quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Todos um boomm Nataaaalll llalala

Personalize funny videos and birthday eCards at JibJab!



Bêjos e abraços para todos!
Staring: Familia Fernandes

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Le plié*...



No Sábado passado, foi a apresentação de ballet da mais pequena. Uma azáfama, levantar a correr, correr para o ensaio, e a chuva e o frio, e o penteado, e os ganchos e o choro e eu já a destilar raiva logo de manhãnzinha. Um frenesim, para uns 8 ou dez minutinhos de glória no palco improvisado da sociedade recreativa onde as etéreas bailarinas mal podiam abrir os braços. Lindo...

Lá foi a família em peso ver a pequena "Margot Fonteyn ", tudo muito compenetrado do talento inato do rebento.

Eu de boca aberta, os olhos húmidos, a emoção a explodir num sorriso parvo a olhar aquele anjinho todo de rosa, que mais parecia um marshmellow!

O pai, ao meu lado, suspirava. Diria eu que de orgulho, tipo "estão a ver aquela ali no meio, a mais gira de todas? é a minha!" e assim...

Terminada a sessão, os aplausos, os agradecimentos, "correu muito bem, que lindas meninas, são tão graciosas, a sua menina portou-se lindamente", teve lugar um lanchinho, assim a modos que uma espécie de brunch de pacote, toma lá uma bolacha e toca a bazar que tenho mais que fazer, e enquanto isso, " ahhh sacaninha que entornaste a garrafa do sumo!".

Já cá fora, sentados à mesa do almoço, claro comentado os dotes artísticos da rapariga, até porque além do ballet, ela também cantou no Coro Infantil e tal, o papá querido sai-se com esta:

"a cantar até se safa...agora a dançar, está mais para a galinha de campo no charco, do que propriamente o cisne no lago, no entanto há que persistir, claro..."

E foi assim que aquele tirano destruiu ali mesmo todos os Meus sonhos de palco e ribalta e luzes e primas-donnas e tudo e tudo. Ela, a gaiata engasgou-se de tanto rir...

Calculo que o futuro das aulas de ballet, esteja traçado...
*PLIÉ – Dobrado. Flexão dos joelhos. Primeiro exercício da barra

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma questão de Tomates


Isto de viver no campo é um espectáculo!

Deveras! não julguem que o estou estou a dizer com conotações irónicas e/ou ácidas, não senhor, nada disso.

A proximidade com a terra e os bichos e o nada, faz-nos observar com mais atenção todo e qualquer movimento. E acreditem, há dias em que isso do movimento é uma coisa difícil de detectar.

Esta manhã assisti a um episódio que até agora não me sai da cabeça.

Vinha eu no meu maravilhoso Dácia Logan, cantarolando ao som do último cd do Glee, acabadinho de "comprar", entro na minha aldeia, e...um engarrafamento. Um engarrafamento? Sim. Um engarrafamento.

Ok, seriam uns dois carros, a contar com o meu, em espera à esquina da Sociedade Recreativa. O transito completamente parado.

Quando finalmente consigo curvar, de forma a ficar com o meu campo de visão mais ou menos desimpedido, eis que vejo, uma camioneta pequena, que carregava com uma retroescavadora enorme. A pá da retroescavadora tinha ficado presa nas iluminações Natalícias que os corajosos e aguçosos trabalhadores camarários andavam a colocar àquela hora da manhã.

Vai daí, que, de dentro da camioneta, sai uma mulher aí com os seus 45 anos (digo eu, assim pelo aspecto, mesmo sabendo que não se deve julgar ninguém pelas aparências), salta para cima da caixa de carga, e trepa pela cabine da retroescavadora, até, num equilíbrio periclitante conseguir passar o fio por cima da pá.

Cá em baixo, uns bons metros abaixo, como podem calcular, estavam os muito zelosos funcionários camarários, de boca aberta a segurarem um fio cheio de lâmpadas pintadas às cores (trabalho dúrissimo, atenção!), e mais uns quantos desocupados que já vinham do bagacinho, todos ali especados a observar as acrobacias mesmo ali em frente dos olhos deles.

De salientar que o condutor da camionete, também ele assistiu pelo espelho retrovisor, ao esforço da mulher, impávido e sereno. Penso que seria o marido, e penso também que ela esta noite em agradecimento devia ir dormir com o vizinho. Literalmente.

Temi pela integridade física daquela mulher de tomates, e tive dó daqueles homens todos que pelo menos naquele momento perderam os deles.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Me, Myself and I



Vá lá João, sempre vou responder a este repto, que é assim uma espécie de mea culpa misturado com vaidade e temperado com amor e raiva.


Cá vai então o sete vezes sete:




7 coisas (que eu queria) fazer antes de morrer




- ver os meus filhos crescidos e felizes


- escrever um livro


- livrar-me dos óculos :DD


- viajar um bocadinho mais (mas nada que implique aviões...)


- mimar-me mais


- envelhecer com o meu homem :DD


- encarar o fim com uma certa classe




7 coisas que digo diariamente




- parem de me chatear!


- por favor, eu só peço um minuto de sossego!


- já vou chegar atrasada!


- não gostas? comes menos.


- coisa mais linda!


- desaparece!


- isto não é normal!!!


(monótono eu sei.....)




7 coisas que faço bem




- lombo de porco com laranja


- bolos


- beijos


- zangar-me


- falar alto/gritar


- o meu trabalho


- filhos ;DDDD


(a modéstia, ai a modéstia)




7 defeitos




- guardo rancor quando sou "trilhada", e isso é uma coisa que me incomoda e com a qual luto ferozmente


- raramente consigo estar ou ficar calada, e como se diz cá na minha terra, "ovelha que berra, dentada que perde"


- sou pouco ambiciosa, e por isso demasiado acomodada.


- quando gosto, gosto muito, quando não gosto... é fugir


- sou de guardar para amanhã o que devia fazer hoje


- sou absoluta e completamente hipocondríaca ( e a idade não ajuda...)


- às vezes tenho a mania de me armar aos cucos (entendam como quiserem)




7 qualidades


(uiiii agora é que é)




- sou amiga


- sou transparente


- acho que sou boa ouvinte


- sou um monstro na hora de defender os meus (sim isto é uma qualidade)


- fidelidade e igualdade são palavras de ordem


- sou idealista (é uma estupidez para uma pessoa da minha idade, mas sou.)


- a minha fé




7 coisas que amo




- os meus filhos


- o meu "home"


- os meus livros


- cinema


- escrever


- comer


- "laurear a pevide" que é como quem diz "andar com ela de fora", que é como quem diz "não parar nos ovos"




7 coisas que odeio




- estupidez


- erros de português (falado ou escrito)


- hipocrisia e demagogia


- má literatura (eu sei que é muito subjectivo, que o que é para mim não é para outros, mas é uma coisa que me dá "comichões")


- música e intérpretes maus (idem aspas)


- o calor abrasador de Agosto


- não saber o que fazer para o jantar/almoço (sim eu sei, sou uma rapariga muito prosaica).




E pronto! Afinal não doeu nada. Peço desculpa de algumas das repostas serem vagas, mas foi o que se arranjou.

Outro problema com que me deparei para responder, foi o facto de em alguns pontos, sete escolhas serem de facto muito poucas, como por exemplo nas minhas qualidade, e/ou nas coisas que sei fazer bem, mas enfim, há-que respeitar o que nos é pedido.

Como sei que há muita gente que não gosta de desafios e afins, deixo o convite a todos os senhores e senhoras que estão devidamente assinalados aqui na barra lateral, como sendo os meus preferidos, para responderem e mostrarem a v/ verdadeira raça.
(e sim, sou eu na fotografia)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Crescer



Com este tema, corro o risco de sair daqui um poste lamechas e constrangedor, mas perante o desafio da Fábrica para este mês, é incontornável que me lembre da minha mãe.

Parece coisa banal, afinal todos temos uma, e eventualmente todas nos tornamos uma também.

Mas não é exactamente assim. Para mim não.

Perdi-a há dois anos e meio. E só nesse dia me senti "crescida". Não tem nada a ver com recalcamentos de nenhuma espécie, nada disso, apenas me senti pela primeira vez realmente sozinha. Uma mãe é um elo que nos transcende, uma raiz, uma bússola. E eu senti-me sem norte. Mesmo no meio de tanta gente, mesmo no meio dos meus próprios filhos.

Ela não era letrada, aliás fez a quarta classe já depois dos três filhos, não tinha nenhum tipo de especialização a fazer o que quer que fosse a não ser aquele: ser mãe.

Ria-se das minhas façanhas, temia pela minhas inquietações, ouvia-me até à exaustão, bebia com desmedida vontade tudo o que vinha de mim. Sempre fui a Carminho nos momentos bons e a Maria do Carmo quando as coisas azedavam, e não eram poucas as vezes que o "leite se entornava". Como nunca fui para longe, o corte do cordão simplesmente não aconteceu. Ela estava sempre ali. Para mim, depois para os meus filhos. Posso afirmar até, que só sentia os meus filhos em absoluta segurança quando ficavam à guarda dela, dos seus cuidados e das suas mãos.

E tinha confiança em mim. Muito mais do que aquela que eu merecia. E achava-me o máximo (isso é capaz de ter deixado sequelas graves) e enchia de paz e conforto todo o sitio onde entrava.

Talvez por tudo isto, só no dia em que a perdi, senti que perdi também a última réstia da criança que ela gerou e criou e amou.

Também por isto, tenho a certeza que os nossos filhos, os meus e os vossos, apesar de ventos e tempestades sentirão esta ligação que não se vê, mas que é a maior das certezas.



Fábrica de Letras - Desafio Dezembro/10

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

75

Como diz o poeta "façamos o ponto e mudemos de assunto, sim?"
Hoje é dia de dedicatória. Ontem Woody Allen completou 75 anos. Ele que é um dos realizadores/argumentistas mais dotados e geniais que a meca do cinema já conheceu.
Pela parte que me toca, proporcionou-me horas e horas de puro prazer, de um humor corrosivo e inteligente, de uma verborreia desconcertante.
Seja num registo mais intimo como em Alice, ou September, seja num outro muito mais humorístico como Small Time Crooks, ou Deconstructing Harry, seja ainda pela forma única como retrata a relação entre duas pessoas e/ou consigo mesmo, este "jovem" é dos maiores dos meus vícios.
Fica aqui só uma amostra, esta opening do Annie Hall. Ele estava nos seus "early forties" e falava nisso mesmo. Soberbo!
Parabéns e uma vénia.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os aparelhos




A mais nova está no 3º ano, e nesta altura do campeonato está a dar o estudo do corpo humano. Matéria muito interessante, é certo, e que a mantém absolutamente fascinada.

Todas as tardes, as aulas são passadas e repassadas: "mãe sabes para que serve o coração?, e sabes qual é a diferença entre uma veia e uma artéria?, Leonor, aposto que não sabes a função do estômago!, Zeca tu que não percebes nada disto diz lá o que se forma na boca quando a gente come?, e as simpatias continuam em crescendo (até ao final costumeiro que são uns quantos berros da minha parte, e umas portas a bater...bem sei invariavelmente as coisas acabam assim cá por casa...).

Os aparelhos respiratório, circulatório e digestivo lá vão ocupando as tardes, provocando voltas e mais voltas no estômago da minha pessoa, que sempre sentiu uma ponta de aversão por estas questões científicas. Um bocadinho de nojo até, mas enfim, vou acenando, que sim senhora, que muito bem, que é pá já sabes isso na ponta da língua não queres ir ver a Hanna Montana? (não convém estimular em demasia a inteligência das crianças, até porque a seguir dos aparelhos chegam as músicas de Natal, e depois a coreografia das mesmas e uma pessoa tem coisas pra fazer, tipo jantares e assim).

Ontem o jantar não correu tão bem como habitualmente. A rapariga deu o aparelho excretor, e fez questão de o explicar em pormenor a toda a família, naquele momento diário de partilha que é a mesa.

Foi bonito.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sexo

élá!!!!


exactamente! hoje é isto, e explícito!


Não consigo transcrever o enfado com que os dois mais velhos recebem as aulas de educação sexual. Como toda a gente que sabe, quando se tem determinada idade a malta pensa mesmo que sabe tudo, e não precisa saber mais.

(eu, que já estou a fazer o caminho de volta, também já tendo a pensar assim)

As minhas abordagens a este tema com os miúdos, não são de forma alguma exemplares. A coisa passa mais por ir largando bombas, na maior parte das vezes com um cariz mais para o irónico e tal. Tenho as minhas próprias correntes, as minhas próprias camisas de forças que me foram vestidas de pequenina e que eu fui apertando com o correr dos anos. A diferença é que sei que existem esses condicionantes. Sou uma bota de elástico, admito, e apesar das minhas guerrilhas, este é um tema difícil. Há quem fale muito abertamente dos factos, coloque na mesa todas as cartas, até admiro esse tipo de conduta, mas decididamente para mim não.

Provavelmente há em mim uma série de puritanismos que me impele a agir de determinada maneira, sempre tentei incutir tanto na rapariga como no rapaz o respeito pelo corpo como um templo que é, e o respeito também pelo outro.

Claro que dito assim parece mais uma aula de catequese do século passado, mas, há sempre um mas, há momentos em que é preciso usar de alguma seriedade.

Coisa que não acontece a maior parte do tempo...

Para mim seria impensável andar a sondar o pessoal sobre as suas experiências "fisicas", é óbvio que me preocupa, por tudo o que daí pode resultar e em última análise por um ciume visceral impossível de reprimir, mas deixemos isso.

Ontem lá vinha a mais velha completamente injuriada da aula de ES. O tema "a homossexualidade". A rapariga vinha a bufar de raiva, desconsolada com tudo o que lá tinha ouvido pela boca dos seus colegas rapazes e raparigas, pérolas do tipo "é uma doença", "é uma doença contagiosa", "eu não concordo com os homossexuais" e por aí adiante.

Cá dentro fiquei a abarrotar de orgulho pela reacção dela, pela inteligência que a impede de confundir crenças religiosas e liberdades pessoais. Pensei que talvez eu tenha tido parte na formação daquela opinião vincada, talvez haja ali um dedinho meu naquela quase mulher que empina o nariz e fala e acima de tudo pensa.

Depois conversa puxa conversa, veio o estigma da gravidez na adolescência à baila, e ele, o rapaz, perguntou-me no gozo se eu o ajudava a criar o filho que esperava. Lá lhe disse que quem os fizer que o crie, e que para fazer filhos é preciso saber como, onde é pra encaixar a peça e etc. Perante as gargalhadas da irmã e não querendo ficar mal na fotografia, a resposta veio rápida, que ela (a consorte) não se tinha queixado muito apesar das dimensões fora do comum do seu membro viril e blá blá blá...

Então perante tal informação perguntei-lhe: quem é que não se queixou? a direita ou a esquerda?

Ficou de boca aberta, o quê? agora não percebi...



PS: roubei a ideia do titulo ao Salvador, até porque hoje de manhã quando aqui cheguei três dos meus seguidores tinham dado ares de Vila Diogo, ou de frosques como quiserem, e isso deixou-me um bocadinho magoada.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Incompetências


Ontem, reunião escolar intercalar do rapaz.

Em quase nove anos de vida académica, mais os três de treino na pré, foi a primeira vez que ouvi a melodia tão ansiada e constantemente adiada: o rapaz tem apresentado melhorias ao nível do comportamento que são assinaláveis, já não chora e mesmo o professor x e a professora y, que já o conheciam de outros anos, estão muito surpreendidos blá blá, e o aproveitamento é também reflexo dessa melhoria blá blá.

Nem sei se foi bom o que ouvi. A sério! Fiquei de pé atrás, não há como não ficar. Uma tradição não se quebra assim num abrir e fechar de olhos de dois mesitos, hummm o gaijo deve andar prá tramar...

No outro lado da sala, a mãe do aluno mais brilhante do grupo, o mais brilhante desde sempre, e a todas as matérias; ouve da Directora de Turma que o filho tinha descido um pouco as notas, e que provavelmente haveria alguma coisa que o andaria a perturbar blá blá. A mãe de imediato respondeu que sim, que tinha havido um motivo, mas que já tinha sido identificado e resolvido ponto final.

E foi neste momento que uma parede me caiu em cima. Não literalmente, calma! Mas houve ali um clique. Então eu ando há 9+3 anos a ouvir a mesma música uma e outra vez, vou pra casa num pranto depois de cada reunião, grito que faço e que aconteço e que nunca mais, de dedo e braço em riste, e tudo, e depois vem uma tipa destas e assim com um sorriso Giocondico, uma voz compassada e sem admitir mas; vem esta fulana dizia eu, apregoar que detectou o problema e até o resolveu e está!?

Mas que merda de mãe sou eu!?

Uma pessoa vai, até ouve coisas boas do nosso educando e tudo, e depois toma lá que já almoçaste! Vê se pões aqui os olhinhos filha! Que deve ter sido mais ou menos o que a mãe em questão pensou. De mim e das outras otárias todas que lá estavam a salivar perante tanta competência numa só criatura.

Nestas alturas tenho vontade de ser violenta, e é aí que penso resignada que as crianças não saem às pedras...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quentes e Broas

Hoje é dia de S. Martinho. Dia de, diz o povo, ir à adega e provar o vinho.

É um daqueles dias em que sou acometida de uma certa nostalgia do antigamente. Verdade!

Neste dia, há alguns anos atrás, ao fim da tarde, depois do dia de trabalho, os homens enchiam as adegas, e muitos copos de vinho depois, enchiam as ruas de cantigas. A malta da escola, também se armava aos cucos e atrevia-se a entrar em duas ou três tascas pra molhar o bico e petiscar um chouriço assado ou umas azeitonas pisadas bem temperadas de oregãos.

Hoje a coisa é mais na base da "Festa da Castanha - com o Dj xxx, madrugada fora" e coise...

Lembrei-me de um texto que escrevi no Meldevespas, há já três anos, e que conta algumas coisinhas desses tempos idos, na então vila agora cidade de Reguengos de Monsaraz. Vão lá dar uma espreitadela faxavôr.

E como as tascas acabaram, as cantigas estão esquecidas, e a idade não perdoa, deixo-vos aqui uma receita, que vai bem com um vinho licoroso, mas também não se esquiva a um tintinho robusto, ou até quem sabe um copinho de água pé.

No meu caso acompanhei com chá e um livro, porque tenho "mau vinho" e não estou pra vir práqui fazer figuras tristes:


Broas de Cheiro


Ingredientes:


-Raspa de 2 tangerinas

-70 g de açúcar mascavado

-80 g de manteiga s/sal amolecida

-4 colheres de sopa de mel

-200g de farinha

-1 ovo

-1 colher chá de fermento

-1 colher café de canela

-1 colher café gengibre

- 150 g chocolate branco


A forma de fazer é sempre a mesma. Bater a manteiga com o açúcar e o mel, juntar o ovo e a raspa das tangerinas, em seguida envolver os ingredientes secos já sem bater e por fim o chocolate partido aos pedacinhos.

Fazer umas bolinhas do tamanho de uma noz, polvilhar com canela e levar ao forno previamente aquecido.
A consumir sem moderação.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Presunção e água benta...


"Oh mãe estás sempre a queixar-te das notas, mas eu explico: vê lá se entendes que eu sou intelectualmente perfeita! Mas tanto tanto tanto, que este tanto não cabe dentro de mim, que sou assim pequena e baixa, e transborda.

... e é só por isso que não consigo ser melhor. "


Palavras da mais velha.

Há gente que tem uma lata...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Oásis

O facto de viver no interior, mais precisamente no plácido Alentejo, não é só por si sinónimo de ter uma vida sossegada.
Lá em casa, com três gaiatos, marido e gata, a coisa não é simples. Muita testosterona destilada, muita tpm, muitas birras ainda e claro muitos miados.
E há ainda as coreografias que acompanham o som ambiente. Um bater de pé aqui, uns braços que se cruzam em ânsias ali, uma mão na anca em descarado despique e por aí adiante. Coisa animada, acreditem.
No meio de tudo isto não é fácil manter um nível de concentração saudável. Daí que tenha que ler na casa de banho, onde NINGUÉM tem ordem de me incomodar, e mesmo o simples acto de fazer almoço e jantar tem que ser executado a portas fechadas sob pena de deixar queimar o assado ou literalmente ficar o caldo entornado.
Como se tudo isto não fosse mais que suficiente para alimentar calóricamente o meu processo de envelhecimento, eis que a mais velha me apareceu a casa com outro gato. Olha mãe foi a prof de Psicologia que deu. Olha filha e se a prof de Psicologia fosse coitar outra!
No entanto, há sempre uma luz no meio da escuridão. O Tomate, nome do gato novo, é mudo meus senhores. O pobre do animal não emite um único som. Encontrei o meu oásis no meio daquela selva (sim também há oásis nas selvas): o Tomate. Perto dele o frenesim da casa esfuma-se.
Quer dizer... se não contarmos com o "pequeno" problema de flatulência que já lhe diagnosticámos, o Tomate é o gato perfeito.


Pic by: Leonor

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sho(R)t Cake



Isto de ter filhos tem que se lhe diga, e que o diga quem os tem.

Chega a uma certa altura da nossa/deles vida em que é necessário começar a cortar amarras, ir dando aqui e ali um voto de confiança. Desde já devo dizer que sou um bocado avessa a cortar seja o que for. Não sou propriamente aquilo a que se chama mãe galinha, sou muito mais uma espécie de mãe tirana. À pergunta, posso?, apetece-me sempre responder com um redondo não, e se não o faço mais vezes é porque ando a trabalhar num certo auto-controle que já percebi tenho que ter.

Ora na semana passada, o rapaz, pediu-me para ir à festa do Halloween, que era Sexta-Feira à noite, que era organizada pelos finalistas da escola, que ia com uns amigos, que certamente se ia portar bem, etc.

Achei que era melhor engolir o não, e lá lhe disse que sim senhor podia ir à festa. Que sim senhor podia chegar um bocadinho mais tarde, tipo duas da manhã, que não bebesse, que se portasse bem, e coise.

Chegada a Sexta-Feira o rapaz lá se aperaltou todo, roupa a estrear - fico bem?, estou o máximo, não estou? (sim, não é lá grande coisa em termos de modéstia...), e toca de ir prá festa.

Saiu de casa por volta das 11 da noite. O rapaz que não tem ainda os 15 anos feitos, é bom que se diga, e que as poucas vezes que sai, entra sempre às 11 e meia em ponto.

Levou a chave, muito inchado porque iria chegar a casa com o pessoal todo a dormir, a irmã mais velha nem sequer lhe apeteceu ir à dita festa.

Estava eu já "amandada" pra cima do meu sofá. A pequena a dormir, a mais velha a ler no quarto, o pai ainda a trabalhar, o relógio da sala marcava as exactas 12.22, assim mesmo, meia noite e vinte e dois minutos, a chave na porta. Uma tentativa, depois outra, uma terceira e abre-te sésamo. Já chegaste?? (eu incrédula), mmas pouco passa da meia noite! Eu a falar a caminho das escadas. Lá em baixo o rapaz despedia-se dos companheiros, assim um bocado a despachar (achei eu), espetou com a porta na cara de uma miúda que estava à espera de uma despedida mais elaborada coitada, e subiu as escadas a correr. Que sim, que estava giro, mas aborrecido, que não se fazia lá nada, que...e desatou a correr prá casa de banho. A próxima imagem que tenho é dele a "rezar", cabeça enfiada na sanita a despejar os restos de Haaloween. Oh pai, chega cá abaixo que isto é departamento teu. O pai veio. Foi buscar a máquina fotográfica e tratou de deixar para a posteridade a primeira bebedeira do filho. - homem que é homem aguenta firme, e voltou para o trabalho. Entre um vómito e outro, ainda teve tempo de mandar ao pai um olhar de ódio. Nessa noite houve mais duas rondas à casa de banho, parece que a festa teve encores, tipo só mais um, só mais um, só mais um.

O rapazote esteve menos de hora e meia na festa e bebeu dois shots e duas cervejas, o rapazote que não pode com um gato pelo rabo e outras coisas que não digo.

Mas pronto, não houve gritos (nem sei como), nem zangas.

Por minha vontade não põe os pés noutra festa antes dos 25 anos. O pai com a manais das condescendências acha que ele deve ir já na próxima, só pra ver o desfecho.

Na manhã seguinte, toca a levantar às 7 da manhã que era dia de acampamento. Levantou-se aos ziguezagues, tentou engolir o pequeno almoço e novo contra-relógio para a casa de banho!

Cara lavada, branco a fazer jus ao dia das bruxas, implorou-me: mãe fala com o chefe pra não apertar muito comigo hoje faxavôr, é que não me sinto lá muito bem. Tá bem meu amor.

Entreguei os três gaiatos, fardados e de mochilas às costas, claro chamei o chefe Nuno dos pioneiros para um pequeno à parte. Nuno, tu vê lá que ele está em processo de crescimento aperta com ele faxavôr.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O Choque


Há dias que uma pessoa o melhor que fazia era arranjar uma dor de barriga, e ficar em casa arrecadada.

Esta manhã fui com os dois mais novos caminho de Évora, para consultas de rotina e exames e porras que não interessam agora pró caso.

O galarote do gaiato, sentado ao meu lado, armado aos cucos, foi o caminho todo: vai mais depressa, já é tardíssimo, devíamos ter vindo mais cedo, é sempre a mesma coisa. E por aí adiante.

Eu lá fui fazendo ouvidos de mercador. Olhos postos no trânsito, e ouvidos no cd do Glee, cantarolando alegremente.

Chegados à cidade, outra vez a conversa: xiii olha lá as horas, estamos atrasadíssimos, vai mais depressa.

Neste momento, e àquela hora, até mesmo em Évora há bichas, coisas pequenas é certo, mas que nos obrigam a andar mais devagar principalmente na entrada das milhentas rotundas que fizeram nos acessos ao centro da cidade.

Vai daí que eu já estava a azedar, e viro-me pra lhe dizer que fazia melhor em estar caladinho, e truz!

....

....


espetei-me no veiculo da frente (gosto desta terminologia GNRistica, de veículo).

Vá lá, vá lá que a coisa até não correu pior. É que nem uma esfoladela em nenhuma das viaturas (outra vez a mesma terminologia-viaturas). Parei, como é da praxe, desci do carro, eu e mais o ocupante do veiculo da frente, lá observámos cuidadosamente, e o senhor, então minha senhora, de braços abertos como quem diz, então minha grande azelha, e eu, desculpe, distraí-me por um segundo, mas olhe não foi nada, tá a ver. Ele olhou outra vez, desconfiado, e lá assentiu.

Pronto. Toca a seguir viagem.

E o galarito mal entro, ponho o cinto e fecho a porta: então isso foi o quê? tem que haver mais atenção não é? - muito sério e compenetrado.

Apeteceu-me parar outra vez a "viatura" e sová-lo ali mesmo, mas só consegui articular: - Tu pára imediatamente de ser......homem!

Só depois me apercebi que já era tarde. Ele já é uma espécie de homem, já é um bocadinho mais que um girino, e triste fado, já lá tem tudinho o que um homem tem. Aquelas palavras especiais nos piores momentos, aquele dom para arreliar.

Não perdeu pela demora a amostra de gente. Mal chegámos ao consultório, que aliás estava apinhado de gente, e só assim em jeito de demonstração de força, atirei: - Querido, se quiseres ir fazer xixi vai agora.

Um homem não faz xixi, mija. Olhou-me de esguelha e riu-se. O cabrãozinho é esperto.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Sopa

Hoje não se trata de culinária.

Só venho apresentar-vos a nova inquilina cá de casa.

É a Sopa. A mini-gata.

Desde já passo a explicar, que o nome nasceu da necessidade de o gato Rex molhar o pão....na sopa. Coitado do gato que andava tão a perigo que um dia, há já longos 15 dias, não sei como, porque as medidas de segurança eram tão apertadas (pelo menos tendemos sempre a pensar que sim, pobres de nós), desapareceu para não mais voltar. Ora o gato, que era um siamês armado aos cucos cheio de mimos e escasso em recursos para encarar o mundo la fora, tenho a certeza, a esta hora estará a atapetar uma qualquer estrada das redondezas (e um rico tapete que ele dava com aquela pelagem tão lavadinha e suave e macia e chuif chuif tenho tantas saudades do órdinário do gato que preferiu a "liberdade/morte certa" ao regaço da família, estupido idealista).

Pronto, agora deixámo-nos de falsas burguesias e fomos buscar a Sopa. A Sopa não tem pedigree de espécie alguma, é uma cat-street à séria. A Sopa é um animal convenientemente preparado para a crise em curso. A Sopa não consome comida de gato, porque não gosta, e come tudo o resto como se não houvesse amanhã. A Sopa tem garra e luta por uma batata frita. A Sopa não está pra brincadeiras no que respeita à barriguinha, aliás, até nós, já estamos no papo.


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

É por estas e por outras.....



....que depois a malta não tem uma impressão muito boa deles.


Acho que já mencionei que vivo no Alentejo. No Alentejo onde a vida é calma, sem engarrafamentos, que não sejam uns quantos tractores no meio da estrada, sem filas de trânsito, a não ser na hora de deixar ou apanhar os miúdos na escola, que também é só uma para cada ciclo, sem stresses de maior, excepto a carga de trabalhos que é uma pessoa levantar-se da cama, enfim, não será o paraíso, mas é um descanso de vida.

Ontem à noite, eis que, por volta da hora de jantar, os meus "vizinhos" de toda uma vida (uma comunidade cigana que vive numa espécie de aldeia ali a menos de um km da minha casa; uma aldeia feita de propósito e à medida para eles pela autarquia) desataram aos tiros! E meus senhores, não foi um tiro nem dois. Foi um tiroteio. Ainda pensei "queres ver que alguém está a ver um filme de cowboys a esta hora e ainda por cima alto e bom som!". Mas não. Eram tiros, uns atrás dos outros. Lá recolhi os gaiatos para a cozinha, que fica mais longe das janelas da frente, não fosse o Diabo tecê-las, até a coisa acalmar.

Ao que parece tratou-se de uma peleja familiar. E estes "amigos", não estão com meias medidas, aiiiiii tás-me a chatear, pera lá que vou ali buscar a caçadeira de canos cerrados e dou três tiros pró ar q'até te borras todo...aiiiiiiiii.

Mas pronto, isto tudo dentro da maior das legalidades. Até porque calculo que eles tenham licenças de porte para todas as armas que dispararam, e prás outras que dão aos miúdos pra brincar e ainda prás que estão debaixo do colchão.

Foi uma noite diferente, deu direito a Levitan pelas goelas abaixo e tudo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Empreendedorismo



Fui à ortodontista com o meu filho. O rapaz tem os dentes todos tortos (todos temos lá em casa). Nem sequer foi bem uma consulta. " Veja la, Drª o que o rapaz precisa e quanto custa". Assim mesmo curto e grosso. A resposta veio na devida proporção " 850€ para baixo, 850€ para cima, mais as extracções que vão ser inevitáveis, e as consultas mensais enquanto usar o aparelho"...."ahh e tem que fazer estas radiografias panorâmicas. Com comparticipação, só mesmo em Lisboa, aqui em baixo não fazem, anda na ordem dos 70€ as duas".

Saí de lá perfeitamente elucidada. Falei com o meu marido, e parece que a única possibilidade de o rapaz pôr aparelho nos próximos meses, é mesmo eu e o pai abrirmos um negócio paralelo qualquer....uma coisa que renda bem e que não seja preciso uma pessoa colectar-se.

Assim de repente só me lembro mesmo de uma coisa...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Fé

é uma coisa muito séria, subvalorizada, e ao que dizem, nem que seja metafóricamente, move montanhas.


Pode ser que seja de mim, que sim, sou uma pessoa crédula e crente, mas acho que este ciclo todo sem fé, é assim uma coisa insossa.


Fé nos homens, ou em Deus, fé em nós e nas nossas capacidades.


Claro que a fé é o cordão umbilical da religião, fale ela a língua que falar, e isso não é impeditivo de ser também o motor, a turbina que faz andar em frente.


Não sou muito de baixar os braços, ou entregar os pontos, mas às vezes também calha. Confesso que não acho grande piada ao desfiar de queixumes diários de causalidades diversas, provavelmente vivo um bocado pelo lema do grande chefe gaulês da aldeia de Astérix, só tenho medo que o mundo me caia em cima da cabeça, mas amanha não será a véspera desse dia. Seja como for, sou uma pessoa de fé. Serei uma ingénua simplória de marca maior, mas seja.


Até porque neste território misterioso da fé, há muito que se lhe diga. Não é fácil acreditar. Já ninguém acredita, nem espera nada. Acho mesmo, que muitas vezes é preciso ter tomates para sequer admitir que se acredita, sob pena de se ser considerado desprovido de inteligência.

"E eu expliquei ao João, se Deus existisse já me tinha lançado um raio em cima porque estou a mandar bocas contra ele.(...)Onde esta Deus no meio disto tudo? é melhor que não exista. Porque se existir, então é um filho da puta. O João fugiu, tapando os ouvidos, com medo de ouvir mais heresias. (...) mas eram mesmo só bocas. Depois fui esconder-me para rezar e pedir perdão a Jesus Cristo pelas blasfémias proferidas. " Pepetela, in O Planalto e a Estepe
fé (latim fides, -ei)
s. f.
1. Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.
2. Testemunho autêntico dado por oficial de justiça.
3. Fidelidade.
4. Prova.
5. Crença

domingo, 3 de outubro de 2010

Vintage


Parece ser cada vez mais um conceito na moda. Vintage.

Agora a questão é, o que e mesmo ser vintage? , ou melhor, qual é a diferença entre velho e vintage?

Se estivermos a falar de um bom vinho, a coisa percebe-se, especialmente se for um vinho que saiba envelhecer, sim porque há alguns que nascem pra ser jovens e finam-se pouco depois. Se se tratar de uma bolsa, ou de um vestido, também acho que consigo identificar o gene vintage. Uma determinada estampagem, ou corte, uma determinada frase, a evocação de um qualquer ícone já morto e enterrado, as incontornáveis pin-ups. Na música, por exemplo, também não é difícil! Há uma certa sonorização que nos catapulta para o conceito sem espinhas, a voz do Sinatra, do Gene Kelly, da Judy Garland, do Nat King Cole ou uma dança do Fred e da Ginger...

Agora o que me inquieta é saber se uma pessoa também pode ser vintage, quer dizer, uma pessoa viva e que não seja, nem tenha aspirações a ser ícone de espécie nenhuma. E uma dúvida que me assola, a sério!

Por exemplo, sabes que estas a envelhecer quando os teus filhos começam a dar desculpas para evitar a tua presença ou aparição nos lugares que frequentam. Nem que seja a porta da escola, na hora da saída. Ou quando te olham de lado quando cantas uma canção ainda mais velha que tu (ontem a tarde estava a ver The man who knew too much do Hitchcock, e não pude evitar de cantarolar em uníssono com a Doris Day o Whatever Will be, e juro que houve uns "ai meu Deus, e "o que e isto!!!", e coise, e tenho a certeza que não foi pelo facto de eu estar a cantar, mas sim por estar a cantar aquilo...). Aí tens a certeza de que já estás em outro patamar, estás a bem dizer em queda livre, pelo menos é isso que os viventes abaixo dos .... vá 25 anos pensam.

Não sei se será masoquismo da minha parte, mas até me dá um certo gozo a forma como os herdeiros me encaram. Também já lá estive, e ainda tenho alguns flashes de como olhava os "velhos". Mas voltamos ao mesmo. Conseguirei sendo viva, atingir o estatuto de vintage, e portanto de ser uma coisa velha apreciada?

Temo que o meu extremo bom feitio, seja um travão entre mim e esse objectivo...

Só por causa das coisas, e porque os dias estão a encolher e a arrefecer, e porque me apetecia qualquer coisa doce, lembrei-me de fazer uma bolachinhas, estas sim bem vintage, ou seja, as intemporais areias, velhas e charmosas, e fáceis like Sunday morning :D :

300g farinha

200g margarina derretida

100g açúcar

2 gemas

1 colher de chá de fermento em pó

1 pitada de sal

misturar tudo e com as mãos, fazer bolinhas do tamanho de nozes. Colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal, deixar um espaço de uns 2 ou 3 centímetros entre cada uma, não crescem muito, por isso nada de stresses, e esborrachar ligeiramente com um garfo de forma a fazer os risquinhos tão característicos destes bolinhos. Muito importante, ter sempre o forno pré-aquecido. Vigiar a cozedura, e retirar logo que comecem a ficar com um tom dourado. Deixar arrefecer em cima de uma grade (isto é só pra parecer uma coisa profissional...deixem arrefecer onde quiserem e se quiserem) e por fim passar cada uma por açúcar.

Esta receita rende uns 30 bolinhos. Eu fiz a dobrar.

E meus amigos, um sofá, uma caneca de chá e um punhado destes bolinhos, pode até ser um cenário velho, mas vale bem a pena.

Fotografia minha das minhas areias

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Só sei que nada sei

...ao menos esse era honesto...


Enfim, cada vez mais apenas uma certeza, como diz o poeta, "cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas".






terça-feira, 28 de setembro de 2010

De faca e alguidar


o que eu acabei de assistir agora mesmo na mercearia aqui mesmo ao lado.

(sim porque eu trabalho no fim do mundo, onde ainda há, pasme-se, mercearias)

Uma luta! E porquê? Amor meus amigos, amor, ciume, raiva e aqueles condimentos todos de que são feitos os romances de cordel que há tanto julgávamos desaparecidos da face da humanidade.

Ela entra e pede um café, enquanto espera pelo café entra ele que vem comprar o pão. Ela manda uma boca, do género "era melhor que fosses fazer a cama, desde que saí lá de casa que não mudas os lençóis", ele calado que nem um rato e ela "porco, aquilo é mesmo uma pocilga pra levares as tuas marranitas, que é o que tu queres", ele manda-a calar, curto e grosso. Ela tem um ataque de fúria súbito e joga-se-lhe à farta cabeleira (o tipo tem o cabelo pelos ombros, desgrenhado e sujo...) ele agarra-a pelos braços e deita-a ao chão, mas antes aperta-lhe o pescoço "tá quieta puta" outra vez curto e grosso, e sai porta fora. Ela fica possessa, a tossir e a estrebuchar no meio do chão "porco, cabrão, nojento, sem mim não és ninguém!!"

Depois levanta-se e acaba de beber o café "agora vai pra casa e daqui a pouco arrepende-se...., ele gosta de mim que eu sei...."

E é assim o amor, dizem eles.

Isto tudo diante de uma plateia de queixo caído....eu.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Se o mundo fosse bom....


...o dono morava nele.


É o nome (muito inspirado, diga-se) da peça de Teatro que ontem fui ver, levada a cena pelo Cendrev.

Uma peça sobre o desconcerto do mundo, como dizem os encenadores; com um mix de textos de dois dramaturgos brasileiros, Ariano Suassuna e Januario de Oliveira; e de Gil Vicente com o seu fantástico Todo o Mundo e Ninguém do Auto da Lusitânia.

Muito corrosivo, ritmado, mas acima de tudo, um balsamo para a minha pessoa. Sou perdida por teatro. Adoro todos os pormenores técnicos da colocação de voz, e dicção, e movimentos dos actores, e luzes e o contacto, e o palco.

Confesso que foi também um bocadinho nostálgico. Fiz teatro amador por mais de 10 anos (quem não fez...), e eu que não gosto muito de olhar pra trás, se olhar, é desse tempo que mais sinto saudade.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

vamos lá ver se a gente se entende



Existe uma praga, uma coisa grandiosa que se está a espalhar à rapidez da luz, as pessoas, e quando digo as pessoas, V.Exas. poderão comprovar com um tudo nada de atenção, são muitas pessoas, demais, na televisão, na rádio, nas conversas diárias, as pessoas dizia eu, teimam em pronunciar orgulhosamente e à boca cheia : PRENCIPIO.

Prencipio.....PRENCIPIO pá!

Oh Santo Deus, isto nem sequer é uma palavra, a não ser que algum iluminado apareça aí com um manifesto para esta pérola constar no dicionário.

Procurem onde quiserem, pesquisem, googlem, o que for preciso! Não encontrarão significado para esta pseudo-palavra.

O que é que vem a seguir? hein? Se isto é o PRENCIPIO, então devemos estar perto do FEM.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Loading!

Está a chover, e minha disposição muda meus amigos, fico mais leve, mais feliz, enfim estou a carregar baterias e a ganhar uma alminha nova.

Singing In The Rain (Gene Kelly)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O travão

A mais pequena tem professora nova.
Ao fim de três dias de aulas, um dos quais de apresentação, a professora (amiga de longa data) diz-me:

- Oh Carmo, onde está o travão da gaiata!?

Resposta fácil e imediata:

- Funciona com travão de mão, e está mais ou menos à altura das nalgas.

Pra bom entendedor...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Só isto!?



Tenho ouvido dizer, não poucas vezes, que todos temos um treinador de futebol dentro de nós (nós os que gostamos de futebol, claro), hoje, e abrindo um pouco mais o leque, atrevo-me a dizer que todos temos dentro um critico, neste caso um critico de cinema.

Vamos lá então puxar dos galões, afinal de contas toda a gente se dá ares de critico de cinema, porque não eu?

Ontem fui ao sonoro com o meu esposo. Uma fita vista numa boa sala é um coisa completamente diferente, principalmente nos dias que correm, que tantas vezes optamos por ver no sossego do lar, porque é mais barato, porque com uma dose minima de boa vontade e habilidade prá coisa, não escapa estreia nenhuma e tudo isso.

Ora ontem, como ia dizendo, lá fomos ver a fita em cartaz. Depois de causar um sururu tão grande por todo o lado, depois de tantas opiniões contraditórias, eis que chega cá à urbe o mais falado filme dos últimos meses : The Incepcion, que em Portugal numa tradução muuuuito livre se chama a origem....

A ideia base do filme é boa. Estas coisas dos mais recônditos cantinhos da mente, as memórias labirínticas, a percepção da realidade, o sonho como motor da humanidade e dos seus feitos, quer de uma forma metafórica quer de um ponto de vista mais mecânico, tudo nos envolve numa espiral de duvidas e interrogações elevadas ao infinito.

Nas entrelinhas de uma ideia, há um outro filme que a mim me pareceu mais um 007 upgraded. Muita tecnologia, muitos efeitos especiais, visuais e sonoros, muita modernidade. Atenção que eu sou fã das aventuras do agente em causa, esta avaliação não é de todo pejorativa.

No entanto, quer-me parecer que o filme em questão, merecia um bocadinho mais de "substância". Pareceu-me que alguém quis fazer um filme sério, e depois a meio teve medo, e então optou pelo caminho mais fácil, tiros, muitos tiros, perseguições e afins, que sempre servem o propósito mais ambicionado por uma grande produção cinematográfica: cash.

E no meio de tudo isto, sinto um bocado que a montanha pariu um rato. Fiquei assim com um travo a pouco na boca, e não é por um filme como este estar a ser aplaudido por meio mundo, que vou deixar de me sentir um bocadinho defraudada. Paciência.

sábado, 4 de setembro de 2010

Sacanices



Bem sei que o meu aspecto pode não ser grande coisa, bem sei que já tive melhores dias, oh e quem não teve..., mas daí até a gaiata mais nova ver em mim uma espécie de caixote do lixo, vai uma grande distância!

E nem estou a falar de um Eco ponto, nada disso, é mesmo um daqueles caixotes de lixo plásticos, sujos, com pastilhas elásticas a forrar o fundo, e papeis de rebuçados e chupas e porras colados nos lados.

A tipinha come um gelado, e a meio diz "mãe toma, já não me apetece mais." e desaparece enquanto eu lá fico com "o menino nos braços", todo derretido e a escorrer-me plos dedos até cair em pingas na saia, na blusa ou onde quer que faça mal.

A sacaninha come uma pastilha elástica, espeta-me com os papeis nas mãos e cerca de dez minutos depois reclama "isto já não sabe a nada! Queres mãe?"...já não sabe a nada, queres mãe!!!!??? "não, não quero minha querida" respondo eu controlada, mas com um leve ranger de dentes, enquanto por dentro penso "não, não quero meu estupor, e se a pusesses no buraquinho do cu!".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Ai que prazer....



Chamam-lhes os "guilty pleasures". Aqueles pequenos prazeres que nos envergonhamos de confessar.

Há os que cantam as cantigas do Quim Barreiros de fio a pavio, mas é só porque "ficam no ouvido". Mentira, é porque se divertem genuinamente e despertam o "grunho" que há dentro deles.

Há os que já leram os livros todos da Margarida Rebelo Pinto e já agora do Paulo Coelho e da Inês Pedrosa, e alegam que "são levezinhos e até se levam bem". Mentira, é porque gostam da facilidade com que a mesma estorieta é debitada uma e outra vez sem espinhas.

Há os que comem trash food a toda a hora, porque "é muito mais em conta". Mentira, é mesmo porque há alturas da vida em que não há nada que chegue e uma fatia de pizza a escorrer gordura ou um hamburguer duplo atolado em molhos e batatas fritas.

Eu pelo-me por uma comédia romântica. Aqueles filmezinhos de meia-tigela que apelam ao nosso lado mel(o)dramático, e lamechas. Que nos fazem rir ou chorar com a rapidez de um formula 1, e nos invadem de uma doce nostalgia, que se prolonga muito depois dos créditos finais.

E depois há as bandas sonoras (no meu telemóvel roda o Ain't no sunshine), as quotes, as cenas que se recordam, tipo "ai, e quando ele diz que blá blá blá e depois ela responde blá blá blá, ohhhhhhhpááááááá é tão lindooooo".

Muitos deles podem até ser filmes ditos menores, podem não favorecer um certo pseudo intelectualismo muito em voga, mas honestamente estou-me a lixar!

Por exemplo, vi o Love Actually vezes sem conta, tenho o Notting Hill gravado no MEO, pra qualquer eventualidade, e ainda ontem estive a ver o Sleepless in Seatle pela . . . xa cá ver....não sei, mas também já vi este uma meia dúzia de vezes.

E é só pra que conste.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

(IN)SUSTENTABILIDADE


Na última década, esta é a palavra de ordem : Sustentabilidade.

Para todo e qualquer tema proposto, seja em que circunstância for, fica bem aflorar o conceito, nem que seja de uma forma absolutamente coloquial (quase sempre o é...)

O conceito é moderno no trato, e serve em todos os pés, ora é a sustentabilidade ambiental, ora é a sustentabilidade social e/ou cultural, ora é o Deus maior das nossas sociedades, a sustentabildade económica. Porque meus senhores, é isso e só isso que importa a quem governa. E não, não me estou a referir especificamente ao Zé, ao Manel ou ao Joaquim, estou-me a referir a eles todos juntinhos de mãos dadas.

No inicio da semana, se não estou em erro, foi anunciado o fecho definitivo de um grande número de escolas. Não quero aqui entrar em discussões sobre se é ou não viável essas escolas estarem a funcionar com tão poucos alunos, deixo isso para outros, mas quero tentar perceber como é que se pode falar e embandeirar em arco sobre a identidade de um país e blá blá blá, quando nos vão decepando aos poucos as raízes? Esta coisa toda da globalização faz-me assim uma espécie de urticaria, isto de o mundo ser uma aldeia global em que todos falamos a mesma língua, e afinamos sob o mesmo diapasão provoca em mim um involuntário torcer de nariz.

É provável que eu esteja errada, não digo que não! Mas também não abdico dos meus ideais idealistas (a redundância é propositada), pra mim o que está certo é as nossas crianças crescerem felizes e enraizadas, aprenderem os sotaques vernáculos da região onde vivem, puderem sair da cama a horas decentes, serem senhores dos seus pequenos reinos. E, acredito que os nossos governantes deveriam proporcionar-lhes isso, ainda que fosse a troco de mais um punhado de euros em professores e auxiliares, ao invés de os arrancarem da cama e da família de madrugada, para os despejarem em ambientes estranhos logo numa idade tão tenra.

Não precisamos de submarinos nem blindados. As invasões territoriais não se aplicam a este canteiro. Isto só dá trabalho, e pelo que vemos amiúde, é insustentável.


Pic: gamada por aí

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Sitiados



O gato está a miar ao pé da porta da varanda.


E diz ele, "Já viste isto? Se nós nem o gato deixamos sair, quanto mais os miúdos..."


Perfeito exercício de lógica.


Ps: O cordão umbilical é de aço extensível e infinitamente duradouro.



sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Vamos lá ver se a gente se entende



Há coisas que só se fazem no recato de uma porta fechada, caramba!
Exemplos?
Dar um traque, soltar um valente arroto, coçar as partes baixas, mexer nos pés, meter o dedo no nariz, limpar as orelhas, "palitar" os dentes com a lingua dando estalidos, e claroooo cortar as unhas pá!!!!
É que seja lá qual for o posto hierárquico que um pessoa tenha, não se cortam as unhas despudoradamente, sentado à secretária!
Muito menos à Sexta-Feira, que já dizia a minha avó, dá azar!
Era só.
Eu ía lanchar.
Mas já não vou.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Aos amores



Faz hoje exactamente 17 anos, mais ou menos a esta hora que começava a minha aventura pelo mundo dos afectos cá de dentro. Os afectos não (só) do coração, mas da carne, da dor, da angustia, do amor total e incondicional.


Estou a ser lamechas? É também disso que reza o (f)acto de ser mãe, por isso não se incomodem.





Parabéns Leonor Linda. Que a vida seja por inteiro toda tua porque não mereces menos que isso.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Hapiness...


...bottled

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Arranjem um porta-voz!


É que assim é complicado. Os fins de semana deveriam ser momentos de lazer, sem horários, nem compromissos inadiáveis. Mas não. Não senhor!

Já se sabe há as limpezas, há as refeições, há as toneladas de roupa pra passar a ferro, enfim, o normal numa casa cheia de gente.

E se fosse só isto, não chegava? Sobrava digo eu. Mas não...

Quando por fim o corpo já suplica por descanso, e o sofá faz o chamamento para acasalar, (re)começa o "jogo"... entra o primeiro "mãe tás a ver televisão (não, estou a coçar o traseiro...)? tás a ver o quê?, lá respondo muito a contra gosto, e sendo a falta de interesse óbvia, o personagem sai pela outra porta. Entra o segundo "mãe tás a ver televisão (uiiiii)? tás a ver o quê?- joga-se pra cima do sofá. Respondo já com pouca vontade conversa e um ligeiro sopro de desagrado. entra o terceiro (normalmente a cantar) - mãe tás a ver televisão? tás a ver o quê? posso mudar? - não, não tou a ver televisão, estou a ter um esgotamento nervoso, tou a ver que tenho que vos doar a bem da medicina, e não não podes mudar coisíssima nenhuma a não ser o teu cu daqui pra fora! e pronto lá se vai a calma e o verniz de um fim de semana em família...

Por momentos eu e o sofá conseguimos prosseguir nas nossas intimidades. Mas lá diz o povo, não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe. Começa o segundo round. "Mãe o que é o jantar?, respondo naquele tom que não admite mais perguntas. Entra outro, senta-se lá na ponta a olhar pra mim, mãe? mãe? o que é o jantar? não respondo. Não me apetece. A pessoa levanta-se a resmungar- xiiii é que nem me liga! só queria saber o que é o jantar, mai nada! e continua a lamuriar pelo corredor fora. Terceiro, discretamente vem ver se o telemóvel já está carregado, desliga-o da ficha, e "mãe? o que é o jantar?" ....*

Xiça!! Era demais pedir muito um bocado de organização?





sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pata na poça...

Quem de nós, pelo menos uma vez por semana, ou por dia, vá, quem, dizia eu, não mete a pata na poça?
Ou como diria a Grande Britney (not), ops! I did it again!
Aqui em Reguengos, há muitos muitos anos atrás, no principio do século vinte, havia um grupo de teatro, claro está composto na sua maioria por gentes bem posicionadas da sociedade local da época.
As admissões no seio do restrito grupo eram muito apertadas, e só contornadas por uma boa cunha, ou um nome decente. Ora um certo novo rico, comerciante da praça, há muito assistia a todos os ensaios da distinta trupe, sempre a salivar, desejoso do momento em que chegaria o convite e aí sim, ele teria a oportunidade de mostrar ao mundo o seu enorme talento. Certo é que, dias antes de estrear a peça, uma comédia de costumes, muito polida e correcta, um dos actores cai à cama com uma desinteria aguda. O papel era modesto, o tempo era pouco, porque não? O convite chegou e o dito cujo exultou de orgulho e alegria. Noite e dia, o caixeiro, dono de uma loja de lavoures, repetia a sua fala, "Sr. Doutor, o jantar está servido", falava num tom, experimentava outro, uma pose, depois outra. Por falta de ensaios, aquilo não podia sair mal, ah isso era de certeza!
Chegou o dia da estreia, a plateia do então novo e esplendoroso Cine Monsaraz, quase estoirava de tão cheia, nos camarotes era uma azafama, plumas, e rouges e bengalas, tudo a postos para as pancadinhas de Molière. A dramatização corria sobre rodas até ao momento em que entra o caixeiro, muito digno e elegante, e com uma voz muitíssimo bem colocada, diz numa vénia: " Senhor Jantar, o doutor está servido."
Escusado é dizer, que a carreira do jovem comerciante acabou ali mesmo.
E agora vocês perguntam "mas esta gaija agora lembrou-se disto porquê??"
Porque hoje é Sexta-Feira, porque alguém pode estar a preparar um jantar pra receber visitas, ou só o jantar de todos os dias e quem sabe hoje apetece-lhe fazer um doce, mas um daqueles doces que nos deixa a salvo de "meter a pata na poça", um daqueles doces infalíveis, e ainda por cima bonitos e uiii fashion.
Tomem nota, trata-se duma Tarde de Frutos do Bosque, que é como quem diz une Tarte de Fruits de La Fôret (em francês chia mais fino).

Então lá vai:


- 1 base de massa folhada fresca, ou massa quebrada, dependendo do gosto de cada um, se tiverem paciência também podem usar filo, dessas bases redondas que existem em todos os supermercados;
- 1 embalagem de frutos do bosque congelados;
- 1 embalagem de natas frescas, daquelas do saquinho, nada de embalagens tetra prisma, ok?
- 3 colheres de sopa de açúcar branco
- 4 colheres de sopa de açúcar mascavado
- 1 pau de canela
- raspas de chocolate
- um cheirinho de porto

Forrem V. Exas. uma daquelas formas de tarte, que se tira o fundo, com a dita base de massa, piquem muito bem com um garfo, encham com grãos ou feijões secos até meio (impede a massa de inchar) e levem ao forno quente durante uns 20 minutos. Nunca é demais lembrar que os fornos variam muito, pelo que é conveniente ir espreitando, e quando estiver dourado, retirar e deixar arrefecer.
Entretanto, levar ao lume, os frutos com as quatro colheres de sopa de açúcar mascavado, o pau de canela, e o cheirinho de porto. Deixar ferver um bocadinho até ganhar um ponto leve de compota, sem deixar de mexer, senão pega-se tudo e lá vai a intenção pelo cano abaixo, if you know what i mean...
Mais uma vez deixar arrefecer.
Seguidamente, bater as natas, que devem estar bem frrrias. Primeiro bater devagar por um minuto , depois juntar o açucar branco e bater na velocidade máxima até obter a consistência de chantily. Por fim é só montar (montar é uma palavra linda). Dentro da massa folhada deitar a compota de frutos já fria, por cima o chantily e por fim, generosas raspas de chocolate.
Experimentem e façam um figurão, é que nunca falha!



ps: os grãos e os feijões secos é pra jogar fora tá bem? Pronto. é só porque ...tá bem.
Pic lá de casa por alguém lá de casa

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Feios, porcos e maus

Por norma não gosto de filmes de acção, tal como não gosto de livros desse mesmo género. Cá em casa, sou inclusive acusada de gostar apenas e só de coisas "secantes". Não sei se será bem assim....é verdade que gosto mais de um diálogo em detrimento de uma cena de pancadaria ou perseguição alucinante, não é menos verdade que um plano bem filmado dispensa até os diálogos, e por aí adiante. Com os livros a coisa passa-se da mesma forma. Perco-me por uma descrição exaustiva de um tapete, de uma expressão, ou de um sentimento. Provavelmente sou aquilo a que usualmente se chama uma grande chata.
Não é raro, ouvir "este filme é um daqueles da mãe", ou "ui...é o livro que a mãe anda a ler..."...
No entanto, não há regra sem excepção, lá diz o ditado, e eis-me rendida a uma saga escrita, de acção e guerra, e mortes e torturas e coisas assim.

Contos do tempo em que os homens eram feios, porcos e maus, tempos em que cabeças rolavam em nome da honra, ou da vingança, amores impossíveis, corpos trespassados por espadas e lanças, e estandartes de casas nobres brandidos em gritos e desforras, e pobres esfarrapados e sujos, e bordeis, e prostitutas e intrigas e sentimentos primitivos e magia.Tudo isto num ambiente de trevas e medo, armaduras medievais, mesas fartas e cançonetas de exaltação às batalhas ganhas.Ou seja, ando a ler estes livrinhos de empreitada (oito volumes), completamente rendida à escrita cinematográfica deste George R.R. Martin, e das suas Crónicas do Fogo e Gelo.

Aliás no ano que vem, esta saga vai chegar à televisão, pela mão da HBO, o que desde já é garantia de qualidade. Vão dar uma espreitadela ao site, e digam lá que não é de salivar?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Coisas de outros tempos



Dizem que à medida que vamos caminhando na idade, as memórias mais antigas vão ficando cada vez mais claras, em contrapartida com o esquecimento imediato do dia de ontem.

A propósito do tema proposto pela Fábrica para este mês, lembrei-me de uma longa viagem que fiz há séculos. Longa porque naqueles tempos, estaríamos nos finais dos 70, ir do Alentejo ao Algarve era uma aventura que demorava o seu tempo. Não havia auto-estradas, ou vias rápidas, e as estradas existentes a muito custo podiam ter esse nome. A Serra do Caldeirão era passagem obrigatória, curvas e mais curvas, seguidas de curvas eram a explicação para a cor esverdeada dos semblantes. Os estômagos mais frágeis, quase sempre pediam misericórdia e mesmo os mais fortes coravam de enjoo.

Era verão. Talvez Agosto, isso não sei dizer. Os meus pais, os meus tios, e outro casal amigo, decidiram ir fazer um fim de semana prolongado para o Algarve. Destino: Monte-Gordo, Tipo: campismo selvagem.

Selvagem, porque não havia propriamente um parque de campismo, e selvagem porque nunca ninguém daquelas três famílias tinha sequer olhado para uma tenda antes.

Lá seguimos viagem, três carros carregados de tralhas, comidas, fogões, colchões e etcs, por aí fora. Avistámos Monte Gordo, umas quatro horas depois. Os estômagos deviam estar às voltas, os miúdos fartos da viagem, os adultos fartos dos miúdos (sim porque estas coisas não mudam muito). Toca a tirar tudo pra fora do carro, e aos mais aventureiros cabia a tarefa de montar a tenda. A tenda, que era mais uma barraca, era um despojo de um qualquer quartel militar, um pano enorme, verde seco, surrado, esburacado, uma dúzia de estacas de ferro, e claro corda com fartura. Outras quatro horas depois, os filhos mais velhos rebolavam-se no chão às gargalhadas perante as tentativas frustradas de manter de pé a "casa". Nós os mais novos, andávamos mais entretidos a apanhar camaleões.

O casal amigo, com um filho único, tinham levado uma sobrinha com eles, pra fazer companhia ao primo, e depois de toda aquela azafama, estavam ainda em estado de choque com a viagem, os olhos perdidos, a tez pálida, e um cansaço enorme, que a bem dizer não conseguiram recuperar nos três dias que por lá andaram. O pobre do homem, nunca tinha conduzido fora de Reguengos, e, descobrimos mais tarde, dentro do carro deles, foi desde a partida estabelecido um estado de alerta constante. Ele só olhava em frente, a mulher só olhava para o lado direito, e no banco traseiro do automóvel, o miúdo (que mais parecia um leitão de engorda, e a quem "carinhosamente" chamávamos Bufinha), fazia a viagem toda de joelhos virado pra trás (naquele tempo não havia cá cintos de segurança, nem cadeirinhas), enquanto a prima, uma adolescente muito bem comportada, relatava tudo o que acontecia do lado esquerdo. Não admira que estivessem extenuados à chegada...

Foram três dias de divertimento, muito ar puro, muita praia, manhãs inteiras a enterrar os pés na areia da maré baixa para apanhar conquilhas. No Domingo depois de almoço, toca a desmontar o acampamento e enfiar tudo nos carros, para o regresso. Os nossos companheiros estavam já amarelos com a antevisão de mais um bocado de inferno até chegar ao doce lar.

Lá partimos, de regresso a casa, sujos, cheios de sal e pó, os miúdos cheiinhos de sorrisos, os adolescentes cheios de estórias pra contar amanhã no jardim, um fim de semana no Algarve não era pra toda a gente, os adultos já a pensarem na semana de trabalho que tinham pela frente.

Nas minhas mãos, uma caixa de papelão, com uma tampa toda furada com a ponta da navalha de bolso do meu pai. Lá dentro o Hércules, um camaleão.


Pic in Deviantart


PS: O Hercules, morreu dias depois. O meu vizinho matou-o à pazada, depois de ouvir a mulher e a sogra aos gritos de "mata o bicho! mata o bicho!"


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Até tu Brutus...


Não basta os três gaiatos, não falharem uma hora da minha presença sem o "Mãããããeeeeee, eu quero isto", ou "Mããããeeeeeee, chega aqui, faxavôr", ou "Mããããeeeeee olhá lá o que ela/ele tá a fazer", e não esquecer o " ou paras já ou chamo a Mãe!".

Deve ser uma coisa inata, não percebo...mas a verdade é que passo metade dos fins de semana, a ripostar coisas do género " olha lá estafermo, e se fosses chatear o senhor teu paizinho que está aí tão bem posto ao teu lado!?". Por norma não ganho nada com isso, essa é que é a verdade.

Ora esta madrugada, sim porque eram 5.30h da manhã, o cabrãozinho do gato (que não é Brutus, mas Rex), acordou-me a miar, sentado em cima da minha mesinha de cabeceira, insistentemente, porque alguém lhe tinha deixado a porta fechada e o desgraçado estava apertadinho e queria ir à casa de banho...

Não foi miar à cabeceira dos donos pequenos, ou do dono ali tão descansadinho a dormir ao meu lado, não senhor! Abancou ao lado da minha cabeça e vai de miau miau miau, que é como quem diz "Mãããeeeeeeeeee".

Ai a minha vida!

 

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