


Ela - (quase a espumar) Mas tu! Primeiro uma irmã agora a outra!!! Ao menos a primeira era da tua idade!


Ele - O que queres .... (um sorriso muito elucidativo, claramente : "que culpa tenho eu de ser tão apetecível!")


Ela - Coitadinho..... (escárnio . . . mais ou menos no tom: Morre deficiente!!! AGORA!)


Ele - Vou dizer-lhe que quando ela vier lhe ofereço um perfume...


Eu - Pois claro que ofereces! ( entre o incrédula e o enfurecida)


Ela - Mas se tu não tens nada com ela!!!!!!!!!!


Ele - Mas é o passo que preciso pra vir a ter.....


O Pai - (sorriso muito elucidativo, claramente : "o gajo faz-se!")



Pic by: um lugar qqr na net que eu n sei onde

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Anda cá que eu dou-te o trauma...




Nos tempos que correm, é corrente passe a redundância, falar de traumas, recalcamentos, depressões e afins. Estas palavras, podemos dizer, "abancaram" nas nossas conversas mais banais, " não digas isso à menina, ainda lhe arranjas um trauma prá vida toda!", ou "por causa daquele professor, ainda acabo cheio de recalcamentos", ou " esta vida é tão stressante que mais dia menos dia estou com uma depressão em cima da espinha..." e podia continuar com os exemplos até ao sol posto!

Ora não me lembro de ouvir a minha mãe usar nenhum destes termos, e se ela trabalhava de sol a sol, com três crianças às costas e um marido, apaixonado é certo, mas como era da praxe, totalmente incapaz de levantar o rabo da cadeira, sequer para ir buscar um copo de água.

Quando eu andava na primária, tive um professor daqueles à moda antiga, MESMO, a malta ia em fila indiana mostrar os ditados, uns tremiam, outros choramingavam, outros ainda arrastavam-se passo a passo numa espécie de transe, enfeitiçados pela régua de madeira de 50 cm que estava pousada ao lado da mão do professor. Aquilo não era trauma, não senhor! Aquilo era medo puro! Mais tarde veio um professor mais moderno, que substituiu a régua pelo pau do xilofone (o pau há-de ter um nome, mas eu não sei, e também estou pouco interessada). Facto é, que o medo continuava, e a dor era ainda pior...

Crescemos todos, uns fizeram mais pela vida, outros menos, uns tiveram mais sorte (sim, também é preciso ter um bocadinho de sorte), outros nem por isso; que me lembre nenhum seguiu a carreira do ensino, mas fora parte esse facto, somos pessoas perfeitamente vulgares, que encaixam salvo algumas arestas, nos parâmetros estabelecidos.

Depois da primária, seguiram-se outros professores, muitos outros, uns mais liberais, outros completamente reaccionários, alguns modernaços e porreiros, outros aborrecidos e cinzentos (se a palavra trauma tiver alguma serventia é aqui, os chatos podem ser traumatizantes, confesso...).

Existe uma dificuldade crescente em lidar com pessoas de uma maneira geral. Então com crianças e/ou adolescentes sente-se quase um medo latente. Chegou-se ao ponto de levar literalmente os miúdos ao colo, no que concerne aos estudos. Os chumbos, lá está, são traumatizantes e deixam marcas inultrapassáveis nas crianças...pois sim. É preferível, parece que é até desejável, que cheguem ao 12º ano sem saber peva de português! Serão muito melhores pessoas, estas nossas crianças, que não podem sofrer o derrote de um ralhete, coitados, não vão ficar irremediavelmente desajustados...

Trauma, recalcamento, stress, esgotamento, depressão? É passar fome, meus amigos, é a guerra, é a falta de respeito dos nosso governantes por nós, é a displicência com que tratamos o ambiente! Não é certamente um tabefe bem aplicado no momento certo, não é certamente um dia com horas a menos para as catadupas de afazeres, não é concerteza o colega burro aqui ao lado que se ri de tudo e de nada.

Não querendo ser redutora num assunto tão sério, cá em casa, trauma é abrir o armário da cozinha, e o pacote das bolachas de chocolate estar vazio, um stress do caraças é o Meo não ter gravado o Dragon Ball Z até ao fim, uma depressão de ir às lágrimas é descobrir o que argumentar daqui a oito dias quando as pautas das notas vierem à luz...

Por tudo isto, e mais algumas outras coisinhas de nada é que eu, se me permitem, não abdico do clássico, "levas uma latada que te viro a cara pró cu", ou ainda o intemporal "dou-te um murro no meio dos olhos que nunca mais precisas tirar os óculos pra dormir!"

Tenho dito

Pic by Lenore

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Tea Time e olho vivo!



O tempo arrefeceu mesmo! Upa upa que hoje está aqui um briol, que nem vos conto.
Tempo frio o que é que pede?
Tal e qual. Chás quentes, chocolates fumegantes, cafés escaldantes e cookies, muuuuitos cookies.
Para os mais distraídos, trata-se de uma espécie de bolachas com pedacinhos de chocolate lá dentro.
Ultimamente tenho assado toneladas destes pequenos pedaços de paraíso. Receita dobrada, sempre, não podia ser de outra maneira. Quer dizer, poder podia, mas as trombas eram diferentes com toda a certeza.
Vai daí que são umas noites muito animadas estas das bolachas, senão vejamos:
a) a receita dobrada dá aproximadamente 50 bolachas
b) o meu forno, é um normalíssimo forno doméstico, dá para um tabuleiro onde cabem 9 bolachinhas de cada vez (não se pode facilitar, senão fica tudo pegado e apesar de se comer, claro, fica com um aspecto de fugir);
c) temos assim, cerca de 6 tabuleiradas, se o tempo de cozedura calculado for de 15 minutos, mais coisa menos coisa, por tabuleiro, só para assar é pelo menos hora e meia, mais 20 minutos de preparação e outros 20 de limpeza.
d) durante este tempo todo, não há a mínima hipótese de sair de perto do forno, nem muito menos do perímetro de segurança onde vão sendo colocados os bolinhos acabados de sair do quente. Cá em casa há mãos, olhos esbugalhados, e bocas a salivar que aparecem de tudo quanto é canto...
e) no final das contas (as bolachas são contadas a cada rodada que vai sendo colocada nas travessas, não se vá dar o caso de desaparecer alguma pelo caminho, porque aqui é tudo gente destemida que não vira as costas a queimadelas, ou se acobarda por alguma dor de barriga), no final das contas dizia eu, fico embevecida a olhar para o resultado, lindas, cheirosas, macias, hummm a cozinha fica com aquele calor açucarado
f) não me perguntem se as ditas bolachas se podem guardar, nem por quanto tempo. não faço ideia. Se conseguirem passar a noite em segurança, já é um pau!
Se quiserem experimentar na paz das vossas casas, cá vai:
250 g farinha de trigo
100 g açúcar branco
100g açúcar mascavado
2 ovos
2 gemas
150 g manteiga sem sal / margarina
1 colher sopa fermento
1 colher chá extracto baunilha
200 g chocolate barra
A manteiga deve estar à temperatura ambiente, bate-se com o açúcar, juntam-se os ovos e as gemas um a um, a baunilha o fermento e a farinha a pouco e pouco. Por fim o chocolate partido aos pedacinhos não muito pequenos. O chocolate é à vontade do freguês, pode ser de leite, pode ser chocolate preto, chocolate branco, ou até mesmo uma mistura dos três. Também ficam muito bem frutos secos para quem for apreciador.
A consistência das bolachas, é um bocadinho diferente consoante se use manteiga ou margarina, mas igualmente booooa.
Coloca-se uma folha de papel vegetal no fundo de um tabuleiro, e com duas colheres de sopa formam-se bolas, mais ou menos do tamanho de uma noz (se quiserem maiores, estejam à vontade).
Em menos de um abrir e fechar de os olhos têm uma fornada de bolachinhas de comer e chorar por mais. Juro!
Picz by me

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A gruta dos Morcegos


Não me considero uma pessoa demasiado conservadora. Tenho dias é certo. E também dou a mão à palmatória, provavelmente, já fui um bocadinho mais open minded. Quando eu era uma miúda de 15 anos, já nessa altura, no século passado, em plenos e drásticos anos 80, o facto de usar uma camisola ou um par de calças pretas era um passo para o sucesso limpinho e sem espinhas. A malta ficava com aquela áurea de rebelde. E então se se tivesse peito para conjugar a fatiota com um penteado radical, oh pá isso era o máximo!Claro está, que jamais em tempo algum, a minha mãe, que coitada era uma santa, e confesso não me contrariava em praticamente nada, jamais dizia eu, poderia sair à rua com a receita completa, ou seja camisola+calças pretas. "Tira daí o sentido! Morreu-te alguém? Um dia que tenhas que fazer luto, se calhar não fazes!" Tinha razão. As mães têm muitas vezes razão.

Agora, dobrado que está o século, quebradas que estão todas as barreiras (ou quase), eis que tenho dentro da minha própria casa uma "corja" de morcegos! Tá certo, não posso negar, o preto tem um ar cool, um quê de arrogância, um quê de "eu sou o maior", compreendo que, especialmente os mais velhos estejam a escalar as escarpas da auto-afirmação, nos dias de hoje tão física, tão visual, tão etiquetada, mas porra, esta gente começa a parecer-se com um filme dos irmãos Lumiere!

Os adolescentes adoptam com a maior das facilidades todos os rótulos que lhes mandem pra cima, desde os mais usados e gastos, tipo gótico, metal, punk, até aos mais modernos ( que são basicamente a mesma coisa, mas com outro nome qualquer) tipo Emo, Trash Metal, Neo-Punk, Folk Metal, lolita e outros tantos que me passam a 100 à hora e saem ainda mais depressa.

Isto tudo para dizer que tenho os roupeiros atulhados de lutos vãos, casacos, meias, camisolas, calças, tud0 TUDO!

O branco também é admitido! Os padrões, muito originais, xadrez preto e branco, pintinhas pretas, bolinhas brancas, riscas, o que for, sempre nesta dualidade, que pode até ser muito in, pode até ser um manifesto de personalidade, mas é monótono...chato...aborrecido...

Ah, mas há mais. Os acessórios. Pois, os acessórios. As pulseiras de picos, as correntes, o lápis kajal....preto, o verniz de unhas....preto, os colares com caveiras, os lenços com caveiras, as malas com caveiras, muiiiiitos Jacks Skellingtons, e assim...

" Olha, L. tás a ver, este casaco é o máximo!....", ".....mãe...? (o tom é de incredulidade e desprezo a um tempo só) isso é azul!", ou então "Z., adoro este polo, vou levar pra ti. :D", "nem penses!!! Oh mãe isso é totalmente beto (coisa que eles não podem ser...acho eu...)!(outra vez o olhar.....)

"Linda, anda cá ver! olha tão giro, E. ias parecer uma princesa, vês! cor-se-rosa.."....."mãe....eu detesto cor-de-rosa....quero aquela saia preta ali!" (o dedo em riste. Sem opção de resposta, pego na saia preta e vou pagar.)

É mais ou menos assim, de cada vez que tento comprar roupa com algum dos três.

Já me esquecia. Os sapatos. Quer dizer, o calçado, que sapatos propriamente ditos, só mesmo os da farda, mas já lá chego. Botas de biqueira de aço e ténis pretos estão sempre na ordem do dia.

Claro que depois há toda uma iconografia ao redor desta escuridão, que tem que ser venerada. Músicos que já morreram estão em primeiríssimo lugar, claro está que se cometeram suicídio estão muito acima na escala. Pronto, coisas importantes.

É um espectáculo interessante de se ver, quando eles saem daqui de casa em bandos, com os amigos, uma "morcegada" completa, todos de preto, as correntes, os picos, os "gaijos" mortos nas t-shirts, uma alegria...

O mais giro de tudo isto, especialmente para quem assiste ao making of diário destas personagens de "banda desenhada", é o fim de semana. Os meninos, bem comportados, enfiam a farda dos escuteiros (ahhh poizé), calçam os mocassins, e lá vão a caminho da missa, ou das actividades escutistas habituais. Ele, o rapaz, inclusive, veste a alva para acolitar aos Domingos.

Eles próprios também se divertem com a distância de posições. Como eles costumam dizer à laia de brincadeira: " Iá, bora lá partir a igreja, e os crucifixos e tudo .... mas espera lá, primeiro temos que ir à missa."

Nada a dizer, são felizes, entre o branco e o preto, entre o ser e o querer ser.


Pic by Meldevespas

 

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