domingo, 3 de outubro de 2010

Vintage


Parece ser cada vez mais um conceito na moda. Vintage.

Agora a questão é, o que e mesmo ser vintage? , ou melhor, qual é a diferença entre velho e vintage?

Se estivermos a falar de um bom vinho, a coisa percebe-se, especialmente se for um vinho que saiba envelhecer, sim porque há alguns que nascem pra ser jovens e finam-se pouco depois. Se se tratar de uma bolsa, ou de um vestido, também acho que consigo identificar o gene vintage. Uma determinada estampagem, ou corte, uma determinada frase, a evocação de um qualquer ícone já morto e enterrado, as incontornáveis pin-ups. Na música, por exemplo, também não é difícil! Há uma certa sonorização que nos catapulta para o conceito sem espinhas, a voz do Sinatra, do Gene Kelly, da Judy Garland, do Nat King Cole ou uma dança do Fred e da Ginger...

Agora o que me inquieta é saber se uma pessoa também pode ser vintage, quer dizer, uma pessoa viva e que não seja, nem tenha aspirações a ser ícone de espécie nenhuma. E uma dúvida que me assola, a sério!

Por exemplo, sabes que estas a envelhecer quando os teus filhos começam a dar desculpas para evitar a tua presença ou aparição nos lugares que frequentam. Nem que seja a porta da escola, na hora da saída. Ou quando te olham de lado quando cantas uma canção ainda mais velha que tu (ontem a tarde estava a ver The man who knew too much do Hitchcock, e não pude evitar de cantarolar em uníssono com a Doris Day o Whatever Will be, e juro que houve uns "ai meu Deus, e "o que e isto!!!", e coise, e tenho a certeza que não foi pelo facto de eu estar a cantar, mas sim por estar a cantar aquilo...). Aí tens a certeza de que já estás em outro patamar, estás a bem dizer em queda livre, pelo menos é isso que os viventes abaixo dos .... vá 25 anos pensam.

Não sei se será masoquismo da minha parte, mas até me dá um certo gozo a forma como os herdeiros me encaram. Também já lá estive, e ainda tenho alguns flashes de como olhava os "velhos". Mas voltamos ao mesmo. Conseguirei sendo viva, atingir o estatuto de vintage, e portanto de ser uma coisa velha apreciada?

Temo que o meu extremo bom feitio, seja um travão entre mim e esse objectivo...

Só por causa das coisas, e porque os dias estão a encolher e a arrefecer, e porque me apetecia qualquer coisa doce, lembrei-me de fazer uma bolachinhas, estas sim bem vintage, ou seja, as intemporais areias, velhas e charmosas, e fáceis like Sunday morning :D :

300g farinha

200g margarina derretida

100g açúcar

2 gemas

1 colher de chá de fermento em pó

1 pitada de sal

misturar tudo e com as mãos, fazer bolinhas do tamanho de nozes. Colocar num tabuleiro forrado com papel vegetal, deixar um espaço de uns 2 ou 3 centímetros entre cada uma, não crescem muito, por isso nada de stresses, e esborrachar ligeiramente com um garfo de forma a fazer os risquinhos tão característicos destes bolinhos. Muito importante, ter sempre o forno pré-aquecido. Vigiar a cozedura, e retirar logo que comecem a ficar com um tom dourado. Deixar arrefecer em cima de uma grade (isto é só pra parecer uma coisa profissional...deixem arrefecer onde quiserem e se quiserem) e por fim passar cada uma por açúcar.

Esta receita rende uns 30 bolinhos. Eu fiz a dobrar.

E meus amigos, um sofá, uma caneca de chá e um punhado destes bolinhos, pode até ser um cenário velho, mas vale bem a pena.

Fotografia minha das minhas areias

8 comentários:

Chica disse...

Que coisa boa e tenho certeza que valem a pena! Vou copiar a receita!

beijos,linda semana,chica

Tulipa disse...

Hum, obrigada por partilhares a receita, vou experimentar. Quanto ao vintage, é cada vez mais um estilo, com muito estilo, e é assim que quero envelhecer :)

pinguim disse...

Muita oportuna a tua questão.
Concordo, como tu, com a expressão para os vinhos, claro, para umas fotos, eventualmente para peças de vestuário.
Já filmes ou músicas, usa-se mais o termo "clássico".
Quanto às pessoas, temos mesmo que nos render à idade e chegar à conclusão que o termo vintage ou mesmo clássico só se aplica a coisas, que permanecem para sempre; nós não, infelizmente: envelhecemos e morremos.

Ana GG disse...

Ai estas areias vintage, que me deixaram água na boca (só faltou mesmo babar-me). Está decidido! Amanhã vou vintajar umas bolachecas "à la meldevespas" pela cozinha!

meldevespas disse...

Chica, pode copiar que sao muito bons, estes bolinhos, beijo

Tulipa,eu tambem queria...mas os mais novos nao deixam :DDD

Joao, pois...tens toda a razao. Mas ai menos que envelheçamos com estilo! Beijo

Ana, sao "baoas" sim senhora, espero que corra bem. B^^ejo

weee disse...

babax

Brown Eyes disse...

ahahahah eles pensam que estás em queda livre mas, desde que tu não te sintas em queda...Eu não me sinto, sinto é que eles pensam que são donos da verdade que apenas com uns anitos já se julgam sabichões. Chegarão à nossa idade e aí saberão a diferença entre a idade deles agora e a nossa. Tem piada que nunca questionei a sabedoria e a maneira de estar dos meus pais. Para mim, tenha a idade que tiver, cada um de nós tem a sua posição na vida, incomparável e como tal não podemos saber se é melhor ou pior. Gosto da minha e isso chega-me. Aqui ficou uma boa definição de vintage. Aí se apanhasse cá os bolinhos. Ando preguiçosa, muito mesmo. Beijinhos

meldevespas disse...

Viiii, tens que me dar a tua morada (eu juro q n vou aparecer) pra eu te poder amandar umas coisinhas destas
Bejo

Mary B., eu ate acho graça a esta coisa de lees pensarem que sabem tudo, e faço a minha parte do acordo...nao lhes digo que nao sabem nada;D
Experimenta estes bolinhos porque sao tres facile!
Beijocas

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